Mogi Mirim deve receber mais R$ 20 milhões

O Ministério das Cidades confirmou a liberação de recursos na ordem de R$ 20 milhões que poderão ser investidos em obras de infraestrutura e pavimentação asfáltica. A notícia foi divulgada na sexta, 14, pelo deputado Barros Munhoz (PSDB) em entrevista ao jornalista e vereador Geraldo Bertanha, o Gebê (SD).

Munhoz já havia sido informado da liberação na terça-feira, 11, por meio de telefonas do ministro das Cidades Bruno Araújo e do senador licenciado e atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. A verba resulta diretamente de reivindicações de Munhoz junto aos ministros em reuniões com participação do prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB).

“É uma notícia fantástica. Esses recursos vão possibilitar obras importantes na cidade para beneficiar toda a população”, comemorou o deputado. O recurso faz parte de um pacote que, ao todo, soma R$ 5,7 bilhões em investimentos no país. Além de Mogi Mirim, o deputado Barros Munhoz também garantiu a liberação das verbas para cidades vizinhas como Itapira (R$ 20 milhões) e Mogi Guaçu (R$ 30 milhões).

Em nota, a Prefeitura de Mogi Mirim diz ter recebido com grande satisfação a informação de que a cidade será beneficiada com recursos da ordem de R$ 20 milhões por meio de empréstimo autorizado pelo Ministério das Cidades. A utilização dos recursos ainda será definida em um segundo momento, mas deve auxiliar o município na questão da infraestrutura urbana.

“Dessa forma, o Governo de Mogi Mirim agradece, em especial, o empenho e esforço do deputado estadual Barros Munhoz, que não tem medido esforços para obter recursos que são fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Assim ocorreu com o valor liberado pelo Desenvolve SP da ordem de R$ 12,5 milhões e, agora, a intermediação feita junto ao Ministério das Cidades. Os agradecimentos também são estendidos ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, e ao ministro das Cidades, Bruno Araújo, que se solidarizaram com os municípios diante da dificuldade financeira pela qual estão passando”, ressaltou o Gabinete.

O prefeito Carlos Nelson recebeu Munhoz na terça-feira, 11. Durante o encontro, eles trataram das conquistas obtidas para o município junto ao governador do Estado, Geraldo Alckmin, por intermédio do deputado. Entre as principais está a verba de R$ 12,5 milhões junto ao Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, para ser utilizada no recapeamento do pavimento asfáltico de ruas e avenidas.

Munhoz intermediou o agendamento da visita do Secretário de Governo, Danilo Zinetti, ao Desenvolve SP, onde serão definidas as aplicações dos valores e quais as demais áreas do município serão beneficiadas com os recursos que serão destinados. O prefeito agradeceu a visita do deputado e destacou sua atuação para o desenvolvimento da cidade. “Munhoz tem se confirmado como um grande parceiro de Mogi Mirim e colaborado muito para que a cidade possa caminhar num cenário nacional difícil. Agradeço muito a parceria”, finalizou o prefeito.


“O promotor não pode governar a cidade”

Entrevista concedida a Flávio Magalhães

No próximo dia 01 de agosto, o promotor de Justiça Rogério Filócomo Júnior completa 14 anos de atuação no cargo em Mogi Mirim. Perde apenas para o doutor Celso Ribeiro, que permaneceu por 17 anos. Fiscalizando a Prefeitura desde a gestão do ex-prefeito Paulo Silva (PSB), Filócomo já processou todos os prefeitos que sentaram na cadeira de chefe do Poder Executivo mogimiriano de lá para cá.

Nesta entrevista, Filócomo enaltece o trabalho da Justiça, que, segundo ele, hoje não tem medo dos poderosos. Também aproveita para fazer um esclarecimento à população sobre o trabalho de promotor, em que “é possível muito, mas não é possível tudo” e lembra que não pode interferir em questões de cunho administrativo de Mogi Mirim. “O promotor não é o prefeito”.


A COMARCA: Nos quatro anos de governo do ex-prefeito Gustavo Stupp, o Ministério Público esteve em evidência devido ao grande número de denúncias contra a Prefeitura. O senhor provavelmente tem contato com promotores de outras cidades. Em comparação, é possível dizer que Mogi Mirim viveu algo fora do comum, no tocante a problemas com a Justiça?
Rogério Filócomo: Em primeiro lugar, eu vejo que a população confia muito no Ministério Público de Mogi Mirim e isso é muito positivo para a gente, porque aumenta o número de denúncias. É claro que o Ministério Público sempre procura trabalhar com denúncias fundamentadas, principalmente as denúncias que estão corroboradas por algum elemento de prova. Às vezes a gente acaba recebendo muita denúncia anônima sem nenhum elemento de prova, o que dificulta muito o trabalho. O segundo ponto, é que mesmo antes do governo Stupp, o Ministério Público já tinha uma atuação bem eficaz na fiscalização do patrimônio público, o que envolve vários assuntos da Prefeitura Municipal. 

Inclusive no mandato anterior do prefeito Carlos Nelson...
Eu, como promotor de Justiça aqui em Mogi Mirim há 14 anos, peguei o final do governo Paulo Silva, oito anos de Carlos Nelson, quatro anos de Stupp e agora o novo mandato do Carlos Nelson. Eu tenho ações de improbidade administrativa contra todos, porque na visão do Ministério Público praticaram erros administrativos. No tocante ao governo Stupp, o governo como um todo respondeu a várias ações de improbidade. Não foi só o prefeito, mas vários secretários. O volume dessas ações de improbidade foi maior, comparando aos outros governos, seja porque faltou um amparo jurídico maior aos governantes da época, seja porque agiram dolosamente. Comparando com outros municípios, concentrou um volume maior. Salvo engano, a própria A COMARCA fez uma reportagem do número de ações respondidas por Carlos Nelson e Stupp e o governo Stupp respondeu em quatro anos a mais ações do que o governo Carlos Nelson em oito anos. Mas gostaria de ressaltar que a fiscalização do Ministério Público, no tocante a Prefeitura Municipal, é sempre muito firme, porque para nós o prefeito não tem rosto, vamos investigar e entrar com as ações que julgamos corretas e pertinentes porque é a nossa função constitucional.

E houve um desgaste muito grande no segundo mandato do prefeito Carlos Nelson com a promotora Cristiane Hillal. Havia um embate com o Ministério Público.
Houve uma ação da doutora Cristiane, que continua em trâmite na Justiça, da merenda escolar. Na visão do Ministério Público havia um superfaturamento, porque no cardápio da merenda até picanha constava. É claro que às vezes, dentro do embate político, principalmente em época de eleições, isso acaba sendo explorado politicamente, principalmente pela oposição. O Ministério Público não segue o calendário político, é independente. Então o prefeito da ocasião pode dizer que o promotor quer prejudicá-lo, mas não tem nada a ver isso. Está aí o exemplo da condenação do Lula, que dizem que o juiz agiu politicamente. Eu não vejo isso como um fundamento legítimo dentro do Estado Democrático de Direito. A gente faz o nosso trabalho. A função do promotor é reunir provas e processar e a função do juiz, julgar. Muitas ações que eu entrei contra governantes eu perdi. Por outro lado recorri. Ou o contrário. Por isso não vejo nenhum momento de atuação do MP aqui de cunho político ou pessoal ao longo desses 14 anos.

Após seis meses deste terceiro mandato do prefeito Carlos Nelson, como está a relação da Prefeitura com o Ministério Público?
De um lado há uma facilidade pelo tempo de comarca que eu possuo. As pessoas já me conhecem e sabem que podem conversar comigo. Cito esse episódio do reajuste dos subsídios, que criou essa dúvida se seria legal ou não. Isso foi resolvido. Dois secretários municipais vieram conversar comigo, expliquei a posição do Ministério Público, eles levaram à Prefeitura, o prefeito acatou, já fez a devolução, agora já estamos em vias de assinar um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta. 

O senhor comentou no início da entrevista da confiança da população no MP. O cidadão, de maneira geral, cobra o Ministério Público em várias questões. Mas a população entende, de fato, qual a função do promotor?
Às vezes vejo que a população ainda confunde um pouco o trabalho do Ministério Público e o trabalho do Judiciário. Um processo que demora a ser julgado não é culpa do promotor. O promotor entrou com o processo, mas o trâmite é da Justiça. Por outro lado, acho muito salutar esses grupos de Facebook, a internet é a grande mídia. Mas vejo que o cidadão se sente satisfeito só de fazer uma postagem na internet achando que isso vai resolver o problema. E não vai. Eu, enquanto promotor, não acompanho o Facebook. O grupo “Dedo Duro” eu não acompanho. Oriento a população a me trazer a informação. Venham até a Promotoria, protocolem uma reclamação, é muito fácil. Mas veja, o promotor pode muito, mas não pode tudo. Existem coisas que são meramente administrativas. O promotor não é o prefeito, ele não pode governar a cidade. Cito o caso da UPA, que vai ser inaugurada. É uma questão administrativa, eu não posso decidir onde o prefeito vai alocar os recursos da Saúde. Isso foge da minha alçada. Se alguém está descontente, tem que protocolar um requerimento na Prefeitura, falar com os vereadores. Isso que a população às vezes não entende. Outro exemplo, o Mogi Mirim Esporte Clube. É um clube particular, não tem como o promotor investigar. O São Paulo Futebol Clube está em crise, falam até em desvio de verbas. Tem algum promotor investigando o São Paulo? Não tem, é clube particular. Por esses dias eu li um dos sócios dizendo que o MP deveria voltar os olhos para o Mogi Mirim [Filócomo se refere aqui ao trecho de uma coluna do ex-dirigente do Sapo, Henrique Stort, publicada por A COMARCA em 10 de junho]. Mas em que sentido? Uma coisa é a prática de crime. Se está ocorrendo crime lá dentro, não precisa nem vir ao Ministério Público. Vá a delegacia de polícia, registre um boletim de ocorrência e solicite a instauração de inquérito policial. A polícia vai investigar, se houver crime vai encaminhar ao promotor e o promotor denuncia. Mas eu não posso investigar o clube por má gestão se não tem dinheiro público. Por mais que seja considerado patrimônio público. Se for má gestão, os associados podem entrar com as respectivas ações de prestação de contas, de anulação de assembleia, na Justiça.

Sobre os julgamentos em Mogi Mirim, há uma certa lentidão da Justiça?
Claro que eu gostaria que as ações civis públicas, que envolvem os governantes da cidade, fossem julgadas mais rapidamente. Por outro lado, compreendo o volume de serviço que os juízes têm. Hoje, infelizmente, a Justiça está abarrotada de processos. Mas eu entrei com várias ações contra o governo Stupp, daí quando saio nas ruas as pessoas me falam que não deu nada, que terminou em pizza. Não acaba em pizza, a coisa está andando, não na velocidade que a gente gostaria. Mas não posso jogar nas costas dos juízes e dizer que eles não querem julgar. Não é isso, tem todo um trâmite. Claro, há processo de improbidade administrativa contra governantes que ficam um ano na mão do juiz. Um ano e meio. É bastante tempo. Mas às vezes os juízes têm outras tarefas. Não quero, até para não ferir a ética, criticar só os juízes. Gostaria que fosse mais rápido. Para a sociedade como um todo essa resposta do Judiciário, se mais rápida, traria uma certa pacificação social. Tira essa visão do “não deu em nada”, porque a população veria o que o juiz decidiu, seja pela condenação, seja pela absolvição. O que é ruim, e eu falo como promotor, é ficar esperando a sentença e ela não sai.

Até para balizar o trabalho do promotor.
Sem dúvida.

Essa descrença na classe política não alimenta o clamor popular por penas mais duras?
Mas a Justiça está trabalhando. Claro, a Justiça tem seus erros. Às vezes a gente vê essas decisões do Supremo Tribunal Federal que a gente não concorda, que causa um certo clamor popular. Mas o dado mais significativo para quem critica a Justiça é que antes, no Brasil, a gente não via poderosos sequer sendo processados. E hoje a gente está vendo poderosos sendo processados e sendo condenados e presos. Um ex-presidente da República foi condenado. O atual presidente da República está sendo processado. O ex-presidente da Câmara dos Deputados está preso. Um ex-governador está preso. A Justiça está fazendo a parte dela.

Finalizando essa entrevista. Depois de 14 anos, o senhor pretende permanecer em Mogi Mirim?
Pela Constituição Federal, eu tenho, como promotor de Justiça, a garantia da inamovibilidade. O que significa isso? Que ninguém mexe com a gente. Eu só saio de Mogi Mirim se eu quiser. Eu posso aposentar aqui. Então, evidentemente, dentro da carreira, vou analisando o que é melhor para mim. Há 14 anos estou aqui, procuro fazer o meu melhor, dar minha contribuição e, pelo andar da carruagem, vou continuar com o mesmo empenho, com a mesma garra de quando cheguei aqui pela primeira vez.

Jogadores do Mogi cobram salários atrasados

Parte do elenco do Mogi Mirim Esporte Clube se reuniu na tarde da última quarta-feira, 12, com o presidente Luiz Oliveira para discutir problemas financeiros. Segundo informações do portal Globo Esporte. Alguns jogadores que estão no clube há mais tempo, desde a campanha na Série A2 do Campeonato Paulista, estão com três meses de salários atrasados e cobram o pagamento.

O Mogi Mirim não divulgou oficialmente a conclusão do encontro entre jogadores e presidente, nem quais atletas estiveram presentes na reunião, mas foi divulgada a possibilidade de greve dos atletas. Recentemente, o clube já perdeu o goleiro Poti, que entrou na Justiça e conseguiu a liberação por falta de salários.

No entanto, ao menos por enquanto, estaria descartada a possibilidade de greve, até porque vários jogadores e a nova comissão técnica chegaram recentemente, para a disputa da Série C. Segundo declaração do técnico Marcelo Veiga à imprensa, ele foi informado da reunião, mas garante que todos os jogadores vão treinar normalmente durante a semana.

O Sapo volta à campo pela Série C do Campeonato Brasileiro hoje, às 17 horas, contra o São Bento, no Estádio “Walter Ribeiro”, em Sorocaba. Na lanterna do Grupo B, o time tenta voltar a vencer depois de dois tropeços seguidos, contra Macaé (derrota por 1 a 0) e Joinville (empate em 1 a 1).

Foto: Marcelo Gotti/MMEC

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Parceria com CR deve economizar R$ 2 milhões

A parceria entre a Prefeitura e a Secretaria de Administração Penitenciária para a utilização de mão de obra de detentos em regime semiaberto do CR (Centro de Ressocialização) “João Misságlia” pode render uma economia de R$ 2 milhões em um ano. A informação foi divulgada nessa semana pela Prefeitura.

O convênio foi aprovado pela Câmara Municipal em votação na última segunda-feira, 10. Foram 10 votos favoráveis e seis contrários. Em virtude do fim do contrato com a empresa Cidade Brasil a partir de quinta-feira, 19, inicialmente serão utilizados dez reeducandos do CR. O secretário de Segurança Pública e de Negócios Jurídicos, Thiago Toledo, elencou o tripé ressocialização-limpeza-economia como os motivos para a iniciativa da Prefeitura.

“É um convênio com o Estado, é uma parceria com o governo estadual, não diretamente com o reeducando. Eles já seguem normas criteriosas no CR e antes da seleção deverão ser apresentados a nós laudos atestando que eles possuem as condições para o exercício da função”, evidenciou Toledo.

O secretário ainda acrescentou que as pessoas não podem dar margem ao preconceito. “Não se pode caracterizar o reeducando tendo antecipadamente dele um pré-conceito. Uma pessoa que você considera como se fosse ‘de bem’ pode te furtar o celular”, exemplificou. Toledo revelou que a Guarda Civil Municipal deve reforçar a fiscalização habitual aos reeducandos, mas também será orientada a agir caso os detentos sejam hostilizados pela população.

O atual contrato com a Cidade Brasil foi realizado em janeiro, em caráter emergencial e, portanto, segundo normas legais e por instruções do TCE (Tribunal de Contas do Estado) não poderá ser prorrogado ou renovado, como disseram erroneamente alguns vereadores, como Samuel Cavalcante (PR) ou André Mazon (PTB).

Secretários municipais refutaram argumentos da oposição e defenderam convênio

“Se tivessem feito a prorrogação, pois pedimos ao governo anterior [de Gustavo Stupp} esse feito, não estaríamos vivendo essa situação. A conta da demissão dos funcionários da empresa não é nossa, pois cabia a ele [prefeito anterior] ter feito a prorrogação”, explicou o secretário de Finanças, Roberto de Oliveira Junior.

Oliveira também refutou outro argumento de oposicionistas: de que a Prefeitura não fez uma nova licitação propositadamente. “Uma licitação desse tipo demora, em média, seis meses para ser concretizada. Se tudo correr bem. E precisa de ao menos três cotações de preço. Nós tivemos apenas uma, e pelo dobro do valor atual”, explicou, justificando a inviabilidade de um novo contrato.

Também foi abordado que empresas no município já utilizam os trabalhos dos reeducandos. “Uma empresa da região contratou 40 e eles trabalham ao lado dos funcionários. É uma ação de ressocialização”, contou Thiago Toledo. “Empresas utilizando a mão de obra de reeducando é muito comum no mundo empresarial atual”.

Foi acrescentado ainda que a população conhecerá o trabalho que será realizado. “Em Campinas são 600 reeducandos e o serviço é satisfatório. Os canteiros centrais das avenidas estão limpos e as plantas e flores bem cuidadas. É isso que precisamos e todos nós queremos: limpeza pública com resultado efetivo”, ponderou.

Eles serão subsidiados com apenas um salário-mínimo, sem os custos com encargos trabalhistas. Também a cada três dias trabalhados é reduzido um dia da pena. “Mas mediante o atestado de satisfação emitido pelo contratante e a instituição contratada. O reeducando deve apresentar um serviço que seja satisfatório a ambos”, ressaltou o secretário de Administração, Ramon Alonço.

Aos reeducandos, a partir de agosto, passarão a trabalhar junto com os funcionários contratados pelo Consórcio Cemmil Pró Estrada. Atualmente, 16 trabalhadores da Cemmil já integram as equipes de roçagem e capinagem. A convocação deles foi mediante processo seletivo com contrato tem duração de dois anos e a remuneração mensal é de R$ 1.900,00.

“A previsão é que o número de contratados chegue a 25, totalizando com os reeducandos 35 pessoas. Atualmente, são disponibilizados cerca de 25 funcionários pela empresa que presta os serviços”, conclui o secretário de Serviços, Vitor Coppi. Os reeducandos devem começar os trabalhos nos primeiros dias de agosto.

Lula é condenado a 9,5 anos de prisão e sentença repercute no meio político

Por Flávio Magalhães

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância, condenou na quarta-feira, 12, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação é relativa ao processo que investigou a compra e a reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo.

Na decisão, Moro afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente. O ex-presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho conhecido como Léo Pinheiro, também foi condenado no caso, mas por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A sentença prevê 10 anos e 8 meses de reclusão para o empresário, mas sua pena foi reduzida devido ao fato ter fechado acordo de delação com a Justiça.

O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer da decisão. Os procuradores que integram a Força Tarefa da Lava Jato dizem que discordam de alguns pontos da decisão do juiz Sérgio Moro e devem pedir uma pena maior ao ex-presidente. Lula, por sua vez, disse que vai recorrer da condenação “em todas as instâncias possíveis”, e pediu ao seu advogado que fosse estudado um processo contra a sentença de Moro no CNJ, o Conselho Nacional de Justiça.

A COMARCA ouviu autoridades e líderes políticos sobre a questão. O presidente do PSDB de Mogi Mirim, Marcos Dias dos Santos, o Marquinhos, concorda com a visão do MPF e vê como branda a sentença que condenou o ex-presidente. “Esperava uma pena maior pelas provas que foram apresentadas e pelo embasamento jurídico”, analisou. “Precisamos aguardar a segunda instância”, advertiu.

Em um tribunal superior, contudo, Marquinhos acredita que a condenação de Lula possa ser reformada para uma pena maior e descarta o argumento petista de que Sérgio Moro agiu por motivações políticas. “Estão no papel deles. Moro é uma pessoa muito respeitada, é um herói brasileiro”, enfatizou. “A grande nação brasileira não esperava outra postura dele”, completou.

O presidente do PSDB também acredita que os petistas perderam sua principal peça para 2018. Vale lembrar que, em caso de uma condenação em segunda instância, Lula fica inelegível para a corrida presidencial. “O PT já teve um desempenho pífio nas eleições municipais do ano passado, com Lula condenado eles perdem seu principal trunfo”, destacou.

Já Ernani Gragnanello, histórico líder petista na Baixa Mogiana, vê distinções entre os julgamentos relativos ao PT e de outros partidos. “Sabemos que diversas lideranças do PMDB e do PSDB são denunciadas pelo Ministério Público Federal com gravíssimas provas e gradativamente são liberados ou são arquivadas as denúncias pelo Poder Judiciário”, apontou. “

Eu não sou daqueles que acham que o PT não errou ou coisa parecida, mas que os pesos são totalmente desiguais e isso as pessoas do bem percebem claramente”, completou.

Ex-presidente da sigla em Mogi Mirim, ele prevê tempos difíceis para a legenda. “O PT será atacado sem piedade. Uma parte da população, orientada por setores do PMDB, DEM e PSDB, fará esse jogo sujo e a propagação da intolerância contra o PT. Quais os motivos?  Diante dos compromissos sociais que o PT defende”.

“Por fim aqueles que foram às ruas contra a ex-presidente Dilma Rousseff, contra a corrupção e as pedaladas fiscais estão onde? A corrupção está escancarada e as pedaladas viraram um motor turbinado 3.0”, ironizou.

Já o promotor de Justiça de Mogi Mirim, Rogério Filócomo Júnior, não acredita em atuação política do juiz Sérgio Moro. “Estamos em um Estado Democrático de Direito onde as instituições estão fortalecidas, principalmente a Justiça”, defendeu. “Políticos do PSDB e do PMDB também estão sendo processados, não dá para dizer que a Lava Jato foi criada contra o PT”, avaliou.


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Contas de Gustavo Stupp são rejeitadas pela Câmara

Por Flávio Magalhães

As contas do ex-prefeito Gustavo Stupp (PDT) referentes ao ano de 2014 foram rejeitadas por unanimidade pela Câmara Municipal. Os vereadores acompanharam a avaliação da Comissão de Finanças e Orçamento do Legislativo e reverteram o parecer favorável emitido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que pode acarretar uma inelegibilidade de oito anos ao ex-prefeito.

A votação das contas, realizada no último dia 03, se alongou por quase duas horas. Isso porque diversos vereadores fizeram questão de criticar duramente o governo de Gustavo Stupp. Alguns repreenderam até mesmo o TCE por ter emitido um parecer favorável, apesar de tantas irregularidades apontadas pelo próprio órgão.

Um deles foi o vereador Magalhães da Potencial (PSD), que classificou como “lamentável” o parecer técnico. “A Polícia Federal deveria baixar no Tribunal de Contas”, sugeriu. “A roubalheira desse governo [de Gustavo Stupp] era tanta que foi preciso deixar de honrar com compromissos da Prefeitura para se ter dinheiro para desviar”, disparou, na tribuna.

Magalhães é um dos três integrantes da Comissão de Finanças e Orçamento, responsável por avaliar as contas da Prefeitura e seu respectivo parecer do TCE. A presidente da comissão, Maria Helena Scudeler de Barros, após uma explanação técnica, foi irônica ao se referir a Gustavo Stupp. “Acho que ele só gostava mesmo era de tomar um chopp e namorar, ser prefeito não era com ele”, disse.

Outro integrante da comissão, Alexandre Cintra (PSDB) disse que dormiria em paz após a votação, pois “sentiu na pele” as consequências do governo anterior. Ele se referiu a sua conturbada exoneração da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo logo no primeiro ano da gestão Stupp. “E a pergunta que não quer calar: quem administrou a cidade nos últimos quatro anos?”, questionou ainda.

Os demais vereadores também se pronunciaram em sua maioria. Tiago Costa (PMDB), por exemplo, chamou Stupp de “mau caráter” e também criticou o parecer do TCE. “Essas contas podem ter fechado matematicamente, mas são humanamente reprováveis pela população pelo mal que causou em nossa sociedade”, declarou.

“Muitas pessoas perguntam o que vamos fazer com o governo Gustavo Stupp, essa é a resposta”, definiu Geraldo Bertanha, o Gebê (SD), que questionou o fato do ex-prefeito não ter apresentado sequer uma defesa à Comissão de Finanças e Orçamento durante a análise das contas. “Quem cala, consente”, resumiu o vereador.

No mesmo sentido, se posicionou Cinoê Duzo (PSB). “As pessoas esperam por esse retorno, politicamente e moralmente. As pessoas esperam que a gente coloque esse moleque na geladeira por oito anos”, afirmou, em alusão a possível inelegibilidade que pode ser declarada a Gustavo Stupp de agora em diante.

Certamente com o discurso mais aguardado da noite, o ex-vice-prefeito e atual vereador Gerson Rossi (PPS) foi o último a falar. “Não fujo de nenhuma responsabilidade, como tenho feito nos meus 16 anos de vida pública. Nunca me escondi nesses quatro anos de governo, porque tenho a consciência tranquila”, declarou.

Gerson se isentou de qualquer responsabilidade pelo governo anterior pelo fato de não ter assumido a Prefeitura de Mogi Mirim durante um dia sequer em seu mandato de vice-prefeito. “Eu tenho vergonha na cara, tenho honra na cara, tenho uma família que me respeita e que confia em mim”, afirmou.

O vereador fez questão de ressaltar que mantinha certo distanciamento de Stupp. “Acho que se tive meia hora de conversa com o prefeito nesses quatro anos foi muito”, disse. “Mas hoje represento a vontade do povo e sei que a vontade do povo é de que as contas sejam rejeitadas”, encerrou.


Revitalização do Lavapés tem pontapé inicial

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (Acimm), Sidney Coser, deverá apresentar em breve um projeto detalhado para a revitalização e a terceirização do complexo do Lavapés ao prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB). No mês de junho, Coser e o chefe do executivo municipal tiveram uma reunião com a presença de alguns vereadores para discutir o assunto.

O encontro foi agendado pelo vereador Cristiano Gaioto (PP), autor do projeto que trata da exploração do local, viabilizando o resgate da área. Outros vereadores que também assinaram a propositura, como foi o caso de Marcos Antonio Franco, o Marcos Gaúcho (PSB), e Sônia Módena (PP) também participaram do encontro.

O prefeito lembrou a Coser que quer analisar bastante a proposta e quer o aval da Câmara para qualquer iniciativa que tenha de tomar nesse sentido. Ele concorda que o Lavapés é o principal ponto da cidade e merece toda a atenção, mas antes é preciso se cercar de todas as garantias, quando o assunto é uma autorização para terceiros tomarem conta.

O chefe do Executivo enalteceu a preocupação dos vereadores e quer o máximo envolvimento de todos na busca por uma solução que contemple aquela área. Já o diretor da Acimm, Luiz Antonio Guarnieri, o Luizinho, acredita que, se a cidade resgatar o “Zerão”, até os restaurantes da cidade ganharão com isso. Em entrevista recente com proprietários de restaurantes da cidade, um dos pontos levantados foi a conclusão de que a falta de lazer na cidade afugenta os consumidores de outras cidades.

Coser lembrou ao prefeito que a Acimm quer ser a interlocutora do município junto à iniciativa privada pela melhoria do Lavapés. Também revelou, na ocasião, que algumas negociações já estão com as tratativas bem avançadas, e que já há até sinal verde de alguns empresários em ajudar no resgate do local. “O próximo passo é apresentar um projeto com zoneamento daquela região para que o prefeito entenda o que pretendemos”, disse.

Na ocasião, o presidente da Acimm revelou que a análise da água e o contato com a empresa que poderá explorar os pedalinhos naquele lago já foram vistos e uma vez autorizada será colocada em prática. No começo deste ano, uma reunião ampla foi realizada na Acimm para discutir o assunto. A análise da água do lago é o primeiro ponto a ser observado, pois, dependendo do grau de poluição, a exploração dos pedalinhos será descartada. “Temos pleno conhecimento da situação e estamos trabalhando com os pés no chão”, advertiu.

Representantes da Acimm se reuniram com prefeito e vereadores para debater a questão

TÉCNICO
Nos próximos dias, uma equipe técnica deverá se reunir para concluir o projeto solicitado pelo prefeito e iniciar um ciclo de discussões acerca do assunto. Momentaneamente, a Prefeitura não possui condições de promover qualquer benfeitoria na região do Lavapés. Ainda assim, o entorno da lâmina d’água é uma das mais frequentadas por famílias e praticantes de ciclismo e pedestrianismo aos finais de tarde.

HORTO
Durante o encontro com representantes da Acimm, o prefeito Carlos Nelson chegou a oferecer uma parceria para administrar o Horto Florestal e o próprio zoológico, a fim de proporcionar mais lazer aos mogimirianos.

Na ocasião o presidente da Acimm não descartou a possibilidade de auxiliar na busca por parcerias junto a iniciativa privada, mas disse que antes quer viabilizar a revitalização do Lavapés, já que manteve muitos contatos com empresas da cidade. “Quero ser um interlocutor e auxiliar o desenvolvimento da cidade, o que significa o desenvolvimento do comércio também”, apontou.

Coser revelou que tanto o horto quanto o próprio zoológico merecem atenção especial da população, pois numa cidade carente de lazer, uma área como aquela pode se transformar num polo onde famílias inteiras podem se divertir aos finais de semana. O prefeito e o presidente da Acimm devem retomar o assunto em breve.

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