O imperial teatro São José

A história do Teatro São José começa há mais de 180 anos. Mais precisamente, em 1832. Foi quando o Padre José Joaquim de Oliveira Brazeiros (que batiza uma das mais importantes vias da cidade) construiu um pequeno teatro, o primeiro da cidade, para os artistas que passavam pela região. Feita de tábua e iluminado a valas de sebo, a construção ficava localizada na esquina da Rua Padre José com a Rua Monsenhor Nora.

Com meio século de existência, porém, o teatro já estava em estado bastante precário e praticamente em ruínas, o que motivou a Comissão de Obras da Câmara Municipal a promover uma vistoria no local. Foi concluído pelos vereadores que “o aspecto que o prédio apresenta é o mais perigodo e ridículo, completamente abandonado”.

Prova disso, segundo a Câmara, era o fato das companhias teatrais não mais se apresentarem em Mogi Mirim, por falta de estrutura. Com o aval dos vereadores, a partir do Código de Posturas vigente, foi ordenada a demolição do antigo teatro. Assim, circulava entre algumas lideranças mogimirianas a ideia de se construir um novo teatro.

Nenhuma delas, porém, foi bem sucedida. Até que em 1883 foi constituída uma sociedade anônima, a Companhia Progresso Mogyano, responsável por construir um novo teatro na esquina da Praça Ruy Barbosa com a Rua Padre Roque. A inauguração ocorreu em 05 de janeiro de 1885, com o espetáculo “Fedora”, de Victorien Sardou, encenada por uma companhia profissional de teatro.

Em 1889, o Teatro São José recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II, que elogiou o prédio mogimiriano, afirmando ser uma das mais belas construções para espetáculos teatrais. Anos depois, o palco seria reformado e ampliado, seguindo projeto do construtor Alexandre Tucci, o que possibilitou um dos mais elegantes teatros do país a receber as maiores companhias do Brasil.

Teatro São José recebeu a visita do imperador Dom Pedro II em 1889, recebendo elogios (Foto: Arquivo/A COMARCA)

Com o tempo, a iluminação foi modernizada. Os velhos lampiões de querosene, que incomodavam os frequentadores com o forte odor de petróleo, deram lugar à iluminação a gás e, posteriormente, à luz elétrica. Isso possibilitou a chegada de modernos equipamentos de cinema, uma vez que as projeções também eram feitas com lampiões de querosene.

Por intermédio do engenheiro Paulo Valensin, que explorou o teatro por anos, as sessões de cinema se intensificaram. Com a chegada da energia elétrica em 1909, o cinema foi reformado para a instalação das novas sessões. Durante os filmes, a trilha sonora era feita por uma orquestra, que tocava de acordo com as cenas. Somente depois vieram os chamados filmes sonoros.

E assim, privilegiado os filmes em detrimento dos espetáculos cênicos, o Teatro São José passou a ser conhecido como Cine São José. A Companhia Progresso Mogyana, que administrava o prédio, foi alvo de disputas judiciais no início do século XX. A partir de 1913, a sociedade anônima foi condenada a pagar uma pequena fortuna, através de execuções fiscais de seus antigos sócios.

Já em 1914, uma nova direção assumiu a companhia. Em 1920, diante de rumores que os novos donos pretendiam vender o teatro, alguns sócios da Societá Italiana di Mutuo Soccorso (entidade fundada em 1903) decidiram comprar em definitivo o prédio, a fim de preservar a construção e instalar ali a sede da comunidade italiana.

Embora a Societá Italiana não tivesse recursos suficientes para adquirir o Teatro São José, um empréstimo interno entre os sócios foi realizado para efetuar a compra do prédio. Tudo para evitar que o imóvel fosse transformado em um centro de comércio, como queriam seus antigos donos.

Após reformas no teatro, em 1922, a Societá Italiana transferiu o Cinema Brasil, que funcionava na Rua Padre Roque, para o Teatro São José. Assim foi até 1923, quando o Cinema Brasil voltou à Rua Padre Roque.

Em 1926, uma grande reforma interna no Teatro São José foi promovida pela Societá Italiana di Mutuo Soccorso. O Cinema Brasil voltou a Praça Rui Barbosa, tornando-se Cine Teatro São José. Foi administrado por outras empresas até 1933, quando voltou às mãos da Societá Italiana.

Em abril de 1940, durante assembleia, a Societá Italiana (nessa época já rebatizada como Associação Mogimiriana de Beneficência) decidiu pela demolição do Teatro São José. A intenção da diretoria, liderada pelo presidente Aprígio Gonçalves da Silveira, era construir um novo prédio no local para abrigar as salas de cinema. A reforma do teatro, alegavam, não compensava. A nova construção, com isenção de impostos, foi autorizada pelo então prefeito, Ataliba Silveira Franco.

Após demolição, teatro deu lugar ao Cine São José (Foto: Arquivo/A COMARCA)

Em 1942 foi inaugurado o novo Cine São José, que funcionou por décadas na esquina da Praça Rui Barbosa com a Rua Padre Roque, até ser substituído por um magazine. A Associação Mogimiriana de Beneficência, após fechar o Cine São José, manteve ainda a propriedade de parte do imóvel, onde posteriormente funcionou o Center Cine.

Alguns anos depois, sob a presidência de Antônio Carlos Bernardi, a associação ampliaria suas salas de cinema, com um imóvel na Rua José Bonifácio, através de uma parceria com uma empresa de exibições cinematográficas. Após a ruptura com tal empresa, o cinema da Praça Rui Barbosa foi definitivamente fechado.

Por Flávio Magalhães

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