Pacini & Piccolomini

Pupilos e discípulos do jornalista Francisco Cardona, os mestres Francisco Piccolomini, Emílio José Pacini e Orlando Pacini foram responsáveis por dar continuidade ao jornal A COMARCA por mais de duas décadas. Sucederam Cardona, ficando responsáveis pelo comércio, pelo jornalismo e pela gráfica do periódico mogimiriano.

Ainda meninos, ingressaram nas gráficas de A COMARCA por volta de 1910. Nessa época, aliás, diversos pais mogimirianos queriam que seus filhos trabalhassem na oficina do jornal, pois Francisco Cardona não formava apenas trabalhadores, formava cidadãos. O velho jornalista tomava lições até três vezes ao dia de seus pupilos.

Piccolomini e os irmão Pacini logo ganharam a estima do jornalista. Francisco na revisão do jornal, Orlando na oficina gráfica e Emílio na papelaria Casa Cardona. Com o tempo, Piccolomini passaria também a redigir matérias, sendo correspondente dos distritos de Posse, Jaguariúna, Conchal e Artur Nogueira.

Francisco Piccolomini frequentava também a escola “Coronel Venâncio”, onde se diplomou em 1911. Nascido em 02 de julho de 1898, era filho de Jácomo Piccolomini e Madalena Martinelli Piccolomini. Em A COMARCA, passou de aprendiz de tipografia a redator-chefe.

Emílio José Pacini nasceu em 14 de abril de 1898, filho de Pio Pacini e Delfina Pacini. Também frequentou a escola “Coronel Venâncio” e entrou em A COMARCA como aprendiz de tipografia. Seguiu caminho diferente de Piccolomini, porém, sendo aproveitado na Casa Cardona, papelaria que também pertencia ao jornalista.

Já Orlando Pacini é o caçula do casal Pio e Delfina Pacini. Nascido em 09 de março de 1902, Orlando estudou na “Coronel Venâncio” e foi admitido em A COMARCA um ano após seu irmão mais velho. Comandando a arte gráfica, era elogiado pela qualidade das páginas do jornal.

Cardona, já com o objetivo de integrar o trio à dinâmica do jornal e da papelaria, criou em 1922 a F. Cardona & Cia., uma sociedade coletiva da qual detinha metade do capital social, enquanto Piccolomini e os Pacini tinham 1/6 cada.

Cardona, Orlando, Piccolomini e José Emílio formaram a sociedade Cardona & Cia.

Em 1926, Francisco Cardona decidiu deixar a direção do jornal, passando o comando para seus três pupilos. Com isso, em fevereiro, Piccolomini e os irmãos Pacini compram a parte de Cardona na sociedade coletiva. Nasce a Pacini & Piccolomini, proprietária da Casa Cardona e do jornal A COMARCA.

Apesar da mudança de comando, o periódico prosseguiu tranquilamente. Cardona, porém, se mantinha atento, à distância. Durante muitos anos, o jornalista recebia em sua casa (na Rua Ulhôa Cintra, pouco abaixo da Conde Parnaíba) as provas das páginas antes de serem impressas.

Francisco Piccolomini, enquanto diretor do jornal, foi um dos sócios fundadores da Associação Paulista de Imprensa, em 1939, com diploma assinado pelo poeta Guilherme de Almeida. Casou-se com Leonor Scaglione, com quem teve duas filhas: Maria Conceição, que depois se formou pelo Conservatório de Canto Orfeônico de São Paulo, e Terezinha Dinah, que se formou pela Faculdade de Filosofia de Campinas e mais tarde tornou-se irmã religiosa das Filhas de Jesus.

Emílio José Pacini foi casado com Hemengarda Franklin de Almeida e teve um filho, José Maria de Almeida Pacini. Com o falecimento da primeira esposa, Emílio casou-se com Lígia de Queiroz Telles e teve como filhos Maria Luíza, Maria Conceição, Emílio e Ederaldo.

Orlando Pacini casou-se com Inês Ceregatti. O mestre do parque gráfico de A COMARCA teve uma filha, Inezilda de Lourdes, formada pela Escola Normal do Colégio Imaculada, professora de piano e de canto orfeônico.

Pouco após a chegada de Artur de Azevedo, sogro de Piccolomini, a sociedade coletiva se desfez no início dos anos 1950. Os irmãos Pacini ficaram com a Casa Cardona, na esquina da Praça Rui Barbosa com a Conde de Parnaíba. A COMARCA mudou de endereço, foi para a Rua Ulhôa Cintra.

Em 1952, Francisco Piccolomini, já doente, transferiu o comando do jornal para Arthur de Azevedo. Logo, o parque gráfico também teria um novo sucessor, Santo Róttoli. E assim, já cinquentenária, A COMARCA se modernizou e continuou com a missão de informar os mogimirianos da melhor maneira possível, assim como fizeram Cardona, Piccolomini e os Pacini.

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