Novo diretor quer Etec envolvida com a comunidade

Há algo de novo na escola técnica (Etec) “Pedro Ferreira Alves”. E não é só o diretor. Há exatamente um mês, desde quando o professor André Luiz dos Santos, de 39 anos, assumiu o mais alto cargo administrativo da instituição, mudanças foram sentidas por professores, funcionários e alunos. E mudanças para melhor.

Nos últimos três anos, a Etec se fechou. A autoproclamada “gestão eficiente” do então diretor Felipe Duran Gonçales foi desastrosa. A escola cresceu sem organização, ex-alunos foram proibidos de entrar, as dívidas não pararam de aumentar e até as contribuições previdenciárias (GPS) dos funcionários deixaram de ser pagas em novembro.

Nunca a escola esteve tão distante da comunidade. Sufocada dentro de seus próprios muros, a Etec entrou em crise. A má fase refletiu no ensino. Em quatro anos, a escola perdeu 60 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2012, a Etec de Mogi Mirim tinha a 24ª melhor nota dentre as escolas estaduais do estado. Agora, a escola amarga a 98ª posição.

No auge da crise, Gonçales culpou a imprensa pelo caos que ele mesmo criou. No entanto, não foi capaz de terminar seu mandato. Pediu para sair um ano antes. Foi coordenar uma sala descentralizada da própria Etec em Holambra, conforme A COMARCA noticiou em primeira-mão.

Com a missão de substituir o velho diretor até o fim do atual mandato, André encontrou um corpo docente desunido e uma dívida de R$ 94 mil. Desse valor, aproximadamente R$ 69 mil são referentes à merenda e a cantina. Os outros R$ 25 mil são das contribuições previdenciárias atrasadas.

O valor real da dívida, também divulgada em primeira-mão por A COMARCA, assustou André. “Nós aqui dentro da escola não sabíamos dessa dívida”, admitiu o diretor, justificando que até então não havia transparência nas finanças da escola. “Eu pensava que a dívida era de R$ 50 mil”, lembrou.

Uma das primeiras ações do novo diretor foi fechar a torneira do desperdício. Até então, o caos financeiro predominava na escola. A cantina, por exemplo, chegava a comprar alimentos por um valor mais caro do que era revendido posteriormente. Prejuízo na certa. Desde que André assumiu o comando, a cantina passou a dar lucro.

O novo diretor da Etec, André Luiz dos Santos, abriu a escola para a comunidade (Foto: Flávio Magalhães/A COMARCA)

Os alunos também se organizaram. O Grêmio Estudantil está capitaneando a campanha para vender três mil pizzas, arrecadando assim mais de R$ 28 mil. Otimista, André disse que pode vender até mil pizzas a mais. Sabendo da crise enfrentada pela escola, diversos pais de alunos já se colocaram a disposição para ajudar.

O novo diretor acredita que a transparência com o qual a atual crise é tratada foi a responsável por trazer os pais de volta à Etec. “Eles (os pais) querem que os filhos estudem numa boa escola, então tenho certeza que vão nos ajudar”. Além disso, a escola está novamente aberta aos ex-alunos, que podem dar sua contribuição.

“A Etec acaba virando uma família”, disse André, que estudou por 14 anos na escola e trabalha lá há dez. Contrário ao ideal de diretor que fica trancado no próprio escritório, André, sempre anda pelos corredores e conversa com os alunos. Faz questão de dizer que estudou na Etec e que a escola é de todos. “Não é de uma pessoa só”, reforçou.

Com esse pensamento, André prepara para o próximo dia 24 uma nova edição do Café da Manhã com os Empresários, com o objetivo de trazer as indústrias para dentro da Etec. O evento não era realizado há quatro anos e, dessa vez, deve contar com o apoio da Faculdade de Tecnologia (Fatec) “Arthur de Azevedo”.

As parcerias com a Fatec, aliás, serão recorrentes. André garante que os próximos eventos de ambas as instituições serão integrados. Assim, toda a comunidade mogimiriana estará dentro da Etec, contribuindo para o desenvolvimento da escola. O próximo Fórum Estudantil, inclusive, contará com ampla participação popular.

O novo diretor acredita que a transparência contribuirá muito para que a Etec saia bem da atual crise. Tanto que já determinou que os balancetes da Associação de Pais e Mestres da escola sejam divulgados mensalmente no site. “Estou abrindo a escola”, resumiu. Questionado se essa atitude resolverá todos os problemas, o novo diretor responde: “Não é a solução, mas vai nos ajudar a encontrar a solução”.

Por Flávio Magalhães

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