O dia em que a terra tremeu

Na noite de 22 de abril de 2008, um terremoto de 5,2 graus na escala Richter abalou o estado de São Paulo. O tremor, sentido também nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ocorreu por volta das 21 horas. O epicentro foi registrado a cerca de 215 km de São Vicente, no litoral sul de São Paulo, a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade, segundo o US Geological Surbey, órgão do governo dos Estados Unidos que monitora desastres naturais.

Na capital paulista, o tremor balançou prédios e casas, alarmando os moradores. As linhas telefônicas do Corpo de Bombeiros ficaram congestionadas. Em alguns prédios, os moradores desceram para a rua temendo por um desabamento.

Não houve registro de vítimas. O abalo foi considerado moderado, incapaz de provocar grandes danos numa cidade como São Paulo. Ainda assim, houve casos de rachaduras em edifícios das zonas Leste e Oeste.

Fora da capital, moradores das cidades do ABC Paulista, Baixada Santista, Campinas e outras cidades do interior do estado afirmam ter sentido o terremoto. Os estados vizinhos também sentiram, mas com menos intensidade.

A terra tremeu também em Mogi Mirim, por alguns segundos, em alguns edifícios.  Os condomínios Samambaia e Lorenzetti, além do Mogi Mirim Palace Hotel, sentiram os efeitos do terremoto. Embora em grande parte da cidade os moradores não tenham percebido o abalo sísmico, quem sentiu o tremor não teve as melhores das sensações.

Na época, a reportagem de A COMARCA conversou com Marta Stefanelli, de 74 anos, e Helena Cristina Stefanelli, de 23. Mãe e filha se hospedaram no Mogi Mirim Palace Hotel em razão de uma dedetização no apartamento da família, no Edifício Ipanema. Enquanto assistiam à telenovela, em camas de solteiro separadas no mesmo quarto, elas tiveram sensações diferentes.

Enquanto a aposentada Marta, que tem um histórico de problemas cardiovasculares, começou a se sentir mal e a apresentar dores nos braços, Helena percebeu a cama se movimentar para a frente e para trás. Estranhando o movimento, Helena imaginou que a mãe estivesse balançando a cama, já que as cabeceiras são unidas.

Moradores do Samambaia sentiram tremor (Arquivo/A COMARCA)

O tremor durou cerca de cinco segundos, mas nesse meio tempo ambas observaram o frigobar do hotel balançando, fazendo tremer as garrafas. “Elas tilintavam, eu e minha filha vimos! Ficamos com medo. Pensei, será que estamos doidas”, declarou Marta, na época, ao repórter Diego Ortiz.

Minutos depois, no intervalo da novela, uma notícia na TV informava sobre o terremoto de 5,2 graus na capital paulista. Assustadas, mãe e filha se entreolharam. “Ficamos perplexas, ninguém imaginava que seria um terremoto”, relatou Helena. A notícia aliviou Marta, que cogitava ir ao Pronto Socorro por causa das dores nos braços.

Já no Edifício Ipanema, onde a família reside, os porteiros desconfiaram que os efeitos do terremoto foram sentidos em Mogi Mirim, uma vez que os vidros da portaria balançaram de uma forma “muito estranha”. Os moradores do edifício, porém, não relataram qualquer anormalidade.

No Condomínio Lorenzetti, a servidora pública Patrícia Prado estava assistindo televisão na sala, enquanto sua filha Mariana estava utilizando o computador no momento do terremoto. Ambas tiveram sensações estranhas. Mariana pensou que estava passando mal por alguns segundos, sabendo posteriormente do tremor de terra em São Paulo.

Já no Edifício Samambaia, moradores de alguns apartamentos sentiram os efeitos do terremoto. No sexto andar, uma professora de Educação Física que não quis se identificar afirmou que utilizava o computador quando sentiu a mesa tremer e se movimentar para os lados. Ela temeu pela situação, acreditando até que fosse algum fantasma.

Não foi a primeira vez que Mogi Mirim sentiu a terra tremer. O último grande terremoto no estado de São Paulo havia sido registrado em 1922, em Mogi Guaçu, atingindo 5,1 graus. Na época, os efeitos também foram sentidos em Mogi Mirim, mas sem registros de estragos.

Alguns moradores, entretanto, se assustaram com o abalo. Parte deles, acordados de madrugada, pediu socorro pelas ruas, conforme relato de A COMARCA na edição de 29 de janeiro de 1922.
De acordo com o Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília, o maior tremor de terra já registrado no Brasil ocorreu em 1955, no Mato Grosso, chegando a 6,6 graus na escala Richter.

Por Flávio Magalhães

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