Placas de aguapés de desprendem do Lago do Lavapés

Durante toda a semana foi fácil notar a presença de grande quantidade de aguapés na superfície do lago do Complexo Esportivo “José Geraldo Franco Ortiz”, no Lavapés.

As plantas se desprenderam de um local próximo a uma queda de água e o vento descolou os blocos da espécie para às margens do lago. Além dos aguapés, grande quantidade de sujeira também foi arrastada junto das plantas.

A planta aquática - Eichornia crassipes -, o aguapé, é o que poderíamos chamar de "vegetal-água": 95% da planta corresponde à água. Esta planta possui raízes longas - podem medir até um metro -, rizomas, estolões, pecíolos, folhas e inflorescências. A parte que fica fora d´água, podendo atingir uma altura que varia desde alguns centímetros até um metro.

O aguapé se apresenta suspenso, flutuando livremente, enroscado em obstáculos, preso ao solo em locais de água rasa e até enraizado em áreas consideradas secas. A planta possui uma grande quantidade de pecíolos cheios de cavidades de ar - isso explica o enorme poder de flutuar.

A reprodução dos aguapés ocorre por meio de sementes e por brotações laterais - novas plantas são produzidas por estolões e o seu crescimento lateral ocorre a partir do rizoma.

Aguapés se proliferam no lago do Complexo Esportivo Lavapés (Foto: Marcelo Gotti/A COMARCA)

O aguapé serve de abrigo natural a organismos de vários tamanhos e aspectos, servindo de habitat para uma fauna bastante rica, desde microrganismos, moluscos, insetos, peixes, anfíbios e répteis até aves.

Quando largado nas águas, sem uso, o aguapé chega a prejudicar a navegabilidade dos rios, causando até problemas em reservatórios de usinas hidrelétricas em razão de sua rápida proliferação.

Entretanto, quando bem aproveitada esta planta pode trazer benefícios incríveis. Uma das principais vantagens do aguapé é que ele é um filtro natural, uma vez que apresenta a capacidade de incorporar em seus tecidos uma grande quantidade de nutrientes.

Assim, se um lago ou um reservatório estiverem poluídos, coloca-se o aguapé: suas raízes longas e finas, com uma enorme quantidade de bactérias e fungos, atuam sobre as moléculas tóxicas, quebrando sua estrutura e permitindo que a planta assimile estes componentes tóxicos.

O único cuidado é vigiar de perto seu crescimento vigoroso para mantê-lo sempre sob controle. Não se aconselha, entretanto, a utilização e presença de aguapés em lagos extensos, em represas com possíveis remansos ou mesmo em tanques de dimensões maiores, pelas dificuldades de remoção e controle.

Por Marcelo Gotti

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