25 anos sem Santo Rottoli, ausência sentida até nos dias de hoje

Na edição de sábado passado um leitor postou mensagem no Plantão Eletrônico lamentando a ausência em nossos dias de Santo Rottoli, uma das mais expressivas figuras da história recente de Mogi Mirim. Pessoa com elevado poder de organização, proficiente, Santo Rottoli ficou eternamente marcado pela capacidade de aglutinação, virtude que o levou a exercer por dois anos (antes de morrer aos 59 anos de enfarte em 28 de abril de 1990) a função de vereador em nossa Câmara Municipal.

No “post”, o referido leitor lamenta a ausência de Santo por suas realizações na área desportiva do município. Santo sempre foi um desportista nato. Muito se ouve falar entre os saudosistas do futebol local do famoso esquadrão do início da década de 1970 do Mogi Mirim EC. Santo Rottoli era o dirigente do clube naquele período. Na segunda gestão do ex-prefeito Luiz Amoêdo Campos Netto (1983-1988), Santo foi diretor do Departamento de Esportes e Turismo (Deretur) equivalente hoje ao cargo de Secretário Municipal de Esportes. Com um dos menores orçamentos de toda a Prefeitura, conseguiu dinamizar o órgão, trazendo para junto de si pessoas competentes que o ajudaram a promover uma verdadeira revolução dentro do setor.

Sob sua batuta o carnaval de rua de Mogi Mirim atraia multidões. Literalmente aparou arestas resultantes do autêntico bairrismo que imperava entre clubes de futebol amador, plantando a semente do modelo bem sucedido de disputa do campeonato amador de hoje em dia. Também em sua época floresceram torneios de futebol de salão que se tornaram memoráveis. Dada esta sua capacidade de trabalho e de resolução de problemas, acabou acumulando a função de diretor do departamento de promoção social.

Santo, figura carismática e que deixou uma folha de serviço inestimável para a sociedade mogimiriana  

Antes da passagem pela Prefeitura, Santo Rottoli havia deixado um impressionante legado como presidente do Grêmio Mogimiriano. Quando assumiu o cargo, o clube se encontrava em situação delicada. Santo dinamizou a atividade social, atraiu novos sócios e fez da antiga sede na rua Chico Venâncio uma passarela de atrações monumentais à época, tais como Oswaldo Sargentelli e suas famosas Mulatas, Gilberto Gil, Simone, Morares Moreira, Chacrinha e suas  Chacretes, Gonzaguinha, Gal Costa, Jorge Ben Jor ,Cely Campelo, Tarcísio Meira e Glória Menezes, Ray Coniff, Kid Abelha, Angela Maria, Fábio Junior  e  muitos outros  expoentes do mundo artístico. Hoje, quando se fala em homofobia e preconceito racial como algo a ser combatido de forma dura, numa época em que este tipo de comportamento condenável era mais arraigado no tecido social do país, Santo Rottoli se mostrou um visionário, incrementando o baile da Pérola Negra e realizando o primeiro baile Gay da cidade, talvez um dos primeiros em todo o interior paulista.

Santo era originário de uma família numerosa de 11 irmãos, todos descendentes de italianos, como foi o caso de expressiva parcela dos mogimirianos do século passado. Eram seus pais Ângelo Rottoli (aquele que dá nome ao estádio do Tucurão) e Magdalena Zorzetto Rottoli. Trabalhou desde garoto. Era formado em contabilidade pela Escola Técnica de Comércio.  Foi funcionário do jornal A COMARCA por 35 anos, trazido pelas mãos de Francisco Piccolomini. Aprendeu de tudo um pouco e se aposentou como gerente. Exerceu ainda por 12 anos cargo de secretaria no antigo Ginásio Estadual Pedro Ferreira Alves (atual Etec). Foi casado por 34 anos com Nancy Sozza Rottoli, com a qual teve o filho Sandro Albino Rottoli .

Por Fernando Gasparini

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