Condutor do Samu reclama de condições de trabalho

Os Anjos do Asfalto da Baixa Mogiana estão em apuros. É o que declara o condutor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Ronieri Ernandes Gallo. O funcionário aponta várias irregularidades em relação às condições de trabalho, recebimento de benefícios e salários.

Gallo declara que se tornou rotina o atraso no pagamento dos funcionários do Samu. O pagamento vem através do Consórcio 8 de Abril, onde o prefeito Gustavo Stupp é presidente.

Além do atraso, existem também discordâncias nos valores depositados nas contas dos funcionários. “No holerite aparece um valor, mas na conta bancária aparece sempre menos. Sempre uma surpresa negativa. Neste mês, o pagamento era para sair no dia 8, mas recebemos apenas no dia 11”, informa o condutor.

O dissídio acertado no último mês de junho ficou abaixo do proposto pela correção do IPCA, que seria de 8,5%. Segundo Gallo, o Consórcio 8 de Abril alegou que teria condições de fornecer reajuste de apenas 6%. “Era para ter dissídio de 8,5%, mas tivemos que engolir apenas 6%. É um absurdo isso”, enfatiza o funcionário do Samu.

O valor do Vale Alimentação também é questionado pelo condutor Gallo. Atualmente, o valor é de R$ 170. Com este valor, não é possível realizar uma alimentação diária completa. “Dividindo o valor, dá R$ 13 por dia. Quase não dá para comprar uma marmitex”, reclama o condutor.

Segundo Gallo, atraso no pagamento se tornou rotina no consórcio de saúde (Foto: Marcelo Gotti/A COMARCA)

Além do valor baixo do Vale Alimentação, Gallo informa que não existe reembolso de viagens realizadas pelos funcionários do Samu. “Temos que buscar pacientes fora da cidade e não recebemos ajuda nenhuma para alimentação. Temos que comprar as coisas com dinheiro do bolso. Apenas levamos o dinheiro da gasolina”, reclama.

A situação chega a ser tão grave, que até mesmo os uniformes usados precisam ser adquiridos pelos funcionários do Samu. “Precisei comprar várias peças do meu uniforme com dinheiro meu. Não tenho uma bota até hoje. Uso uma que comprei”, enfatiza Gallo, apontando falhas até nos equipamentos de proteção necessários para os funcionários do Samu.

O cancelamento de férias desde o mês de junho também desagrada grande parte dos funcionários. A explicação do Consórcio é que existe uma defasagem de funcionários e a ação foi necessária para equilibrar o atendimento do Samu. “Eu tinha programado minhas férias e sete dias antes de gozar delas, fui aviso que elas tinham sido canceladas. Uma falta de respeito com o funcionário”, aponta.

Defasagem na porcentagem real de insalubridade, de periculosidade e viatura quebrada há mais de dois anos, completam a lista de reclamações do condutor do Samu. “É uma somatória de problemas e ocorrências. Quem perde com tudo isso não é apenas o funcionário, mas sim, a população”, encerra Gallo.

Por Marcelo Gotti

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top