Pão e remédio ficam mais caros por causa da alta do dólar

Dependentes de muita mercadoria importada e com estoque de giro rápido, produtos farmacêuticos e o pãozinho de cada dia não têm como adiar o repasse da alta do dólar e já estão pesando mais no bolso do consumidor.

Os alimentos à base de trigo, grupo que inclui também biscoitos e macarrão, já vêm tendo alta desde março, quando a moeda americana ultrapassou a barreira dos R$ 3, porque grande parte da farinha usada no Brasil é importada da Argentina e dos EUA.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimap), entidade que representa o setor, há um aumento médio de custos da ordem de 5% decorrente do câmbio.

Com isso, o pãozinho francês ficou 8,1% mais caro de janeiro a agosto, quando a inflação medida pelo IPCA foi de 7,06%.

Apenas o pão francês ficou 8,1% mais caro de janeiro a agosto, com a alta do dólar (Foto: Marcelo Gotti/A COMARCA)

Na última terça-feira, 22, o dólar fechou a R$ 4,054, a maior cotação desde a criação do Plano Real, em 1994, ultrapassando a barreira dos R$ 4. Desde o fim de dezembro, a divisa americana acumula alta de 52,3%. Em 12 meses, avança 69,3%.

Na indústria farmacêutica, que tem 95% das matérias-primas importadas, o efeito imediato será na redução dos descontos oferecidos pela indústria ao varejo. Os preços da maioria dos medicamentos são controlados pelo governo, que autoriza um aumento por ano. Preços de perfumes e maquiagem também devem subir.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) considerado a prévia da inflação oficial, fechou setembro em 0,39%, contra 0,43% em agosto. Em 12 meses, o IPCA-15 chega a 9,57%, o maior desde dezembro de 2003 (9,86%).

ELETROELETRÔNICOS
Já em outros segmentos, como o de eletroeletrônicos, os custos estão pressionados por causa do dólar, mas a recessão, os juros altos e o crédito escasso impedem o impacto imediato no bolso do consumidor.

A produção de televisores, por exemplo, usa 80% de componentes importados e de motos, 70%. Mas, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de produtos eletroeletrônicos (Eletros), no primeiro semestre, as vendas de fogões, refrigeradores e máquinas de lavar caíram 10%, as de micro-ondas, 16%, e de televisores, 37%.

Por Marcelo Gotti

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