Arrecadação de Mogi sobe 267% em 10 anos

As recentes discussões sobre a situação financeira de Mogi Mirim e a afirmação feita pela vereadora Maria Helena Scudeler de Barros (PSDB), de que a receita do Saae tinha crescido cerca de 230%, ou seja, mais de três vezes nos governos Carlos Nelson e Gustavo Stupp, contra uma inflação de cerca de 70% para o mesmo período, levou A COMARCA a pesquisar o que houve com as finanças municipais.

Os números são assustadores e indicam que a situação financeira do município deveria ser muito melhor, afinal nesses dez anos a população da cidade não teve crescimento significativo, cerca de 1% segundo o IBGE. Também não houve melhoria de serviços significativa a indicar que a despesa crescesse na mesma proporção.

Repasses de tributos e industrialização pesaram no aumento
A receita de Mogi Mirim aumentou 267%, passando de R$ 80,6 milhões em 2004 para R$ 295,5 milhões, quase quatro vezes mais.  Isso sem contar o Saae, que também registrou um aumento próximo a 300% por conta do grande incremento de tarifa na gestão Carlos Nelson, este sim se revertendo em obras e depois nos recursos para pagar ao tratamento de esgotos.

Dois fatores contribuíram para esse crescimento de receita. De um lado os repasses de tributos Estaduais e Federais, graças ao processo de industrialização que antecedeu 2004 e passou a gerar mais retorno a partir daquele ano, com Eaton, Regalli, Allevard, Forusi e outras  novas empresas. A receita destas transferências saltou de R$ 55 milhões para R$ 177 milhões.

Mas, percentualmente, a receita que mais cresceu foi a da arrecadação de tributos, especialmente em função das atualizações de IPTU a arrocho na cobrança de ISSQN nas administrações Carlos Nelson. O total desta receita passou de R$ 16, 2 milhões para R$ 66, 7 milhões. Foram mais de 310% para uma inflação de 70%.

Ao invés de isso significar melhoria na qualidade de vida da cidade, especialmente na Saúde e equipamentos para os cidadãos, o que se viu foi Mogi Mirim desembocar numa alegada crise econômica, que certamente é fruto da má gestão do dinheiro público, pois as despesas cresceram 306%.

Certa vez, disse o saudoso jornalista Joelmir Betitng que para ser bom administrador público o importante é administrar as despesas, pois não existe a preocupação de gerar receitas. Aqui foi pior. Aumentaram as receitas, mas estouraram as despesas.


Receita de Mogi ‘per capta’ é 35% maior que a do Guaçu


Mogi Guaçu já foi considerada a grande potência econômica da região, mas a vizinha cidade também atravessa problemas, e isso pode se medir no fato de que, mesmo com uma receita total cerca de 20% maior, Mogi Mirim tem uma renda ‘per capita’ é 35 % maior que o Guaçu.

Isso significa que a cidade vizinha tem menos dinheiro por habitante para oferecer os serviços essenciais, ou seja, menos reais por habitante em Saúde e Educação por exemplo.

Outra diferença entre as duas cidades é que lá a receita de transferências de tributos federais e estaduais tem peso maior e é quase o dobro da de Mogi, mas o Guaçu cobra 30% menos de impostos.

Apesar disso, o que se tem visto são alguns investimentos em infraestrutura, como, por exemplo, o asfaltamento da estrada interna e agora a pavimentação e sinalização de todo o centro do Guaçu. Enquanto isso Mogi Mirim está esburacada e com problemas na iluminação.

Por Ricardo P. de Azevedo

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