Moradores reclamam de emissão de fumaça da Sulamericana

Ventiladores ligados, janelas fechadas, panos úmidos e tosse constante. Essa tem sido a rotina do artista plástico Carlos Torriani, morador da Vila Santa Elisa, que procurou a reportagem de A COMARCA para reclamar da emissão de fumaça da empresa Sulamericana, localizada no bairro.

“Nas últimas duas semanas piorou muito”, relata Torriani, que descreve a fumaça lançada pela Sulamericana como “cinza e com cheiro de óleo queimado”. “E nesses dias estava cheirando a inseticida”, acrescenta. De acordo com o artista plástico, que mantém um estúdio de artes na casa onde mora, a fumaça é lançada praticamente 24 horas por dia.

Fumaça emitida pela Sulamericana incomoda moradores vizinhos (Foto: cedida por Carlos Torriani)

“Eu já tive aluno que parou o curso porque não aguentou a fumaça”, conta. Torriani diz ainda que alunos residentes na Vila São José e até próximos ao Clube Mogiano também sentem os efeitos da fumaça da Sulamericana. “E aqui a fumaça é lançada para cima da gente, concentrada”, reforça.

O médico de Torriani já deu o diagnóstico. A mudança de casa é o melhor tratamento para a rinite alérgica. Tanto que quando o artista plástico mudou-se para São Paulo, em 2011, a tosse parou e só retornou quando Torriani voltou a ser vizinho da Sulamericana.

A fumaça incomoda outros moradores da região. Lucila Garbossa, que reside no local há 20 anos, está de malas prontas para se mudar do bairro. Com dois filhos sofrendo de rinite, decidiu deixar sua casa. O morador Luiz Carlos Alves também pensa na possibilidade. “Tenho um bebê de dez meses que acorda no meio da noite por causa da fumaça”, diz.

Torriani também admite que deve trocar de endereço, já que não conseguiu nenhuma ação dos órgãos competentes, como a Prefeitura e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O próximo passo será uma ação no Ministério Público. “Já existe um abaixo assinado circulando pelo bairro”, destaca o artista plástico.

Enquanto isso, Torriani toma suas próprias providências contra a fumaça. Até um neutralizador de odores acaba usando em sua casa. “A gente agradece a Deus quando o vento vira”, desabafa. “Porque estou sentindo na pele e no pulmão”, afirma, entre uma tosse e outra.

A Sulamericana, em resposta ao jornal A COMARCA, admite que “houve pequenos problemas com a soltura de fumaça” durante essa semana, mas destaca que tudo já foi resolvido. “A fumaça preta é resultante da queima de lenha, não de óleo”, alega a empresa.

"É igual a uma padaria", se defende empresa (Foto: Carlos Torriani)
“A fumaça surge quando a caldeira é ligada e dura não mais do que 30 minutos ou 2 horas, no máximo. Aliás, isso é permitido pela própria Cetesb”, garante a Sulamericana. “O problema ocorre, às vezes, quando a lenha está muito verde, quando há condições atmosféricas adversas (vento, chuva, nuvens baixas, queda de temperatura) ou quando o lavador de gases está sobrecarregado de cinza, como foi o caso desta semana”, reforça a empresa.

Esse problema, porém, não ocorre diariamente, de acordo com a Sulamericana, que também nega o cheiro de óleo queimado. “Das três caldeiras, apenas duas estão em operação. As duas movidas à lenha, iguais as de pizzarias e padarias”, informa a empresa. Sobre a necessidade de uma chaminé alta, a Sulamericana diz que isso não é necessário “porque não soltamos poluentes perigosos na atmosfera”.

A empresa ainda ressalta que sempre respeita e segue todas as normas ambientais vigentes, assim como as orientações e exigências feitas pela Cetesb. “Outro ponto que merece destaque é que a nossa fábrica recicla mais de 100 toneladas de papel e papelão por dia, ou 36 mil toneladas/ano, evitando que esses materiais acabem em lixões ou nas ruas. E é essa reciclagem gigantesca que garante 250 empregos diretos e mais de 1,5 mil indiretos em toda a cadeia produtiva do papel e papelão”.

Por Flávio Magalhães

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