Sindicato dos servidores públicos notifica Bancred por dívida

O Sindicato dos Servidores Municipais de Mogi Mirim (Sinsep) anunciou vai notificar a Bancred Card em razão das dívidas da empresa com o comércio mogimiriano. Desde a última semana, supermercados, postos de gasolina e demais pontos comerciais já não estão mais aceitando o cartão Bancred.

A ação do Sinsep foi motivada por reclamações não só do comércio, mas também de servidores públicos municipais que não conseguiram realizar suas compras com o cartão Bancred, devido à recusa dos lojistas. A intenção do sindicato é oferecer aos servidores a opção de trocar o cartão Bancred por outro, que preste os mesmos serviços.

Supermercados rejeitam cartão (Flávio Magalhães/A COMARCA)
A crise da Bancred começou em Campinas, quando a Sanasa (empresa municipal de abastecimento de água) rescindiu contrato com a empresa no dia 20 de setembro por atrasos nos repasses, organizando nova licitação às pressas. Pelas regras da concorrência pública, quem assumiria o serviço na Prefeitura seria a segunda colocada no pregão.

Na semana passada foi a Prefeitura de Campinas que decidiu romper contrato com a Mixcred, empresa responsável pela Bancred, que administrava o vale-alimentação e refeição dos 18 mil servidores municipais daquele município. A empresa terá ainda que arcar com multa de R$ 691 mil e está impedida de participar de licitações públicas na cidade por dois anos.

Já a Prefeitura de Nova Odessa também divulgou o cancelamento do contrato com a empresa Mixcred, por motivos de “descumprimento contratual". Naquele município a companhia será multada em R$ 970 mil, além de também ficar suspensa de licitar com a administração por dois anos.

Com a falência do Banco Rural, em 2013, a Bancred teve aproximadamente R$ 12,5 milhões bloqueados de sua conta corrente. A empresa alega que esse valor era proveniente dos depósitos feitos pelas prefeituras, sendo mais de R$ 8,5 milhões somente de Campinas. Os recursos permanecem bloqueados até hoje.

“A consequência deste bloqueio começou a gerar atrasos pontuais em alguns estabelecimentos, uma vez que a Mixcred passou a operar com capital próprio para manter a rede autorizada em funcionamento, apta a viabilizar a compra de produtos através do cartão Bancred Card”, justificou o advogado da empresa, Germano Regueira, para A COMARCA.

O advogado ainda cita o rompimento de contrato por parte da Sanasa como um agravante. “A partir deste fato, a Mixcred passou a ser alvo de campanhas difamatórias, boatos e de disputa de mercado gerada por grandes empresas que atuam no setor”, ataca.

Regueira ainda acusou a Prefeitura de Campinas e a própria Sanasa de liberarem créditos de aproximadamente R$ 14 milhões sem efetuar os devidos depósitos. “Em razão de tais atrasos, a Prefeitura Municipal de Campinas e a Sanasa devem, juntas, o valor líquido não repassado à Mixcred, de R$ 14.089.855,33 ., tendo ambas sido alvo de notificações judiciais”, diz o advogado.

Esse processo na Justiça acabou resultando em mais uma derrota para a Bancred, uma vez que o juiz Wagner Roby Gidaro negou na última terça-feira, 20, o pedido liminar da empresa. Dessa forma, o município de Campinas não será obrigado a pagar a companhia, ao menos pela decisão em primeira instância.

A Mixcred, administradora da bandeira Bancred Card, é uma empresa que atua desde 2008 no ramo cartões de benefício de refeição e alimentação, está inscrita no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) do Governo Federal, e oferece seus serviços a órgãos de governos, associações e sindicatos.

Por Flávio Magalhães

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