Mogi paga caro para tratar só parte do esgoto

O tratamento de esgoto de Mogi Mirim foi apresentado como a grande obra da década, com canteiros de trabalho ocupando avenidas e inaugurado com grande pompa. Mas hoje já se percebe outra realidade, que o custo para cidadão mogimiriano é alto para tratar apenas parte dos resíduos de esgoto. Pior é que a cidade não ficou nem livre dos despejos a céu aberto em córregos e áreas urbanas.

O  sistema impressiona de fato, e mostra resultados positivos, retirando grande parte do esgoto lançado no rio Mogi Mirim, especialmente com a situação caótica que o cursos d´água apresentava , desde a ponte da estrada Interna Mogi Mirim/Mogi Guaçu, ao lado de Tenneco/Monroe até desaguar no rio Guaçu. Isso representou um grande ganho de qualidade de vida para a zona Norte da cidade

Outra melhoria palpável foi  a despoluição do lago do Lavapés  e toda a bacia daquele córrego, desde o Maria Beatriz até na Vila São José, onde a rede  interliga com o emissário mestre.

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) também tem nível elevado e consegue devolver ao Rio Mogi Guaçu água totalmente despoluída.

Tudo isso seria maravilhoso não fossem falhas gritantes no planejamento, algumas até de fácil solução se houvesse vontade política, mas outras certamente na dependência de obras  que por sua natureza deveria ter sido privilegiadas.

Caro, sistema de tratamento de esgoto não resolveu pontos críticos da cidade (Foto: Flávio Magalhães/A COMARCA)

Por exemplo, como pode ter sido deixado a vale do ribeirão Santo Antonio sem um emissário, fazendo com que o esgoto corra pelo leito canalizado. Despejado de zonas residenciais e loteamentos situados ao longo de suas margens, o esgoto produz mau cheiro na região central.

Isso sem falar na falar de emissário do rio Mogi Mirim,  que terá como missão coletar os esgotos no extremo da zona Leste, região do Parque Laranjeiras e outros bairros vizinhos, que é despejado in natura do rio. Além disso, muitos dejetos da região do Mirante também são jogados diretamente no rio Mogi.
Também na região da divisa com Mogi Guaçu, já foram denunciados grande despejos a céu aberto, na região do Mirim - Guaçu e mesmo de loteamentos de Alto Padrão.

Ribeirão S. Antônio sofre poluição (Marcelo Gotti/A COMARCA)
Estas obras teriam que ter sido privilegiadas, com ligação de redes existentes ao emissário mestre. Mesmo que fosse para levar estes esgotos até próximo da estação e não tratar todo ele, pois a capacidade atual, apesar de ter sido adiantada a segunda etapa, ainda é de 60% do volume. Absurdo é tratar parte do esgoto, e deixar a área urbana com despejos a céu aberto.

O tratamento de Esgotos de Mogi Mirim custa caro para a população, cerca de R$ 12 milhões ano, ou seja até agora já custos cerca de R$ 36 milhões, fora as obras que ficaram a cargo do Saae. E por causa de sua implantação e destes custos, na gestação Carlos Nelson a tarifa de água e esgotos foi muito aumentada, certamente quase dobrou.

Mas havia o sentimento de que se estava pagando por uma obra completa, que tivesse tirado da zona urbana todo o esgoto despejado irregularmente. Além disso, havia o sentimento de que o custo se justificava pelo lado ambiental, pois a cidade assumia este ônus para devolver o rio Guaçu a água de boa qualidade.

Na verdade tirando os benefícios de que uma rede eficiente de coleta traz para a cidade, que seria completa se todo o esgoto tivesse já canalizado. O tratamento de esgoto em si é um benefício que o cidadão de Mogi Mirim paga para a comunidade do estado em geral, pois ele mesmo pouco se beneficia disso. O certo seria mesmo este custo/beneficio ser bancado por um fundo estadual, quem sabe até o município recebendo por tratar seus efluentes. Seria justo, pois os municípios que não tratam não sofrem qualquer sanção.

Mas a realidade esta longe deste sonho. Hoje o cidadão de Mogi Mirim paga caro pelo Sistema de Tratamento de Esgoto, convive com poluição em dois cursos d’água que cortaram a zona urbana e com despejos a céu aberto em áreas urbanizadas. E ainda joga parte do esgoto sem tratar no meio ambiente.

Por Ricardo P. de Azevedo

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