Em crise, PT suspende vereador Luiz Guarnieri por 60 dias

Mais uma crise interna do Partido dos Trabalhadores de Mogi Mirim veio a tona nas últimas semanas. Um comunicado oficial do diretório petista confirmou recentemente que o vereador Luiz Guarnieri foi suspenso por 60 dias pela legenda. Nesse período, o vereador não poderá se pronunciar como líder da bancada do PT na Câmara Municipal.

A suspensão é baseada em duas representações protocoladas por um filiado petista que acusa Guarnieri de articular com o PSB e outros setores o apoio a uma candidatura do PSDB às eleições de outubro, “por livre e espontânea vontade”. Um agravante seria o fato de essas articulações passarem pelo deputado tucano Barros Munhoz.

“A história das eleições de 2008 e 2012 não pode ser repetida em 2016”, argumentou o presidente do PT de Mogi Mirim, Oberdan Quaglio. “Em 2012 o pré-candidato do PV foi desqualificado e desconstruído por meios parecidos com os fatos que estão ocorrendo atualmente”, explicou.

Em entrevista ao jornal A COMARCA, Guarnieri afirmou que ficou “muito chateado” com a atitude do partido. “Primeiramente devido a amizade com Ernani [Gragnanello, dirigente do PT] e com Lázaro [da Silva, autor das denúncias], que não levaram isso em consideração e agiram com vaidade, pensando somente em si mesmos em detrimento de nossa cidade”,  desabafou o vereador. “Pensaram de forma muito pequena”, resumiu.

Diante dessa situação, Guarnieri acredita que sua permanência no PT é insustentável. “Estudo, evidentemente, para o mês de março, convites de outros partidos, onde tenho amigos e que pensam com uma mente mais aberta, visando o melhor para nossa cidade”, revelou.

Vereador se disse chateado com Ernani e outras lideranças petistas: "Pensaram de forma pequena" (Arquivo/A COMARCA)

ENTENDA

Entre outubro e novembro do ano passado, lideranças do PSB organizaram reuniões com vereadores do PSDB. Luiz Guarnieri, do PT, também participou desses encontros. A essa altura, a direção do PSB já havia declarado que abriria mão de uma candidatura ao Executivo e o ex-prefeito Paulo Silva já havia afirmado para A COMARCA que o partido poderia apoiar os tucanos Osvaldo Quaglio e Maria Helena Scudeler para o Governo Municipal.

Uma aliança entre PSB e PSDB seria natural, uma vez que ambas as siglas são parceiras no Governo do Estado de São Paulo (com Alckmin como governador e Mário França como vice) e já se entenderam muito bem em Mogi Mirim durante o governo do socialista Paulo Silva, quando Maria Helena desempenhou papel fundamental na articulação com o Palácio dos Bandeirantes.

O PT, rival histórico do PSDB e que, a nível municipal, rompeu com o PSB na gestão Paulo Silva, tem outra visão. Em nota oficial, a direção do partido classificou como “equivocada” a postura do PSB e afirmou que a aproximação com os tucanos é um “erro político”. O presidente petista Oberdan Quaglio ressaltou que “articular o campo progressista para os braços do PSDB é um absurdo e transfere um eventual governo para a coordenação política do deputado Barros Munhoz, uma liderança que controla parte dos partidos da região há mais de 30 anos”.

Mais que isso, o diretório petista garantiu que lideranças socialistas confidenciaram ao PT que o PSB mogimiriano pode sofrer uma intervenção superior caso não apoie o PSDB nas eleições. A reportagem de A COMARCA procurou o ex-vice-prefeito Massao Hito, atual presidente do PSB, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Também foi muito mal vista dentro do Partido dos Trabalhadores a participação de Luiz Guarnieri nesses encontros. “A cooptação do nosso vereador é uma estratégia que não fortalece a democracia partidária”, atacou o PT. “É com tristeza que encaminhamos a presente decisão [suspensão por 60 dias] e desejamos a todas as pessoas do bem e que estão caminhando nessa direção que revejam as suas posições e não vejam como única saída à submissão a políticas tradicionais”, concluiu o presidente Oberdan Quaglio.

Para A COMARCA, Guarnieri afirmou que encarou com naturalidade as reuniões com PSB e PSDB. “Esses partidos, assim como o PT, que representei até o momento, mais o PSD, compõem a oposição na Câmara Municipal desde o início desse governo, portanto, se queremos algo de melhor para nossa cidade não temos outro caminho a não ser articularmos com esses partidos”, explicou.

“Podemos até não gostar desse ou daquele político, refiro-me aqui ao deputado Barros Munhoz pelo seu sistema de trabalho e de fazer política, mas não podemos ignorar sua força política junto ao eleitorado e também com o Governo do Estado”, ponderou o vereador. “Se vamos fazer parte da chapa junto com esse ou aquele partido, isso o tempo vai dizer, mesmo porque, o correto é consultar o partido como um todo e não como fez o senhor Ernani ao lançar-se candidato a prefeito”, concluiu.

Por Flávio Magalhães

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