Delegado mogimiriano morto em Itapira terá exposição

A Secretaria de Cultura e Turismo de Itapira, através do Museu Municipal Histórico e Pedagógico “Comendador Virgolino de Oliveira” abre nesta quinta-feira, 18, a exposição "O Crime da Penha - O assassinato que transformou uma cidade e assombrou gerações".

A mostra aborda os acontecimentos na então cidade de Penha do Rio do Peixe, atual Itapira, no sábado, 11 de fevereiro de 1888, quando o delegado natural de Mogi Mirim, Joaquim Firmino de Araújo Cunha, foi brutalmente assassinado em sua residência, na cidade de Itapira, na frente de sua esposa e filha.

Delegado abolicionista foi morto na frente da família
Joaquim Firmino foi executado sob o pretexto de ser um abolicionista e, portanto, de negar-se a buscar e prender escravos fugidos, além de esconder negros foragidos em sua casa. O crime marcou tanto os moradores da Penha do Rio do Peixe e seus envolvidos que em 1890 (dois anos após o assassinato), a Câmara Municipal iniciou o processo de pedido de mudança do nome da cidade para Itapira, na tentativa de 'apagar' a mancha dos acontecimentos.

Devido à imensa repercussão do crime, os acusados foram prontamente identificados e o julgamento aconteceu apenas alguns meses depois do crime. A lista dos réus contava com cerca de 40 nomes, entre eles, diversos fazendeiros da então Penha do Rio do Peixe. O principal acusado, entretanto, foi o médico e fazendeiro americano James Warne (ex-combatente do Exército Confederado durante a Guerra Civil Americana). Hoje, documentos comprovam que o delegado possuía escravos não libertos como sua propriedade.

Na exposição, os visitantes poderão conhecer trechos do processo, incluindo depoimentos fundamentais, como os da esposa e filha da vítima, assim como o auto de corpo de delito. Uma cópia do processo estará exposta, ao lado de documentos originais de compra e venda de escravos e atas referentes à mudança do nome da cidade, além de matérias de jornais da época.

Os famosos retratos feitos pelo desenhista italiano Ângelo Agostini, para a histórica Revista Ilustrada, além de fotografias daquele período, também estarão na exposição. O Museu Municipal Histórico e Pedagógico “Comendador Virgolino de Oliveira” fica no interior do Parque Juca Mulato, região central de Itapira. A exposição fica aberta até o dia 13 de maio, data da abolição da escravatura no Brasil e encerramento da Festa de Maio em Itapira, em louvor a São Benedito, a maior e mais antiga festa negra do País.

Da Redação

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