EDITORIAL: Estelionato eleitoral

A cada ano eleitoral, a história se repete. Os detentores de mandatos, seja no Executivo ou no Legislativo, querem mostrar serviço. Abraçam o povo e suas causas. Esforçam-se para promover obras em áreas carentes. Magicamente aparecem como salvadores da pátria e defensores dos menos afortunados.

Em Mogi Mirim não é diferente. Um exemplo clássico é o que ocorre no Parque das Laranjeiras. Com aproximadamente 800 mil metros quadrados de terra em situação irregular e milhares de moradores formando uma massa marginalizada e carente de serviços básicos, o bairro é visto como um verdadeiro banquete para oportunistas de plantão. Basta perguntar para qualquer um residente no local sobre as eleições municipais de 2012. Durante a campanha, sobraram promessas, churrascos, abraços, favores, agrados, sorrisos e boa vontade. Depois dos votos computados na urna, restou apenas descaso e indiferença.

No Laranjeiras falta tudo. Asfalto, rede de esgoto, iluminação pública. Não falta quem se aproveite disso. Há três décadas o local é alvo de promessas que não são cumpridas. E 2016 já dá sinais de que não será diferente. Os tímidos metros de massa asfáltica que se espalham por algumas ruas são acompanhados de perto por vereadores que nunca pareceram se importar tanto com o bairro da zona Leste, mas que mostraram inédita disposição e vontade política para solucionar a questão. E aqui é importante dar nome aos bois. Estamos falando de Laércio Pires (PPS) e Dito da Farmácia (PV).

Se o Laranjeiras sempre foi prioridade para eles (Dito, inclusive, obteve boa parcela de sua votação lá), por que somente agora, depois de três anos e coincidentemente em época eleitoral, houve empenho para cobrar o Poder Executivo sobre o andamento das obras? Por qual razão esses edis e toda a bancada de apoio ao Governo Municipal na Câmara (também conhecida como "bancada do amém") manteve-se em silêncio sepulcral quando a pavimentação prometida ficou apenas no cascalho? Como não pensar que os vereadores agora agem em conluio, por debaixo dos panos, com o prefeito Gustavo Stupp (PDT) para saírem na foto como autoproclamados pais das benfeitorias, com o objetivo único de arrecadar votos para outubro próximo?

Já não deve ser surpresa, nem para os próprios moradores, que o Parque das Laranjeiras voltará descaradamente a ser palanque eleitoral. Entretanto, o fato de ser comum não ameniza o jogo baixo. Aproveitar-se de uma população carente e de um bairro esquecido pelo Poder Público é execrável, pérfido e repugnante. Por isso é fundamental que cada cidadão (e isso vale para a cidade toda) esteja atento às movimentações do tabuleiro no jogo eleitoral. Cada jogada é calculada para proveito próprio da péssima classe política que governa Mogi Mirim atualmente. As reuniões a portas fechadas, a blindagem ao secretário de Obras Wilson Rogério da Silva, o ataque ao vereador Luís Roberto Tavares (SD), a retomada da pavimentação no Parque das Laranjeiras. Nada é por acaso.

Bons tempos aqueles em que o administrador público promovia obras para o bem-estar da população durante todo o seu mandato, e não apenas em época eleitoral. Bons tempos aqueles em que vereadores não se engalfinhavam por mera vaidade. Bons tempos aqueles em que Executivo e Legislativo não se sujeitavam a praticar um jogo tão sujo em nome do Poder. Seria demais almejar para 2017 que nossos políticos sejam legítimos representantes do povo? Resta esperar outubro e torcer para que os eleitores não caiam em mais um estelionato eleitoral.



1 comentários:

  1. o circular nao vai mais ser mais de domingo e feriado 1 real este ano vai ter elei;sao pra prefeito

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