EDITORIAL: Lição de cidadania

Mais uma vez, os estudantes da escola técnica (Etec) “Pedro Ferreira Alves” estiveram na vanguarda das reivindicações por melhorias na Educação. O obstáculo atual que motivou a mobilização é a falta de merenda nas instituições de ensino da rede pública estadual. Para uma cidade como Mogi Mirim, pouco acostumada com os protestos de rua, o movimento dos estudantes na manhã de ontem, 19, foi uma verdadeira lição de cidadania.

O sucesso dessa primeira mobilização se deu por alguns motivos. Em primeiro lugar, união. Dos 760 alunos que frequentam a Etec no período diurno, ao menos sete centenas foram para a rua. Nada mais lógico. Se a falta de merenda escolar afeta a todos, sem distinção, espera-se que a esmagadora maioria reivindique seus direitos. Essa lição, por exemplo, os mogimirianos ainda não aprenderam. Diante de tantas atrocidades cometidas pelo governo, poucos se atrevem a ir para as ruas. Isso quando decidem ir.

Em segundo lugar, organização. Mesmo com 700 adolescentes nas ruas, não houve sequer um incidente ou mesmo princípio de quebra-quebra. Diante do Palácio de Cristal, a sede administrativa da Câmara Municipal, os estudantes se posicionaram na Praça Rui Barbosa e o Grêmio Estudantil exigiu uma audiência com representantes dos poderes Executivo e Legislativo. Conseguiram. Conversaram de igual para igual com o secretário de Governo Jonas Alves Araújo Filho e com o presidente João Carteiro. Mais tarde, no mesmo dia, reuniram-se com o prefeito Gustavo Stupp.

Em terceiro lugar, foco. Nas conversas com representantes do Governo Municipal, os membros do Grêmio Estudantil tinham um objetivo claro. Cobrar uma ajuda emergencial da Prefeitura e pedir apoio para pressionar a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para uma solução definitiva. Nesse ponto, os estudantes precisam se manter extremamente firmes, pois não falte quem deseje utilizá-los como massa de manobra, seja vereador, político ou até mesmo um ou outro professor da própria Etec com ligações íntimas com a gestão do governador Geraldo Alckmin.

E a batalha vai continuar. Na sessão de segunda-feira, 22, a expectativa é de que os pais dos estudantes compareçam em peso nas galerias da Câmara Municipal para ouvir os envolvidos nesse caso. É a hora certa de cobrar uma posição da secretária municipal de Educação, Márcia Róttoli, e da dirigente regional de ensino, Elin de Freitas Monte Claro Vasconcellos. A participação da população será fundamental na causa dos estudantes.

Dessa vez, os papeis se inverteram. Foram os alunos que deram aula. Estão ensinando ao povo mogimiriano que Democracia se faz na rua, e não atrás de uma tela de computador. Esbravejar em redes sociais e fácil, é cômodo e não resolve absolutamente nada. Agora é aguardar e ver se Mogi Mirim aprende a lição e esquece a passividade.

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