Estudantes protestam e exigem merenda

Cerca de 700 alunos da escola técnica (Etec) “Pedro Ferreira Alves” foram às ruas na manhã de ontem, 19, reivindicar a volta do fornecimento de merenda escolar nas instituições de ensino da rede pública estadual. A mobilização percorreu as principais ruas do Centro de Mogi Mirim, incluindo a sede da Diretoria Regional de Ensino, o Paço Municipal e o Palácio de Cristal, sede administrativa do Poder Legislativo.

A motivação do protesto foi a suspensão do convênio entre Prefeitura e Governo do Estado de São Paulo, que resultou no corte da merenda escolar nos estabelecimentos de ensino da rede estadual, conforme A COMARCA noticiou no último sábado, 13. Desde segunda-feira, 15, os alunos estão recebendo como refeição apenas um bolinho tabajara e um suco de caixinha, inclusive para as instituições de período integral, como “Monsenhor Nora”, “Oscar Rodrigues Alves” e a própria Etec.

Representes do Grêmio Estudantil da “Pedro Ferreira Alves” se reuniram com o presidente da Câmara, João Carteiro (PMDB), o secretário de Governo, Jonas Alves de Araújo Filho, e, posteriormente, com o prefeito Gustavo Stupp (PDT). “Esse movimento só foi realizado porque a gente percebeu que só na conversa não vamos resolver nada”, disse a aluna Giovana Zinetti.


A intenção do Grêmio é que a Prefeitura ajude os estudantes a pressionar o Governo de Geraldo Alckmin (PSDB) por uma solução definitiva. Além disso, os alunos cobram da Prefeitura uma ajuda emergencial, que consistiria no empréstimo de uma merendeira do município para a Etec, até que uma contratação definitiva fosse realizada.

Isso porque a situação da escola técnica é peculiar. Como é controlada pelo Centro Paula Souza, uma autaquia estadual, a Etec não está subordinada à Secretaria de Educação, mas sim à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Por isso, um convênio com o município acaba sendo mais complicado, segundo o secretário Jonas Filho.

Além disso, a Etec continua recebendo normalmente os alimentos, só não tem quem os prepare. Pais de alunos já se ofereceram como voluntários, mas isso não é permitido pela legislação, pois eles estariam assumindo uma função pública e seriam responsabilizados por qualquer eventual problema com os alunos. Assim, enquanto não há um acordo, os alimentos continuam sendo estocados.

A preocupação, tanto do Grêmio Estudantil quanto da direção, é com os alunos que permanecem em tempo integral na instituição. A escola liberou geladeira e um aparelho micro-ondas para quem pode trazer marmita e está oferecendo um combo de lanche e salgado na cantina por R$ 4. No entanto, há alunos que não têm condições de arcar com a própria alimentação, dependendo do que é servido no estabelecimento de ensino.
Diante da situação, a direção da escola emitiu um comunicado. Informou que a merenda escolar fornecida será custeada com recursos oriundos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), e não da Prefeitura, como estava sendo negociado no ano passado.

Tais recursos são repassados à Diretoria de Ensino local que, por sua vez, é a responsável pela licitação do pessoal que irá preparar a merenda, procedimento esse que já está em andamento, mas não tem previsão para ser concluído.

A Etec tomou conhecimento do cancelamento da parceria antes mantida com o governo municipal para fornecimento da merenda escolar apenas no dia 08 de janeiro. Segundo a secretária de Educação Márcia Róttoli informou para A COMARCA, desde abril de 2015 a Etec foi avisada sobre esse cancelamento. André Santos, diretor da escola técnica, nega essa informação, dizendo, inclusive, que Márcia participou das negociações com a Etec até dezembro passado.

A COMARCA questionou a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, mas a gestão Alckmin não deu satisfações sobre o assunto. A Prefeitura também já tentou uma reunião com o secretário de Educação, José Renato Nalini, mas ele se negou a atender o município.

Da Redação

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top