Quanto custa a morte?

“Oh, morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e o homem, vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar”. Os versos do cantor e compositor Raul Seixas tratam de um tema ainda hoje considerado tabu para muitas pessoas. Quase ninguém quer saber da morte até o dia em que inevitavelmente é preciso encará-la.

Há aqueles, porém, que encontram na morte uma fonte de sustento e renda. É o caso das funerárias, que prestam assistência aos familiares na hora mais difícil. Em Mogi Mirim, elas são responsáveis desde o translado do corpo do local da morte (via de regra, nos hospitais e residências), arrumação e velório.

O ato final é o sepultamento. “Meu serviço morre ali”, explica, sem medo de trocadilhos, Antônio Augusto de Campos, da Funerária São Luiz. O funeral, evidentemente, tem seu preço. Segundo as funerárias ouvidas por A COMARCA, o valor pode ficar entre R$ 900 e R$ 20 mil. Depende do caixão (ou urnas, como também são chamadas). Coroas de flores e placas não estão inclusas.

“É um serviço que requer carinho com o cliente, requer atenção”, diz José Carlos Santos Gonçalves, da Funerária Mogiana. “A gente, que está com a cabeça no lugar, sabe o que é melhor nessa hora”, complementa Antônio, da São Luiz. Caixões existem para todos os gostos, desde os mais simples aos mais luxuosos, que são reforçados.

“Muita gente prefere ver pelo mostruário, porque tem algum trauma de ver de perto”, afirma Antonio, revelando que a morte ainda é cercada de tabu. “Tem gente que passa aqui e faz o sinal da cruz ou cobre o rosto, e gente jovem”, conta José Antõnio de Oliveira André, da centenária Funerária Portioli.

E os gastos não terminam no velório. Para sepultar alguém no Cemitério Municipal de Mogi Mirim é necessário pagar uma taxa de R$ 45. Esse valor garante apenas o sepultamento e, após quatro anos, se não houver interesse em comprar a cova, os restos mortais são retirados e transferidos para o ossuário, como explicou para A COMARCA a coordenadora Vivian Gasparini.

Caso a família tenha interesse, o valor definitivo do terreno é de R$ 655. Nesse caso, é apenas aberta uma cova no chão. Caso os familiares desejem a chamada carneira, feita de alvenaria e disponível para o sepultamento de duas pessoas, o valor fica em mais de R$ 1,4 mil.


PREOCUPAÇÃO
O que vem tirando o sono dos agentes funerários locais é o processo de privatização do setor, proposto pelo prefeito Gustavo Stupp (PDT) e aprovado pela Câmara Municipal. “Vamos ter que fechar as portas, pegar nossas trouxas e ir embora?”, questiona José Carlos, da Mogiana, afirmando que paga todos os devidos impostos municipais.

A licitação para conceder o serviço funerário à iniciativa privada ainda não deu sinais de que vai sair do forno. Mesmo assim, preocupa as tradicionais empresas do ramo na cidade. “Se vier um pessoal de fora, vai gerar problema”, alerta Antonio, da São Luiz, em referência aos planos já vendidos na cidade.

Da Redação

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