Um país falido

A atual crise ética e política que o país atravessa, a maior desde o impeachment de Fernando Collor, deixa os brasileiros atônicos e indignados. A instabilidade deve durar mais algum tempo, com chances de se agravar nos próximos dias. Mas nesse primeiro momento, já é possível concluir que os fatos que se sucederam nas últimas semanas desmascaram todas as instituições brasileiras, que se mostraram completamente falidas.

Em primeiro lugar, o Executivo. Mesmo não diretamente envolvida em nenhum escândalo de corrupção, a presidente Dilma Rousseff (PT) faz uma péssima gestão, muito aquém de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. As provas estão nos números pífios da Economia. Sem habilidade política, Dilma não conseguiu evitar que a crise econômica refletisse politicamente em seu mandato.

Soma-se a isso uma oposição fraca e oportunista, que teve como melhor argumento não aceitar a derrota que sofreu nas eleições de 2014. Com a ebulição da crise política e o avanço da Operação Lava-Jato, o senador mineiro Aécio Neves, uma das lideranças do movimento anti-Dilma, revelou-se tão indefensável quanto a presidente. No entanto, por um motivo pior. Seu nome foi envolvido cinco vezes em esquemas de corrupção.

No Legislativo, a situação não é melhor. Para ficar em apenas um exemplo, basta analisar a comissão de impeachment composta no Congresso. Oito dos 65 deputados federais que foram escolhidos para formar julgar a presidente Dilma Rousseff são réus no Supremo Tribunal Federal (STF). Há desde gente acusada de crimes eleitorais até dois deputados acusados de crimes contra o sistema financeiro. Um deles, Paulo Maluf (PP), está na lista de procurados da Interpol e não pode sair do país.

Com dois poderes corrompidos, espera-se que o Judiciário seja exemplar ao julgar as irregularidades cometidas. O juiz Sérgio Moro, porém, em um ato controverso, não só grampeia uma conversa envolvendo diretamente a presidente Dilma, que é chefe de Estado, como divulga para a imprensa. Moro teve um único objetivo: jogar com a já inflamada opinião pública e contribuir para o espetáculo midiático. Na atual conjuntura, na qual o radicalismo ganha força, foi uma atitude completamente irresponsável.

E as barbaridades dos juízes de primeira instância não param por aí. Itagiba Catta Preta Neto, o magistrado que sustou a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil, não tinha vergonha nenhuma de ostentar nas redes sociais diversas mensagens anti-PT, não se preocupando minimamente com a imparcialidade. Ou seja, nossa Justiça está moralmente falida.

O momento é preocupante. Há quem considere todos esses desvios morais justificáveis apenas para enxotar o PT do poder. Não é assim que funciona. Nesse momento, é fundamental ter lucidez. A lei deve ser cumprida com rigor e por todos, sem exceções. É inadmissível cometer novos erros apenas para combater erros antigos.



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