Polícia já tem pistas que podem levar até o “Maníaco de Martim”

Um assunto anda entalado na garganta da maioria dos moradores do Distrito de Martim Francisco; o morticínio de cães que vem abalando a tranquilidade de muitas famílias desde o final do ano passado. O aparecimento de pelo menos 12 cachorros mortos por envenenamento ao longo dos últimos 30 dias criou um clima de medo na comunidade.

O assunto se tornou viral nas redes sociais, com as pessoas de toda a cidade expressando indignação diante do ocorrido. Edna Teresinha Garcia, presidente da Organização Não Governamental (ONG) Associação Vida, que atua em favor do bem estar dos animais de estimação, disse que se sentiu indignada quando soube do ocorrido em Martim Francisco. “É algo que causa repulsa”, afirmou. “Seguramente deve se tratar de uma pessoa que merece tratamento psiquiátrico. Torço para que seja apanhado logo”, protestou.

O assunto chegou até a Câmara de vereadores, ao Ministério Público e à Polícia Civil. O vereador Manoel Palomino revela ter conhecimento de que as investigações estão em processo adiantado e que a polícia pretende dentro de pouco tempo chegar ao maníaco. “Já existem pistas que podem levar ao agressor”, disse.


Palomino disse que encaminhou o caso para a Promotora da Vara do Meio Ambiente, Paula Magalhães Renó, a qual, conforme destacou, “ficou indignada” com os relatos de selvageria praticado contra os animais. “Ela ( Paula Renó) determinou a abertura de um inquérito policial que já cuida de elucidar o caso”, disse o vereador.

Outro vereador, Roberto Tavares, o Robertinho, também tem dedicado energia para a resolução do assunto. Ele conta que a cada novo caso anunciado, teve o trabalho de se dirigir até o local e gravar imagens que possam servir de provas. Ele comenta que sentiu na comunidade um sentimento de repulsa e medo. “A preocupação, principalmente de quem possui criança pequena é de que uma delas leve à boca um pedaço de alimento envenenado”, alertou. Robertinho contou ainda que na Escola Aristides Gurjão, alunos fizeram cartazes condenando a matança e colocando telefone para denúncia anônima.

Tanto Robertinho quanto Palomino ressaltaram que o clima de intranquilidade aliado ao sentimento de justiça acaba criando um precedente perigoso. “É preciso que as pessoas tenham muita responsabilidade e não queiram fazer justiça com as próprias mãos”, advertiu Palomino. Robertinho reforça esta preocupação acrescentando que “o país vive um momento de grande intolerância” e que o agressor possa estar correndo risco à sua integridade física caso seja descoberto antes das apurações da polícia. “É uma situação que nos preocupa”, reiterou.

HISTÓRICO
Embora o assunto tenha se viralizado nos últimos dias, inclusive sendo objeto de reportagem de emissoras de TV em âmbito regional, depoimentos demonstram que o maníaco vem agindo desde o final do ano passado. Willian Eduardo de Lima, 26, contou que em novembro do ano passado dois de três cachorros que possuía foram envenenados. Segundo seu relato, era duas cadelas vira-lata e um filhote de labrador. Este último, chamado Thor e uma das cachorras apareceram com sintomas de envenenamento. “Consegui fazer com que vomitassem e os levei ao veterinário. Conseguimos salvar a vida deles”.

Em abril, no entanto, o agressor voltou a jogar na porta da casa de Lima pedaços de carne com o que identificou como sendo “chumbinho” nome popular de um veneno para ratos. Desta feita uma das cachorras não resistiu. Ele confirma que os ataques acabaram gerando muita intranquilidade entre moradores. “Não se fala em outro assunto”, garantiu. Disse que ainda existem locais onde os cachorros foram atirados depois de mortos que causam mau cheiro.

Outra informação que circula entre os moradores diz respeito a uma suposta ação do agressor para jogar os cachorros na linha férrea que corta o distrito, com a finalidade de mutilar as carcaças. “Falam em pelo menos 12 cachorros que tiveram as patas e a cabeça degoladas na linha do trem”, afirmou o dono de um estabelecimento comercial que preferiu ter a identidade preservada. Este morador corrobora com aquilo que os vereadores Palomino e Robertinho advertem a respeito da reação dos donos dos animais quando o agressor for apanhado. “Não queria estar na pele desta pessoa. Tem muita gente jurando que vai lhe dar uma lição”, revelou.

O vereador Robertinho, que compareceu, conforme comentou, pelo menos seis vezes no local dos ataques, diz que existe um pouco “de mito” na história da linha do trem. “Eu mesmo cheguei a fotografar um destes cães na linha do trem. Tenho relatos seguros de que pelo menos quatro animais foram jogados no local. Mas é preciso examinar a questão com mais cuidado para verificar se realmente existe uma relação entre a morte dos cães e uma suposta intenção do autor dos ataques em colocar as carcaças para serem atropeladas pelos vagões.É mais um elemento deste caso que precisa ser bem esclarecido”, ponderou.

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top