Com a crise, aumenta presença de ambulantes na cidade

A cena é bastante incomum: um grupo de três pessoas do sexo masculino, percorre ruas centrais, empunhando um carrinho “adesivado” com propaganda de produtos da multinacional Nestlé, oferecendo kits de produtos consagrados com sobremesas, chamyto, bolachas, iogurtes tradicionais e com a consistência “grego”. O rapaz que se identificou como sendo David Sigmund, coordenador do grupo, informou que cada pacote pode variar de R$10 a R$35, conforme a combinação.

Disse que recebeu uma representação da empresa para atuar no programa denominado “Nestlé porta a porta” aqui nas cidades da região, além de Mogi Mirim; Itapira, Mogi Guaçu e Espírito Santo do Pinhal. Ele informou ainda que ele e os três colegas, vêm da cidade mineira de Paraguaçu ,localizada entre Alfenas e Varginha, a cerca de 180 quilômetros de Mogi Mirim. “Existe um entreposto da Nestlé na cidade que é abastecido pela fábrica de Araras”, revelou.

Sigmund afirmou que ganhou “representação”

Questionado se vale a pena vir de tão longe para vender estes produtos, garantiu que os ambulantes se dão bem. “Num dia bom chegam a faturar cerca de R$ 150,00”. Disse ainda que o desemprego faz com que este tipo de atividade seja exercido também por homens. “Com o desemprego do jeito que está, muitas pessoas agarram o que aparece”, contextualizou.

Se tem gente que se surpreende com o fato de ter pessoas que pegam até três horas de estrada para vender artigos na cidade, a história relatada pelo ambulante Delcimar José Eugênio, 48 anos, que deixa a cidade onde mora, Anhumas (GO) para vender panelas, é ainda mais impressionante. O esquema não difere muito daquele mostrado pelos mineiros de Paraguaçu. Uma perua Kombi traz uma equipe de venda compostas por quatro pessoas. Percorre quase mil quilômetros, parando de cidade em cidade.

Delcimar foi abordado pela reportagem de A COMARCA, já no final do dia, terça-feira, 14. Estava um tanto desanimado. “Não vendi nada”, entregou. Tinha artigos que variavam entre R$60 a R$240, este último um panelão destes usados para fazer feijoada. Disse que agarrou o serviço porque estava desempregado. Trabalhava numa lavanderia industrial. “Para não apelar, a gente tem que se virar”, destacou. Ainda segundo informou, o maior problema é a fiscalização contra comércio ambulante, uma regra que praticamente existe em todas as cidades. “Em alguns lugares colocam a gente para correr. Quando isso ocorre, a gente vai tentar a sorte em outra cidade”, encerrou.

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