Comércio na Conde de Parnaíba adquire “feição oriental”

Desde o começo do ano dois pontos comerciais localizados na Rua Conde Paranaíba acabaram sendo alugados por comerciantes de origem chinesa, ampliando significativamente a presença destes imigrantes na atividade comercial da rua é que historicamente sempre foi a mais importante do nosso comércio.

Conforme apurou A COMARCA a maioria destas pessoas investem no comércio de variedades, como confecções, calçados, acessórios e bijuterias. No sobrado que um dia já foi até Pronto Socorro e que até recentemente abrigava uma loja que comercializava jeans os proprietários mal falam o português. Via de regra, estas pessoas adotam um nome em português para facilitar a comunicação. Na antiga loja Jorran a proprietária adotou o nome de Vanessa.

Quem intermediou a conversa foi a funcionária Sara Kethlen de Souza Silva, que foi funcionária da loja antiga. Vanessa disse que estava satisfeita. Oriunda da capital,disse que o motivo da mudança foi buscar novas oportunidades. No local trabalham mais duas moças, Jessie que estava desempregada e Giovana que atuava na informalidade.

Na loja Lily, a proprietária com suas colaboradoras

Mais acima funciona a pastelaria Ki Delícia. A proprietária que se apresentou como Ana, disse que está ali há três anos. Veio da cidade mineira de Passos. “Estou feliz com a cidade”, admitiu. Questionada se costuma conversar com os novos compatriotas, disse que toma a iniciativa. “Conversamos em mandarim (idioma oficial chinês)”, revela. No ponto onde um dia funcionou a Loja Timermann (que depois virou Magazine Colombo) começou a funcionar há 32 dias a loja Global, também especializada em variedades. O filho do proprietário, que adotou o nome de João, também fala português com dificuldade.

Jéssica Yasmin de Souza, uma das três atendentes da loja explica que o proprietário adotou nome de Davi e sua esposa de Lívia. A família veio de Atibaia. Jéssica revela que estava desempregada a um ano. Ex-funcionária da Eaton, disse que não pensou duas vezes quando a vaga lhe foi oferecida. A exemplo de outras comerciárias que trabalham para estes novos comerciantes, torce para que a crise passe logo. “Nestes primeiros 30 dias o movimento foi bom. Caiu agora um pouco, mas acho que é por causa do final de mês. A gente torce para que continue melhorando”, expôs.

Outra loja de variedades fica no térreo do sobrado da família Ajub, onde um dia funcionou o Palácio dos Sorvetes. A proprietária que adotou o nome de de Lily (nome da loja por sinal) é a mais antiga dos chineses que se estabeleceram na cidade. Introvertida, aos poucos, com a ajuda de suas duas funcionárias, foi se soltando. Está em Mogi Mirim desde 2008 e disse que veio de São Paulo movida pelo desejo de ter seu próprio negócio. “Lá em São Paulo eu era funcionária”, revelou. Dentro da loja, o metalúrgico Alessandro da Cunha Claro, 28, disse que aprova o investimento dos chineses.

“Aumenta a concorrência e dá empregos, para a cidade é bom”, comentou. Ali próximo atua um comerciante de origem coreana há 17 anos, Jin Hyun Hwang. Disse que veio de Campinas, se estabeleceu e afirma que está satisfeito. “Consegui formar uma freguesia o que meu deu uma estabilidade para continuar trabalhando”, afirmou. Sobre os chineses, acha que é um movimento que ocorre também em outras cidades. “Há uma onda migratória de chineses que deixam seu país atrás de oportunidades em outros países”, observou.

ALUGUEL
Márcio José Pigozzi, 52, talvez o comerciante mais antigo do pedaço, acha que esta movimentação se deve em função do poder de fogo destes comerciantes em poder pagar o aluguel. “A gente tem conhecimento de aluguel de até 15 mil reais por mês. Hoje em dia, aqui da cidade, quem pode pagar isso?”, questiona. Quase em frente, “Paulo”, dono de outra loja de variedades, mostra insatisfação. Com 53 anos de idade e há 38 no Brasil, disse que veio de Hong Kong, onde se fala o cantonês e não o mandarim e por isso disse que não tem puxado conversa com os compatriotas.

Considera que a crise econômica tem trazido muitas dificuldades. “Não só para os chineses, mas para todo mundo”. Disse que os preços de aluguéis em Mogi Mirim são muito aviltados e que na sua opinião, isso se configura num sério entrave para o crescimento da cidade.

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