Projeto Liberdade acolhe morador de rua que dormia em casa de cachorro

Repercutiu intensamente a matéria publicada por A COMARCA no sábado passado, 11, que retratava a triste história do coletor de produtos reciclados, Luis Antônio Evangelista, 62 anos, que para se proteger do frio, dormia numa casa de cachorro, na Vila Santa Luzia. Na tarde daquele mesmo dia, ele recebeu a visita de Robson Gimenez, 33, coordenador e responsável pelo Projeto Liberdade, uma iniciativa que data desde 2013 com o propósito de acolher moradores de rua e dependentes químicos e do álcool.

Gimenez contou que ficou sabendo do caso logo de manhã. “O assunto estava sendo muito comentado no Facebook e despertou minha atenção. Tomei a iniciativa de contatar a pessoa que o ajudava e fui até o local. Lá acabei o convencendo a vir conosco”, detalhou. Na manhã de quinta-feira, 16, Evangelista estava muito à vontade na sede do Projeto, uma área de 2 mil metros quadrados, localizada dentro do sítio Santa Maria, no bairro rural de mesmo nome. Ele dividia as instalações com outras 26 pessoas acolhidas, a maioria deles ex-moradores de rua.

Contente, Evangelista relatou que no sábado, dia em que saiu a matéria, foi a primeira vez que dormiu numa cama depois de mais de um ano. “Eu me sinto completamente realizado. Agradeço a Deus por ter tido este atendimento”, disse. Gimenez informou que a exemplo de todas as pessoas acolhidas no local, o ex-morador de rua precisa de um tempo de adaptação e, aos poucos, se ocupará de afazeres que farão com que tenha o tempo preenchido.

Paulistano, que mudou para Mogi Mirim com a família no começo dos anos 1990, Gimenez atualmente cursa o quarto ano de Psicologia. A propensão em ajudar moradores de rua, fazia um trabalho mais restrito. Até que, segundo ele, foi inevitável ampliar as ações, o que, evidentemente, requereu também ter outras fontes de contribuição. Um primeiro passo foi alugar a área e depois ampliar o leque para atender dependentes químicos e do álcool, criando um núcleo de comunidade terapêutica.

Sua iniciativa pessoal ganhou destaque em 2013, quando retirou da rua Jéferson Adriano de Oliveira, o Jé, hoje com 39 anos. Jé era muito conhecido das pessoas e morava numa construção que pegou fogo. Uma pessoa morreu no local em decorrência do incêndio, e a notícia de que era Jé quem tinha morrido logo se espalhou. Gimenez foi ao programa noticioso do locutor Geraldo Bertanha (GB) esclarecer o caso e afirmar que Jé estava recebendo cuidados. “Foi um fato que acabou popularizando de certa forma nosso trabalho”, lembrou.

A COMARCA encontrou no local José Geraldo Bernardes,55, o popular Sabiá, muito conhecido na Vila Dias. Ele chegou ao local com grave quadro de alcoolismo. “Cheguei aqui desfigurado, derrubado”, contou ele. Sabiá, a exemplo de outras pessoas acolhidas, abraçam a causa para ajudar outras pessoas. E Robson Gimenez faz questão de enfatizar que toda ajuda é muito bem vinda.


COMO AJUDAR
O Projeto recebe donativos de pessoas que moram da cidade, e de cidades de fora (até do exterior) que ajudam, por exemplo, na alimentação e parte da manutenção. “A verdade é que os custos nunca param de subir e a gente acaba sofrendo uma série de limitações para dar um respaldo maior à obra. Gimenez revela ainda que algumas igrejas também dão suporte na medida em que podem. Algumas destas pessoas que contribuem, o fazem porque viram a divulgação do trabalho em redes sociais.

“Temos o caso de um doador que mora fora do país e nos dá crédito de mil reais por mês, em compras de supermercado. Outro dá pouco menos do que isso e exige que o gasto seja com mistura. A gente faz a aquisição e presta conta direitinho”, informou. Quem quiser ajudar, pode ligar para o número 99820-1802. Contribuições podem também ser feitas pela conta do banco Itaú: AG 8024 C/C 16085-5.

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