A COMARCA ajuda pesquisador a desvendar período obscuro da antiga Febem

Mestre em Educação pela Unicamp, o professor Izalto Junior Conceição Matos, 49, natural de Ivaté (PR) e radicado na cidade de Sumaré desde o início da década de 1990, está prospectando para fins de elaboração de sua tese de doutorado, um período obscuro da antiga Febem  - a antiga Fundação do Bem Estar do Menor, hoje Fundação Casa - quando  no período de 07 de julho de 1947 a 10 de agosto de 1950, deixou de atender crianças e adolescentes do sexo masculino para se tornar o “Instituto Feminino de Menores”

Como uma coisa leva à outra, Matos chegou ao tema depois de escarafunchar por mais de dois anos documentos de toda espécie para a formulação de sua tese de Mestrado intitulada “Em busca da memória perdida: a história de órfãos e vadios no Instituto Disciplinar de Mogi Mirim”, concluída em 2006. Ele revela que A COMARCA foi um dos elementos mais importantes neste processo de pesquisa que resultou em seu título de mestre pela famosa universidade e que o motivou a continuar suas pesquisas agora com a finalidade de obter o título de doutor,  que deve estar concluída ainda neste ano com supervisão e orientação da professora Doutora Ediógenes Aragão Santos – Livre Docente da Unicamp.

“O jornal serviu de guia para as minhas pesquisas de Mestrado e de Doutorado, a partir desses dados e informações, eu os cruzava com a legislação e documentos publicados, por exemplo, A COMARCA publicou  alguns relatórios que eram elaborados pelo diretor do Instituto e que após era encaminho ao Secretário Estadual de Justiça, isso ia parar na assembléia Legislativa, outra fonte onde pude levantar, o jornal cobria também as festas, os conflitos”, observou.

Seu quartel general aqui em Mogi Mirim tem sido a biblioteca municipal e o Centro Cultural "Lauro Monteiro e Silva", onde, segundo ele, tem recebido inigualável atenção para ajudá-lo no processo de obtenção das informações que precisa. Mencionou André Xavier do Centro Cultural e uma pessoa da comunidade de São José, segundo ele chamada Jesus, como dois dos que mais o ajudaram.

“Os primeiros questionamentos sobre a temática da infância abandonada, surgiram em 1999 a partir dos meus alunos do curso de Magistério no Cefamm - Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento para o Magistério – Campinas, na disciplina de História da Educação, cuja temática era a questão da criança em Campinas nas décadas de 1930/1940, a bibliografia utilizada no curso não abordava especificamente a situação de Campinas, o que me motivou a apresentar dar respostas aos alunos com dados regionais, eles me perguntavam o que acontecia com as crianças abandonadas, órfãs ou infratoras, na busca por essas respostas me coloquei a campo, inicialmente pesquisando no Centro de Memória da Unicamp, ao ter acesso a alguns processos criminais de crianças no referido arquivo me chamou a atenção alguns processos que diziam que essas crianças ditas 'menores' esses 'réus' eram encaminhados para cumprir pena no Instituto Disciplinar de Mogi Mirim, instituição que eu  desconhecia, bem como, a cidade da mesma, pois tinha vindo para a região de Campinas em 1992 para estudar na Unicamp, assim iniciei as visitas a Mogi Mirim”, relatou.

Em sua pesquisa ele se deparou com documentação que fornece uma pista a respeito de como eram tratados crianças e adolescentes, algo nem sempre humano, muito pelo contrário. “Eram submetidos a um controle rigoroso, uma vigilância constante, punição sempre exemplar muitas vezes violentas, seja física ou simbólica, e sua proposta pedagógica de recuperação era baseado no trabalho”, sugeriu.

O processo de criação do Instituto das Meninas é um trabalho mais complexo. Ele imagina que ainda possa existir alguma destas pessoas vivendo na cidade, com idade entre 80 e 85 anos e por isso faz questão de divulgar seu trabalho para quem sabe, segundo ele, poder ter um depoimento. “Infiro que algumas das meninas podem estar vivas, estando na faixa etária entre 80 e 85 anos de idade, sei das dificuldades, até porque ao serem transferidas em 1950 para o Lar Escola de Campinas, perdi o paradeiro das mesmas. Não sabemos ao certo quais os vínculos que foram estabelecidos entre as meninas e os moradores de Mogi Mirim, elas inclusive 26 delas foram batizadas em 1948, na Paróquia de São José, portanto, os padrinhos eram moradores da cidade, existe a possibilidade de algum morador de Mogi Mirim, ter alguma informação que me permita localizar algumas delas”, ponderou.

Ele encerra afirmando expressando sentimento de gratidão a todas as pessoas aqui da cidade que de alguma forma têm contribuído para suas pesquisas. Mais uma vez lembra que A COMARCA teve um papel preponderante, fato este que fez questão de destacar até mesmo em sua tese de mestrado: “Foi a partir do jornal A COMARCA, porta-voz e órgão de difusão de informações para a elite local e regional, que iniciei a reconstituição da história e memória da instituição" (MATOS, 2006, p. 3)”.

Deixa um apelo para que no caso de  alguém tiver alguma informação relevante neste sentido, destacando o período feminino da instituição, (vestígios materiais como objetos, fotografias, uniformes, cartas, enfim, cadernos de internos/as  -lá funcionava uma escola de curso primário - artefatos que denominamos de cultura material) que entre em contato com ele pelo e-mail : izaltojunior@uol.com.br; ou pelo telefone; 99648.8841.

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