A história contada através de imagens

Ao longo de seus 116 anos, A COMARCA teve o privilégio de possuir em seu quadro de colaboradores renomados profissionais. É o caso, por exemplo, do fotojornalista Nelson Peliche, que, através de suas lentes, registrou para o periódico mogimiriano a história da cidade no final dos anos 1980.

O convite para ingressar no time de A COMARCA como profissional freelancer (aquele que presta serviços de maneira autônoma) veio do jornalista Ricardo Piccolomini de Azevedo, em 1986. Foi o primeiro jornal em que Peliche trabalhou. Três anos antes, ele ingressara na Prefeitura como escrevente datilógrafo, num modelo que hoje é conhecido como “menor aprendiz”.

O interesse pelas lentes e pelos filmes surgiu ao auxiliar o fotógrafo Valério Júnior nos trabalhos da Administração Municipal. “Trabalhava no laboratório de revelação e fui tomando gosto”, lembra Peliche. Tanto que, com a abertura de concurso público em 1988, ele se tornou oficialmente fotógrafo da Prefeitura de Mogi Mirim.

O fotógrafo Nelson Peliche

Paralelamente, continuava com o trabalho freelance em A COMARCA. “Na sexta-feira ficava até tarde da noite”, conta, em referência ao processo de fechamento da edição que deveria circular na manhã seguinte. Apesar das longas horas de dedicação, a equipe da redação e da gráfica [que o jornal ainda mantinha na época] não perdia o bom humor. “A gente dava risada, contava piada, o clima era muito bom”, recorda.

Os bailes nos clubes da cidade eram um dos vários exemplos de como o trabalho jornalístico exige dos profissionais. Esses eventos, onde geralmente a Miss Mogi Mirim era escolhida, contavam com a cobertura de A COMARCA. Por diversas vezes Peliche teve de aguardar o resultado, que geralmente saía por volta de uma hora da manhã, para somente depois retornar à redação com as fotos que deveriam estar nas bancas assim que o sol nascesse, esperando pelos fiéis leitores.

E naquela época não havia nada digital. “O maquinário era todo manual, não era para trabalhar rápido”, destaca Peliche. E assim era para as mais diversas áreas: comercial, coluna social, política, esporte, polícia. Este último, inevitavelmente, marcante por conta dos trágicos acidentes. “A reportagem chegava praticamente junto com a polícia, e eu era mais novo, marcava mais ainda”, afirma o fotógrafo.

No final das contas, as longas horas de trabalho e os finais de semana dedicados a cobrir partidas de futebol amador ou do Mogi Mirim Esporte Clube valeram a pena. “Era uma época corrida, mas gratificante”, relata Peliche. “Empolgante de se fazer”, completa. De mais valioso, o fotógrafo leva as amizades que construiu por onde passou. “Os encontros são menos frequentes, mas quando acontece tem aquele bate-bapo!”, garante.

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