Artistas de rua "invadem" cruzamentos da cidade

O fenômeno já vem sendo observado principalmente no cruzamento das avenidas Brasil com 22 de Outubro desde o final do ano passado. Jovens disputam espaço com entregadores de folhetos publicitários, usando como arma para ganhar uns trocados a execução de algum número artístico.Costumam ser arredios quando abordados. A COMARCA conseguiu nesta semana saber algo a respeito deles.

Em geral, vêm de outras cidades, quando  não,  possuem comportamento mambembe, típico do artista de circo. É o caso do mais talentoso deles, que se identificou apenas como Maximiliano. Ele costuma se exibir em cima de um monociclo, empunha três artefatos que parecem garrafas de boliche e ainda faz embaixadas usando uma bola de plástico e a cabeça. Não quis saber de muita conversa. Contou apenas que tem nacionalidade argentina e descende de uma família que a vida toda viveu de circo e que viaja o Brasil fazendo isso.

Com ele, estava Bruna de Assis Silva, que se esforçava para manter os malabares girando no ar. Diante dos carros ela demonstrava muita autoconfiança, personalidade e uma didática muito peculiar para se dirigir aos motoristas. Mas também não quis falar muito. Disse que vinha de Mogi Guaçu e acompanhava “Max” em seus números. Na vizinha cidade, contou que o ponto preferencial para as demonstrações era o local conhecido como Praça da Bíblia.


Numa outra extremidade estava o estudante Victor de Oliveira Araújo, 20 anos, também de Mogi Guaçu. Com o rosto maquiado, circulava com desenvoltura diante dos carros. Disse que a atividade ajuda a eliminar o estresse das pessoas. “Muita gente apóia, outros torcem o nariz”, contou. Ele como os demais colegas afirmaram que o que ganham de gorjeta “dá para custear o dia”. Bruna disse que naquele dia especificamente “as pessoas estavam com as mãos mais fechadas”, sugerindo que já tiveram ganhos maiores. Acompanhava tudo de perto a fotógrafa Marina Moreira Oliveira, que disse ser aqui de Mogi. Com uma câmera em punhos, registrava a movimentação dos artistas. “Intui que daria um trabalho interessante. Acho o que fazem algo muito legal”, elogiou.

PRAÇA
Na no dia seguinte, terça-feira, um outro grupo estava posicionado no final da rua Padre Roque, no cruzamento com a Praça Rui Barbosa. Elias Pereira Soares de 20 anos, também com rosto pintado, disse que vinha de Sorocaba e integrava uma escola de circo. Disse que não tinha moradia fixa. “Somos mochileiros”, disse referindo-se a si mesmo e a mais dois acompanhantes, uma moça que dava a entender ser sua namorada e um outro artista, que se identificou como Nícolas, que foi logo avisando: “não quero sair em jornal”. Era, segundo o rapaz, a primeira vez que paravam na cidade.

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