Prefeitura vai acolher moradores de rua no inverno

O Fundo Social de Solidariedade em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social, a Secretaria de Educação, Secretaria de Segurança e Secretaria de Esportes, anuncia a implantação de uma ação inédita para  acolhimento a moradores de rua da cidade, com o objetivo de oferecer um atendimento durante o período noturno, que passa a ser prestado temporariamente, durante toda a semana, no período que vai de 11 de julho a 04 de setembro, no imóvel localizado na alameda Vital Brasil, onde funcionou por muitos anos a sede da Polícia Militar.

A Secretária de Assistência Social do Município, a professora Leila Maria Ramos, esclarece que o prazo de validade dado ao programa batizado de Ação Solidária de Inverno decorre do fato de que no período estipulado ainda podem ocorrer situações onde a temperatura pode atingir níveis muito baixos, penalizando de uma forma mais cruel quem vive na rua.

Explica que a Secretaria de Assistência Social desenvolve programas para PSR (Pessoa em Situação de Rua) que é mais amplo e cujo atendimento é realizado num prédio no bairro do Mirante onde funciona a República Bom Tempo. Este outro atendimento disponibiliza, segundo Leila, de segunda a sexta-feira, conta com a oferta de um café da manhã, assistente social, educadora social, psicóloga e uma recepcionista. O público alvo recebe monitoramento constante da Secretaria e são estas pessoas, em tese, que serão convidadas a se recolher no serviço recentemente implantado, em caso de necessidade. “ A abordagem social ocorre por meio de busca ativa e que entendemos estar em consonância com o serviço especializado em situação de rua. Assim, durante o dia, para realizar o Serviço de Abordagem Social, ocupamos o espaço da República (algumas salas) para desenvolver serviço com quem ainda está em situação de rua. Esse serviço é desenvolvido em parceria com o Resgate à Vida e conta diariamente com servidores públicos da Assistência Social” detalhou.

Ainda com relação à abordagem faz questão de esclarecer que as pessoas que forem convidadas a se recolher no novo abrigo noturno deverão fazê-lo de livre e espontânea vontade. “Nada pode ser arbitrário, o direito de ir e vir e permanecer é cláusula pétrea”, reforçou. A Secretaria de Assistência Social estima que são cerca de 20 as pessoas nesta situação que recebem acompanhamento da pasta que somadas com aquelas consideradas “em trânsito” (que passam pela cidade) determina o aumento deste número.

Neste serviço temporário de atendimento terão prioridade os que já são cadastrados, o que não impede, segundo a Secretária, que outras pessoas que eventualmente sejam encontradas em situação de rua, sejam encaminhadas ao serviço. “Ressaltamos ainda que todas as Pessoas em Situação de Rua, beneficiadas pela Ação Solidária de Inverno, são pessoas acolhidas pela Assistência Social e quando excepcionalmente, forem identificados aqueles abordados pela Guarda Municipal, deverão no dia imediato do acolhimento, serem devidamente cadastrados, acolhidos e acompanhados pela equipe do Serviço especializado para Pessoas em Situação de Rua na abordagem social. Todo esse cuidado tem como objetivo o atendimento integral do indivíduo e se diferencia daquilo que antigamente se esperava de um ‘Albergue Noturno’, onde o atendimento poderia se esgotar na pousada”, detalhou


Rotulagem
A Secretária faz ainda um apelo para que a comunidade não rotule moradores de rua como “vândalos ou baderneiros”, advertindo que a situação emocional é preponderante para que as pessoas ingressem numa situação de abandono. “Quando da abordagem, não raras vezes descobrimos conflitos familiares, reflexo do desemprego, perda de padrão de vida, dependência química de drogas ilícitas e álcool, que levaram ao desgaste dos vínculos familiares.  Recentemente, como exemplo, tivemos um engenheiro eletricista nestas condições, ou seja, sem nenhum uso abusivo de drogas, mas em conflitos familiares devido a causas exteriores como o desemprego”, ilustrou.

O novo espaço não necessitou de nenhuma adaptação, posto que, segundo Leila “é uma residência”, onde os quartos foram ocupados com 16 camas e colchões cedidos pela Secretaria de Esportes. O imóvel já possui cozinha instalada, o que facilitou o trabalho de remodelação. O Fundo Social fornece enxoval de cama, mesa e banho, além de produtos de higiene e um casal de voluntários se ocupa de servir o café da manhã.

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