Projeto social no Planalto precisa de ajuda

Garotos jogando futebol descalços em um campo improvisado de terra batida. Mas não se deixe levar pelas simples aparências. A escolinha da Associação de Moradores dos Bairros Residencial Floresta e Jardim Planalto (Floralto) tem a disciplina como regra maior. Enfrentando as enormes dificuldades, o ex-jogador profissional Fábio Luiz Cintra ensina os fundamentos do esporte mais popular do país para aproximadamente 100 crianças e adolescentes carentes.

“A gente luta para que eles estejam aqui determinados, aplicados”, conta Fábio para a reportagem de A COMARCA, entre uma orientação e outra para seus pequenos jogadores, com a ajuda de Carlos Eduardo “Pitico”, que o auxilia nos treinamentos diários. A meta é formar um time capaz de disputar campeonatos afora. Mas o objetivo mesmo é formar cidadãos. Ocupando as horas vagas dos jovens com o futebol, Fábio tem a esperança de não perdê-los para o tráfico de drogas, uma dura realidade do Planalto e do Floresta.


Mas manter o projeto recém-iniciado não é tarefa fácil. Na escolinha do Floralto, toda a parte de infraestrutura é precária.No campo de terra batida só foi possível fazer a bola rolar após uma trator –usado na contrução da escola estadual do Floresta – deixar o terreno minimamente nivelado. E ainda foi preciso arrematar com na mão, com enxadas, para só depois fazer as marcações de chão com cal.

O resto é no improviso. As traves foram soldadas pelo José Augusto “Baiano”, tradicional morador da comunidades. As bolas – apenas duas – foram doadas. Coletes, idem. “E a gente doa o tempo da gente ajudando”, lembra Fábio, que assim como “Pitico” é voluntário. Por isso a escolinha do Floralto precisa tanto de ajuda. “A maioria dessas crianças são filhos do craque, se a gente não ajudar, quem vai?” questiona.

Muitas portas se fecharam para Fábio e a escolinha do Floralto devido ao preconceito que Jardim Planalto e Residencial Floresta carregam. “Eles nos olham como um covil de bandidos”, acredita Fábio. Determinado a buscar ajuda, o morador foi à Câmara Municipal cobrar os vereadores. “Para a gente tem sido muito difícil conviver com o descaso”, relatou na tribuna livre do Legislativo.


ABANDONO
“Falar daquele bairro é fácil, conviver é que é difícil”, declarou Fábio, que utilizou a tribuna livre para relatar um pouco da situação de completo abandono vivida por Planalto e Floresta. “Pegaram as famílias e jogaram num bairro sem estrutura, não tiveram nenhum respeito ou consideração”, criticou.

“Ali é uma ‘faculdade da necessidade’. Quer passar necessidade? Muda para lá”, ironizou o morador. “Às vezes tenho a impressão de que aquele bairro não é Mogi Mirim”, desabafou, na esperança de que alguém olhe com mais necessidade para Jardim Planalto e Residencial Floresta.

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