Uma etapa vencida

Em 05 de julho, A COMARCA entra em seu 117º ano de existência. A data sempre fez parte de minha vida, desde a tenra infância, pois cresci dentro da oficina gráfica, convivendo com os guerreiros funcionários e ouvindo a máquina de escrever de meu pai, Arthur de Azevedo, construindo as notícias que sairiam aos domingos no jornal.

Nos últimos 40 anos, A COMARCA fez parte de minha vida pessoal, familiar a profissional. Em 1974, iniciei minha caminhada dentro do periódico cobrindo o Esporte, que sempre foi minha paixão, e a Política, que se tornaria quase um vício, cobrindo as sessões da Câmara Municipal às segundas-feiras, às quais, desde então, faltei em percentual pequeno de vezes.

A partir de 1976 a participação aumentou, tendo ao meu lado minha futura esposa e companheira de todos os momentos na empresa, Maria do Carmo. Desde então, cumprimos a nossa etapa na história de A COMARCA, a sua quarta geração. Sucedemos a Francisco Cardona; Francisco Piccolomini e D. Leonor, meus avós; Arthur e Maria Conceição, meus pais.

Logo ao chegarmos veio o desafio do jornal diário, exigindo uma gráfica maior, mais impressoras e todo o desgaste de fechar as edições de terça-feira a sábado, até a madrugada. Foi uma fase difícil, que quase custou a existência de A COMARCA. Mas ainda assim construímos nossa nova sede, inaugurada em 1985.

Ricardo Piccolomini de Azevedo

Em 1990 ousamos terceirizar a impressão, adotando o off set e a informatização da pré-impressão, o que se mostrou acertado e hoje é seguido até por grandes jornais. A COMARCA se arejou, voltou a circular forte aos sábados. Mudou a velha linha política, substituída pela cidadania e educação.
Desde então foram muitas conquistas, como a primeira edição colorida, a chegada à internet, tudo isso a caminho de nosso objetivo e nosso compromisso, levar A COMARCA ao centenário no ano 2000, percorrendo suas edições pelos três séculos.

O futuro passou a ser o desafio. E assim 15 anos se passaram, seguindo o jornal as transformações do mundo, a colocar desafios cada vez maiores. Entendemos que nosso tempo se acabava.
O maior desafio era garantir a continuidade de circulação de A COMARCA, um dos jornais mais antigos do Brasil, que não admitíamos que tivesse a circulação paralisada, reconhecendo ser um patrimônio da cidade.

Foram muitas tentativas de atingir este objetivo. Estivemos conhecendo a transformação do tradicional jornal Tribuna do Norte, de Pindamonhangaba em Fundação Municipal, uma ideia que evoluiu, mas esbarrou em entraves legais.

O maior obstáculo era a condição primordial de que uma negociação de transferência da marca para outra empresa passava necessariamente pela garantia de que a circulação não poderia ser interrompida, garantida neste caso a doação de marca para o Município de Mogi Mirim, para embasar uma Fundação, transformando-se patrimônio municipal.

Em fevereiro deste ano surgiu a possibilidade de que essa proposta se tornasse realidade, e agora, seis meses passados, constatamos com alegria que A COMARCA continua circulando forte, abrindo espaços ainda maiores para a comunidade, buscando novos caminhos. Mudanças certamente vieram e virão, como aconteceram ao longo dos 40 anos em que estivemos à frente do jornal.

Para nós fica o sentimento de que cumprimos a nossa etapa na história de A COMARCA, com sentimento do dever cumprido, de termos seguidos as linhas traçadas por nossos antecessores, de colocar sempre os interesses da cidade acima dos nossos próprios. Temos a agradecer aos nossos leitores e clientes por terem permitido atravessarmos com sucesso esta etapa de nossas vidas e de A COMARCA.

Feliz aniversário, A COMARCA, e que possamos comemorar muitos outros 05 de julho.

Por Ricardo Piccolomini de Azevedo

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