Fundação Casa de mudança para imóvel no Bairro da Saúde

A direção da Fundação Casa de Mogi Mirim confirmou que está deixando imóvel ocupado desde 2008 no alto da Rua Santa Cruz, para mudar-se para um imóvel mais amplo, localizado no bairro da Saúde.

O vazamento da notícia trouxe intranquilidade a muitos moradores, que se manifestaram contrariamente à presença do organismo do governo estadual que lida no trato de menores de idade no cumprimento de medidas corretivas impostas pela Justiça com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “É o tipo da notícia que nos deixa muito intranquilos. A experiência no Brasil tem demonstrado que o trabalho de ressocialização de menores não funciona. Além do mais, a presença desta unidade aqui vai causar uma desvalorização em toda a área”, protestou um morador da rua que pediu para não ser identificado. Ainda de acordo com o morador, outros vizinhos prometem mobilização para que a mudança não ocorra.

O caso foi encaminhado para a direção da Fundação Casa em São Paulo e na tarde de ontem a diretora da Unidade local, Érika Cristiane Diniz de Oliveira falou com veículos de imprensa do município para prestar esclarecimentos. Ela convocou toda a equipe técnica da unidade para acompanhar a conversa com jornalistas: Marisa Lúcia Antunes, assistente social (oito anos na unidade); Flora Carmen Aparecida de Oliveira Tivelli (psicóloga com carreira toda construída na entidade), Carmen Lúcia M. Dias , também psicóloga com 30 anos no setor e Jean Felipe Quadrelli, coordenador da equipe de segurança. Participaram ainda Carolina Maciel Souza supervisora regional de Campinas, acompanhada da assistente social Vanessa Carvalho Freitas.

Todo este cuidado, conforme relatou a diretora, foi para que não ficasse nenhuma dúvida quanto ao processo de mudança e, principalmente, para que a sociedade local tenha um conhecimento “mais realista” do trabalho ali desenvolvido. Érika informou que o imóvel atual tornou-se inadequado diante das atuais necessidades de conforto e segurança para funcionários e adolescentes acolhidos. Segundo ela, para colocar em prática as diversas medidas a que estes adolescentes devem obedecer era inevitável um lugar mais amplo.

“Durante alguns meses visitei diversos imóveis em vários locais e o que me pareceu mais adequado foi este do bairro da Saúde. Ali tenho linha de ônibus perto, a localização da estação rodoviária favorece a visita de familiares (sempre aos domingos) e além disso, é perto do Fórum”, elencou. A mudança deve ocorrer até o final de outubro.

Questionada se não temia por uma reação das pessoas que moram nos arredores, disse que isso já era esperado. Ela disse que a sociedade de uma maneira geral desconhece o funcionamento do organismo que abriga, conforme definiu, adolescentes em estado de “semi-liberdade”; os quais,  freqüentam escola, cursos profissionalizantes e atividades desportivas, com acompanhamento de  funcionários do órgão, exceção da escola onde o monitoramento se dá com base em relatórios.


São ao todo, atualmente, 22 adolescentes com idade entre 14 e 16 anos que recebem acolhimento, nenhum de Mogi Mirim. A capacidade total é de 23 meninos. São jovens “com perfil menos gravoso, mais leve” cujos delitos mais comuns que cometeram foram furtos, roubos e tráfico de entorpecentes. Segundo a diretora, em média permanecem de seis meses a 3 anos no local. Ela nega que haja casos de indisciplina como baderna durante à noite e envolvimento de menores com atividades criminosas. “Tivemos casos pontuais, muito raros, que não justifica de forma nenhuma um certo preconceito que as pessoas manifestam com relação à presença dos meninos”, observou.

Érika explica ainda que no caso de algum menor acolhido cometer alguma transgressão penal, é desligado imediatamente e seu caso vai para a análise da justiça que providenciará uma nova análise da situação. A equipe técnica, segundo ela, se notar que algum menor atendido tem perfil em desconformidade para o atendimento da unidade, a análise é imediatamente encaminhada para a esfera superior para que seja providenciada a remoção. “Normalmente a recomendação é atendida”, disse a diretora.

Com dois anos na unidade de Mogi Mirim, atual diretora garante que dificilmente haverá um recuo da decisão tomada. Para tranquilizar as pessoas, disse ainda que existe todo um conjunto de normas que os menores devem seguir durante o tempo de permanência e que a questão da disciplina, assim como da segurança interna, “são bastante rigorosos”.

A psicóloga Flora salienta ainda que no caso de Mogi Mirim ainda reside no inconsciente de muitas pessoas as lembranças das fugas em massas, das rebeliões dos tempos em que o modelo antigo ainda se chamava FEBEM e que este fato acaba, segundo ela, corroborando com a resistência demonstrada pelas pessoas que relutam em ter uma unidade da Fundação perto de suas residências. “São preconceitos que têm que ser superados na base do diálogo e do entendimento”, corroborou a diretora.

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