A nova cara da Câmara Municipal

Os votos das urnas apurados no último domingo, 02, trouxe um resultado surpreendente. Apenas cinco dos 17 vereadores da Câmara Municipal de Mogi Mirim conseguiram a reeleição. As outras doze cadeiras do Legislativo serão ocupadas por novas figuras da política local. Alguns já exerceram um mandato, mas a maioria está debutando.

Da atual legislatura, marcada por diversas críticas e acusada principalmente de ser conivente com o prefeito Gustavo Stupp (PDT), sobram cinco remanescentes: Cinoê Duzo (PSB), Jorge Setoguchi (PSD), Mané Palomino (PPS), Maria Helena Scudeler (PSB) e Robertinho Tavares (PEN). Com exceção do vereador do PPS, todos os outros fizeram oposição a Stupp nos últimos quatro anos.

Já com certa experiência política no cargo, se elegeram para um novo mandato na Câmara Gerson Rossi Júnior (PPS), Magalhães da Potencial e Moacir Genuário (PMDB). Os outros nove vão ocupar um cargo de vereador pela primeira vez. São eles Alexandre Cintra (PSDB), André Mazon (PTB), Chupeta (PSDB), Cristiano Gaioto (PP), Geraldo Bertanha (SD), Marcos Gaúcho (PSB), Samuel Cavalcante (PR), Sônia Módena (PP) e Tiago Costa (PMDB).

Se somados, os votos dos vereadores eleitos pela primeira vez para a Câmara Municipal chegam a 5,5 mil, o que pode ser interpretado como um recado do eleitorado, que anseia por renovação política. A COMARCA buscou ouvir os novos legisladores de Mogi Mirim para saber suas expectativas para o cargo:


CINTRA
Após quatro convites para ser candidato, Alexandre Cintra finalmente aceitou o desafio. “Agora estou preparado, maduro, experiente”, justificou. Sem poder se afastar de seus compromissos profissionais no setor privado, fez uma campanha simples. Como não pode se dedicar integralmente, contou com uma rede de amigos, que multiplicaram sua candidatura.

Agora eleito, garante que o trabalho também será multiplicado. “É uma função preciosa [a de vereador], de muito respeito”, afirmou. Após 14 anos de trabalho na Prefeitura de Mogi Mirim, atuando ao lado de Paula Silva, Carlos Nelson e uns poucos meses com Gustavo Stupp, Cintra agora estará do outro lado do balcão, no Poder Legislativo.

Uma de suas bandeiras será a Cultura, que acredita estar em situação crítica no município. “Não tem nada e o que tinha acabou”, resume, se referindo a ações culturais de iniciativa da Prefeitura. "Mas meus olhos também estarão voltados para Educação, Esporte, Saúde e as demais áreas”, ressaltou.

MAZON
Foi a primeira vez que André Mazon disputou o cargo de vereador, mas não é sua primeira campanha política. Em 2014, ele concorreu ao cargo de deputado federal pelo PV, obtendo 4,5 mil votos. Não é coincidência o fato de ter apostado no Poder Legislativo por duas eleições consecutivas.

“Acho que grande parte dos nossos problemas é por causa de um Legislativo que legisla mal e não fiscaliza o Executivo”, avaliou. Com um discurso combativo, Mazon afirmou que vai adotar uma postura firme e trabalhar para que a Administração Municipal futura desempenhe seu papel da forma correta.

O vereador eleito afirmou que suas principais bandeiras na Câmara serão a Cultura e o Esporte, áreas que considera fundamental para o desenvolvimento de pessoas, sem esquecer também da causa animal. Como fiscalizador, promete atenção na Saúde. “Porque dinheiro tem, mas acredito que está sendo mal gasto”, frisou.

CHUPETA
Luiz Roberto de Souza Leite, o Chupeta, é um veterano. Não só pelos 62 anos e cabelos grisalhos, mas também por esta ser a quarta eleição que disputou. De todas elas, a de 2016 foi uma das que teve menos votos: 564. Quis o destino, e o quociente eleitoral, que fosse justamente essa votação a que lhe credenciaria a ter direito a uma cadeira na Câmara Municipal.

“Sempre gostei da Política, quem não presta são os políticos”, disse para a reportagem de A COMARCA, por telefone. Agora, de dentro do Legislativo, terá a oportunidade de mudar esse cenário. “A população pode esperar de mim honestidade e trabalho, eu entrei para isso”, destacou.

O futuro vereador do PSDB quer ter um panorama da situação do município quando tomar posse do cargo, mas, de antemão, acredita que a Saúde é a área que vai precisar de mais atenção. Sobre a relação com o futuro prefeito, Chupeta espera que seja tranquila, “desde que ele cumpra a parte dele”.

GAIOTO
Depois de 17 anos trabalhando no setor público, Cristiano Gaioto achou que fosse a hora de tentar um cargo eletivo. Na verdade, segundo ele próprio, quem achou foram seus companheiros de Funcionalismo Público Municipal. “Eu não ia sair, mas eles insistiram”, contou.

Na Câmara Municipal, seus apoiadores podem esperar “muita luta e muita força de vontade”, como fez questão de ressaltar. Defesa do Funcionalismo Municipal estará na sua pauta, mas não se limitará a isso. “Vou ser o vereador da zona Rural”, prometeu, devido ao conhecimento da área que adquiriu ao trabalhar com o transporte público rural, na gestão de Gustavo Stupp. “Eles podem contar comigo”, garantiu.

GEBÊ
Candidato a vereador em 1996, Geraldo Bertanha, o Gebê, não pensava em entrar numa nova campanha. Foi o presidente do SD, Leonardo Zaniboni, que o convenceu. “No começo achei que não seria interessante, achei que não iria nem me eleger”, disse. Depois de muita conversa, com a família, principalmente, veio a vitória nas urnas.

Jornalista de ofício, Gebê, deve levar sua experiência na imprensa para o Legislativo. Como? Ouvindo sempre os dois lados da história. O vereador eleito pretende ter uma relação estreita com os conselhos municipais. Assim, sempre que um projeto de lei estiver em pauta, Gebê vai procurar o conselho que atua na área.

“Quero dividir as responsabilidades”, ressaltou, frisando que seu mandato será próximo da população. “Os conselhos municipais serão consultados por mim antes das votações”, explicou. “Vou trabalhar nesse sentido, quero trabalhar pelo Social”, destacou Gebê. Além disso, o jornalista prometeu transparência em sua legislatura, reportando suas ações em um blog.

GAÚCHO
Não é coincidência. Marcos Antonio Franco levou para a urna o nome pelo qual o seu pai, Antonio Franco (o Toninho Gaúcho), ficou conhecido. “Meu pai já foi vereador, vi uma tristeza tão grande quando ele não conseguiu a reeleição, que prometi que quando eu entrasse (para o Legislativo), dedicaria a vitória a ele”, relatou. E assim foi feito.

Por conta disso, Marcos acredita que não foi coincidência o fato de ter permanecido em quinto lugar na lista dos eleitos. “Sabe qual é o quinto mandamento da Bíblia? Honrar pai e mãe”, disse. “A vitória não é minha, é dos meus eleitores e do meu pai”, completou.

Agora eleito, Marcos Gaúcho garante que fará um trabalho honesto. “Dinheiro de propina para mim cheira peixe podre”, afirmou. Destacou ainda que continuará sua luta em prol do serviço social, que já desempenha voluntariamente há mais de dez anos, paralelamente ao emprego de motorista na Secretaria Municipal de Saúde.

SAMUEL
Após suas passagens em áreas como Educação, Cultura e Esporte na gestão atual, Samuel Cavalcante decidiu se candidatar para “tentar desenvolver um novo modelo”. Para ele, o governo de Gustavo Stupp não deu certo e o resultado das urnas é um recado para que a Câmara Municipal mude sua postura.
“Pretendo me posicionar a favor do povo, vou fazer de tudo para melhorar a condição de vida do mogimiriano”, fez questão de ressaltar. “Não vou cometer os erros que esses vereadores que saíram cometeram”, garantiu.

SÔNIA
Trabalhando há 12 anos na Polícia Civil, Sônia Regina Rodrigues viu na Política a chance de ampliar um trabalho que desenvolve voluntariamente, de forma independente: a proteção animal. Buscando inspiração no nome do tio, José Jorge Módena (o vereador mais votado da história de Mogi Mirim), Sônia emplacou sua eleição, e já está ansiosa para assumir o cargo.

Graças a sua proximidade com a Segurança Pública, pretende também buscar reforço para o setor, pedindo apoio ao deputado Delegado Olim (PP). “Vou me empenhar ao máximo, quero fazer a diferença”, garantiu.

TIAGO
Em sua segunda eleição disputada, Tiago Costa afirmou que seu envolvimento com as questões do município foi fator de peso em sua conquista nas urnas no último domingo, 02. O advogado foi uma das principais figuras na luta jurídica contra a Contribuição de Iluminação Pública (CIP) de Mogi Mirim e liderou os principais manifestos de rua contra o prefeito Gustavo Stupp.

Na Câmara, Tiago promete lutar pela independência do Legislativo. “Não quero ser nem oposição cega nem situação do amém, foram esses comportamentos que acabaram com o Brasil”, avaliou. Defensor do diálogo, o vereador eleito quer recuperar a credibilidade da classe política. “Se eu conseguir, a Câmara é fortalecida, o povo é fortalecido, a Democracia é fortalecida”, resumiu.

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