Dada como desaparecida, santa do MMEC está no Guaçu

Um caso que vinha intrigando ex-jogadores, ex-técnicos e ex-funcionários do Mogi Mirim foi esclarecido por A COMARCA nesta semana. Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, que ficava posicionada dentro do vestiário da equipe local, em cima de um altar e que desde os tempos do saudoso ex-presidente, Wilson Fernandes de Barros, era levada junto com a delegação nos jogos que a equipe disputava fora de casa, está guardada em segurança em Mogi Guaçu.

A história da imagem é emblemática. Corria o ano de 2008, quando o ex-jogador e ex-dirigente, Rivaldo Borba, assumiu a presidência do clube que o projetou no futebol brasileiro. O vestiário da equipe tinha, na época de Wilson Barros, além da imagem de Nossa Senhora, outros símbolos católicos, como um quadro do Papa João Paulo II (o qual chegou por breve período, curiosamente, antes de Rivaldo se tornar influente na direção do clube, a batizar o estádio).

Pessoas entrevistadas por A COMARCA relembram que havia uma determinação de que todos os símbolos religiosos fossem removidos. Talvez, em função do ex-jogador da Seleção Brasileira ser evangélico. Fato é que, segundo duas testemunhas daquele período, de Vanderlei Silva, 65, e que durante 40 anos foi roupeiro do clube e de Miguel Pereira da Silva, 65, funcionário do setor administrativo por mais de 20 anos, corria um boato de que havia uma ordem velada “para dar sumiço na imagem”.

Miguel Silva, católico praticante, disse que “antes que o pior ocorresse”, sem que ninguém percebesse foi até o vestiário e depositou a imagem da santa e o oratório onde ela ficava e a levou para sua casa. “Nunca contei para ninguém. Sempre guardo comigo a convicção se um dia uma nova diretoria que não tenha preconceito contra a presença dela no local onde sempre esteve, eu a devolvo com a maior satisfação”, relatou Miguel, que atualmente está aposentado e morando em Mogi Guaçu.

Vanderlei relatou outro episódio muito interessante sobre a imagem. Em dezembro de 1985, a equipe foi a São Paulo para disputar contra o Taubaté, a partida decisiva que iria determinar o tão aguardado acesso à primeira divisão, jogo disputado no Pacaembu, com vitória do Mogi por 2 x 0, gols de Eliel e Miltinho. Conta Vanderlei, que a imagem da Santa foi furtada de dentro do ônibus. O assunto ficou restrito entre ele e o presidente, Wilson Barros, para não gerar nenhum clima de baixo astral naquele momento. “Era uma imagem muito especial para o Wilson porque havia sido dada de presente por Padre Carlos Gomes Malho, figura carismática na cidade e torcedor apaixonado do Mogi”, recordou.

Terminada a campanha vitoriosa, Barros incumbiu a Vanderlei para que fosse até a cidade de Aparecida de Norte - SP e providenciasse outra imagem. “Adquiri uma e a levei para ser benta numa missa dentro da Basílica”. É essa a imagem que desapareceu.

Na conversa com A COMARCA, Miguel mostra que a imagem preservada não se encaixa dentro do oratório, onde ficava aquela que sumiu. Uma placa colada ao oratório dá uma pista do tempo em que acabou abrigando a imagem: 13 de abril de 1984.

DEVOÇÃO
Ex- atleta e ex-dirigente, que teve o privilégio de acompanhar Wilson Barros durante quase 30 anos, Henrique Stort, afirma que a imagem “fez parte da história do Mogi”. Lembrou que Barros era católico praticante e que tinha verdadeira devoção por Nossa Senhora Aparecida. “Desde 1981, quando eu jogava no Mogi, a imagem já frequentava o vestiário”, recordou. Ficou feliz ao saber que a imagem da Santa foi preservada.

A exemplo de outras pessoas que ainda transitavam pelo clube naquele período, Stort confirma que havia uma atmosfera no ar de implicância contra os símbolos católicos que existiam na sede do clube. “Este fervor religiosos era algo lindo de se ver dentro do clube. Eu não tenho dúvida alguma em afirmar que toda esta devoção acabou dando muita força para que o Wilson Barros escrevesse da forma como acabou sendo escrita, sua história como um dos mais competentes e audaciosos dirigentes do futebol do interior de São Paulo”, encerrou.


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