‘Só a história poderá me julgar’, diz Stupp

Prestes a entregar o cargo ao seu sucessor, o atual prefeito Gustavo Stupp (PDT) fez durante entrevista concedida com exclusividade para A COMARCA, na última quarta-feira, 21, uma abordagem genérica do período de quatro anos em que foi o chefe máximo do Poder Executivo local. Durante cerca de meia hora falou a respeito de vários temas relacionados à sua administração e ao quadro político local.

Gustavo Stupp disse que deixa a Prefeitura com a sensação de que poderia ter feito mais, atribuindo a fatores externos o fato de não ter obtido sucesso em algumas bandeiras que defendeu durante a vitoriosa campanha que o elegeu em 2012.

“Não se trata de arrumar desculpas, mas o fato é que o país caminhou para trás nos últimos dois anos. A situação de mais de 90% dos municípios brasileiros é calamitosa e isso não sou eu quem está afirmando. Está aí no noticiário para todo mundo ver”, alegou o prefeito. “Diante dessa situação, ainda conseguimos cumprir muitos compromissos inadiáveis, como o pagamento do 13º salário do Funcionalismo”, colocou.

Stupp mencionou ainda que ao longo de quatro anos teve que arcar com gastos extraordinários, citando especificamente o caso dos precatórios trabalhistas e das obras contratadas na última gestão de Carlos Nelson Bueno (2009-2012). “Só com precatórios trabalhistas foram cerca de R$ 1 milhão em média por mês”, frisou.

O prefeito lembrou ainda que, quando iniciou seu mandato, assumiu dívidas na ordem de R$ 30 milhões (versão essa – vale lembrar – sempre contestada por Carlos Nelson) e que deixa menos de um terço desse montante para o sucessor.

Mais ainda, sem entrar em maiores detalhes, Stupp informou que a Prefeitura está em batalha judicial com o Banco Itaú para recebimento de Impostos Sobre Serviços. Estima que seu sucessor, Carlos Nelson Bueno (PSDB), poderá dispor de algo que gira em torno de R$ 160 milhões, “se tudo der certo”.

Gustavo Stupp afirmou para A COMARCA que confia que Mogi Mirim estará, num futuro próximo, em uma situação muito mais confortável. “Os próximos anos serão bons para Mogi Mirim, não tenho dúvida disso”, declarou.

O atual chefe do Executivo acredita que sua gestão deixa elementos positivos que serão reconhecidos futuramente. “A história é quem vai julgar minha gestão”, posicionou-se.  Menciona que deixa para Carlos Nelson a implantação de um programa de modernização tributária e na gestão de planejamento (PMAT), a área de Educação com excelentes indicadores e um trabalho na área de Saúde, o qual, segundo ele, foi sua “grande marca”.

“O investimento em reforma, modernização e construção de novas UBSs, aliado àquele que fizemos na Santa Casa, elevou o atendimento médico do município a um outro patamar. Isso é inegável”, defendeu Stupp.

“Ampliei o leque de atendimento especializado junto à Santa Casa em mais de três vezes se for comparado o período anterior. Foi um acordo que foi bom para o município e para a instituição. Antes disso o que tínhamos era um déficit de atendimento monstruoso. Sinceramente, torço para que esta parceria com a Santa Casa seja mantida e ampliada”, desejou.

Questionado se esse seu discurso não ia contra os fatos recentes, quando a Santa Casa tornou público um calote milionário que a Prefeitura deu ao não honrar um acordo realizado, Stupp considerou o caso “pontual”. Ele afirma que a situação desse final de mandato espelha exatamente a dimensão do custeio estabelecido e que num momento de queda de arrecadação um problema mais sério acabou aparecendo, “mas tratado em conjunto com a própria entidade”.


IMAGEM
Stupp também falou a respeito da imagem desgastada com que sai da Prefeitura. Ele disse não se incomodar com esse tipo de avaliação, afirmando que ela decorre do atual momento vivido pela classe política. “A população está desgostosa com a classe política como um todo. Os políticos estão desacreditados. Isso faz com que todos os dirigentes, parlamentares, homens públicos, sejam tragados pelo mesmo redemoinho”, avaliou.

No plano local, o prefeito afirma ainda que a oposição ao seu grupo político “foi muito competente” no trabalho de desconstrução de sua imagem. “Apanhei muito em quatro anos. Na grande maioria das vezes de forma injusta. A oposição teve competência em disseminar fatos desabonadores na conduta minha pessoal e de minha equipe. Isso foi fatal para que minha popularidade despencasse”, acredita.
Neste ponto da entrevista, Stupp fez um mea culpa: “Quando começamos nossa administração, houve um entusiasmo muito grande, uma vontade de transformar e modernizar a cidade. Com o passar do tempo nos deparamos com dificuldades, as quais não estávamos preparados. Faltou, talvez, me cercar de pessoas mais experientes, sabe? Mais cabelo branco”, ponderou.

Finalizando, Gustavo Stupp disse que pretende retomar a vida que tinha antes de ser prefeito, “frequentar os mesmos lugares, ser a mesma pessoa”. Disse que profissionalmente pretende retomar seus projetos de marketing comercial e político.

Indagado se não fica constrangido com a imagem que fizeram dele de uma pessoa que teria se enriquecido com a atividade política, Stupp disse que essa é outra situação que “o tempo vai mostrar quem tinha razão”. Ele afirma categoricamente que foram criadas “lendas” sobre sua vida pessoal, as quais garante não terem qualquer tipo de fundamento. “Tudo o que possuo foi construído antes de eu ser prefeito. Que isso fique bem claro”, encerrou.

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