Santa Casa fecha as portas e médicos em greve atendem apenas emergências

Mogi Mirim está sem Pronto Atendimento público. Desde ontem, 20, os médicos da Unidade de Atendimento Não Agendado (Uana) e do PA-Convênios da Santa Casa de Misericórdia estão de braços cruzados devido ao atraso de dois meses consecutivos no pagamento dos salários. Apenas casos de urgência e emergência serão atendidos no Hospital.

A paralisação teve início logo no começo da tarde. Ao meio-dia de ontem, o provedor da Santa Casa, Josué Lolli, recebeu uma notificação do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região comunicando o início imediato da greve e solicitando com urgência uma reunião com a direção do hospital para tratar das negociações para o pagamento dos salários em atraso.

A crise na Santa Casa é resultado do atraso no pagamento dos convênios firmados com a Administração Municipal. Desde o ano passado, a Prefeitura não paga regularmente o hospital e os débitos se acumularam por dois meses consecutivos, somando um total de R$ 2,2 milhões. Consequentemente, os médicos que trabalham no Pronto Atendimento estão trabalhando sem remuneração.

Uma faixa colocada na porta da Uana, que agora permanece de portas fechadas, deixa explícito ao público o motivo da paralisação: “médicos em greve por falta de pagamento”. Pouco antes das 13 horas de ontem, a ajudante de cozinha Sandra Mara Fávero, moradora da Vila Dias, recorreu à Santa Casa com fortes dores no rim, febre e uma suspeita de infecção urinária. Após a triagem, não foi enquadrada como caso de urgência ou emergência. Logo, não foi atendida.


“Não tiro a razão deles [médicos], mas custa atender?”, questionou para a reportagem de A COMARCA, que acompanhou o início da greve no hospital. “Nunca tive problema com a Santa Casa, mas para ser atendido ultimamente está sendo uma luta”, reclamou. “Estou morrendo de dor, quero saber se é grave ou não”, disse ainda. Depois de pouco mais de uma hora esperando, sem perspectiva de atendimento, foi embora para o Hospital Municipal “Tabajara Ramos”, na vizinha Mogi Guaçu. O mesmo caminho feito por outros pacientes.

A greve no Pronto Socorro é por tempo indeterminado. “Mas ninguém vai por falta de atendimento”, garantiu o provedor da Santa Casa. Josué Lolli estava conversando com jornalistas locais no exato momento em que recebeu a notificação do sindicato sobre a paralisação. Lamentando a situação, ele revelou à imprensa que se a Prefeitura pagasse ao menos um mês de salários atrasados, as negociações com os médicos seriam positivas e a greve poderia ser evitada.

Atualmente, está em vigor um convênio entre Prefeitura e Santa Casa para o funcionamento da Uana que prevê um pagamento mensal de R$ 665 mil. Esse convênio foi assinado em novembro, diante do fim do mandato de Gustavo Stupp e do próprio contrato entre as partes, e tem validade por três meses.

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