Mogimiriano trabalha na Fórmula 3

O mogimiriano Renan Vinícius Prado Madruga é um exemplo clássico de que com perseverança e muito trabalho é possível alcançar o sonho de atuar na área de formação. Com apenas dois anos de conclusão acadêmica ele já atua na equipe PropCar Racing da Fórmula 3 Brasil e vive o mundo do automobilismo 24 horas por dia.

Não bastasse isso, ele já atua como o engenheiro responsável pelos quatro carros da equipe e se dedica em tempo integral a uma vida de motores, suspenções, parafusos e muito cheiro de gasolina especial.
Formado pelo Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana “Padre Sabóia de Medeiros” (FEI) ele revela que sua profissão requer dedicação total e atenção redobrada a tudo que ocorre com os veículos. Por isso mesmo ele é engenheiro de competição, de pista, gerencia toda parte técnica e ainda avalia o desempenho dos veículos volta a volta. Atualmente, a equipe possui quatro carros, sendo dois na categoria principal e quatro na light.

Apesar da grande oportunidade logo no começo da carreira, Vinícius disse que ainda se sente um principiante e prefere manter os pés no chão e o olho nos mais experientes. O fato de executar várias funções ao mesmo tempo, segundo confidenciou, dá a ele mais experiência que em uma grande equipe, nas quais há um profissional para cada área.

Por se tratar de uma competição, em que o carro tem de estar 100%, e que a diferença de tempo de um carro para o outro é quase nada, as respostas para qualquer tipo de problema têm de ser muito rápidas. “Em Cascavel, por exemplo, fizemos uma corrida no sábado sob sol intenso e temperatura elevada, e no domingo a temperatura despencou mudando totalmente as condições da pista. Nessa hora você tem de ter a sensibilidade de mudar tudo e preparar o carro para as novas condições”, disse. O resultado foi o pódio no sábado e no domingo.

Apesar de ser o responsável direto pelas condições dos carros da equipe, Madruga não esconde que, em uma equipe de corrida, 80% do mérito é do piloto, 15% é do carro e 5% da engenharia. Por isso mesmo ele revela que precisa de estar sempre se superando e deixando o carro o mais afinado possível. “Não adianta ter o melhor engenheiro do mundo na equipe se o piloto não for bom. O carro não vai andar como queremos”, apontou.


O engenheiro também lembra que há uma máxima no automobilismo que se o piloto ganha a prova é porque ele é bom. Se perde é porque o carro é ruim. Por isso mesmo ele revela que seu trabalho é de muito esforço e superação para que no momento da largada tudo esteja em dia e o carro tenha o rendimento que todos esperam. Para efeito de mídia, apenas o piloto aparece.

CONTATOS
O mundo do automobilismo, segundo explica o mogimiriano, é de muitos contatos, já que o circo da Fórmula 3 percorre todo o Brasil ao longo do ano. Por isso mesmo, o engenheiro revela ter conhecido muitos nomes famosos do esporte sobre quatro rodas ao longo dos últimos anos. “É sempre muito interessante conhecer pessoas como Nelson Piquet, Rubens Barrichello, entre tantos outros que tem bagagem e podem nos ensinar algo”, disse.

Apesar disso, ele lembra que é preciso ser mais profissional que nunca e mostrar o melhor serviço, afinal a categoria é uma vitrine, tanto para pilotos quanto para os demais profissionais.

Apesar do envolvimento com o automobilismo brasileiro, o engenheiro mogimiriano revela que não tem o sonho de atuar na Fórmula 1. Ele conta que tem em mente viver outras experiências no campo profissional, como é o caso da categoria rally ou o campeonato mundial de protótipos.

Conforme disse, tais competições são de longa duração chegando a 24 horas, como é o caso de Le Mans. Neste caso especificamente, os profissionais são mais exigidos e o compromisso mais intenso. “Participaria desse tipo de competição mais pelo gosto mesmo”, contou.

No Brasil, há alguns campeonatos como o Endurance, mas ainda em um estágio embrionário e ainda requer muito desenvolvimento. Na região sul do país, o campeonato dessa modalidade é mais forte e mais atraente. Mesmo assim, os realizados no exterior estão bem mais evoluídos.

 O engenheiro da PropCar Racing, que já esteve no pódio muitas vezes para comemorar com sua equipe o êxito do trabalho em conjunto, revela que ainda hoje se arrepia quando ouve o ronco dos motores no grid de largada. “Há momentos que eu estou ali na pista, olho ao redor e nem acredito que tenho tanta responsabilidade em uma prova como aquela”, desabafou.

Na atualidade, o autódromo de Interlagos é o escritório do profissional que, incansavelmente testa todos os itens dos veículos para darem o seu melhor na pista. Ele revela que nunca pensou em trabalhar na área, pois quando garoto viu sua paixão passar por helicópteros, aviões e até carros.
Ainda na infância, ele brincava com carrinhos já pensando em provas, mas nunca pensou que seria o responsável por uma equipe. “Esse tipo de coisa é muito louca, não sei explicar é só sentir o ronco dos motores e o coração dispara”.

Com dois anos de Fórmula 3, o mogimiriano garante que com a prática diária do trabalho, ele já consegue verificar quando um carro está afinado como gostaria ou não. Ainda não sou tão experiente, mas já consigo apontar algumas coisas somente pelo desempenho na largada. (Contribuição do jornalista Nelson Victal do Prado Júnior)

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