O futuro da indústria nas mãos da Etec

Mogi Mirim está próxima de ser a protagonista brasileira da 4ª Revolução Industrial. Isso depende do sucesso de uma parceria que tem a Escola Técnica Estadual (Etec) “Pedro Ferreira Alves” como peça principal do quebra-cabeças da chamada Indústria 4.0 – ou “Indústria do Futuro” –, que pretende mudar o modelo de produção das fábricas como o conhecemos hoje.

Na semana passada, um consultor do Ministério da Educação da Alemanha esteve na Etec mogimiriana. Dr. Jörg Reiff-Stephan, professor da Universidade Wildau de Ciências Aplicadas conheceu as dependências da escola e assinou um protocolo de intenções juntamente com o diretor da Etec, André Luiz dos Santos, e com o diretor da Faculdade de Tecnologia (Fatec) “Arthur de Azevedo”, André Giraldi.

A intenção é uma parceria entre Etec, Fatec e a universidade alemã, com o objetivo de proporcionar um intercâmbio de conhecimentos entre alunos e professores. O foco é o aprimoramento sobre a Indústria 4.0 e a 4ª Revolução Industrial. “O professor Jörg ficou impressionado com o que nós temos”, relatou o diretor da escola técnica.

Não é para menos. De acordo com Santos, o laboratório de manufatura da “Pedro Ferreira Alves” está avaliado em R$ 1,5 milhão. É a única unidade escolar dentre as 220 Etecs e 66 Fatecs administradas pelo Centro Paula Souza que possui uma célula composta por equipamentos de ponta. “Ninguém tem algo parecido com a Etec Mogi Mirim, quem chega próximo é a USP (Universidade de São Paulo)”, comparou o diretor.

Tamanha tecnologia atraiu a Festo, empresa com matriz na Alemanha e presente no Brasil desde 1968 e líder nacional em automação industrial. Ela era velha conhecida da Etec desde projetos desenvolvidos anteriormente, em conjunto. Agora, os empresários alemães querem fechar uma nova parceria para o uso do laboratório de manufatura da Etec, o único do Brasil capaz de se transformar em um polo tecnológico com um investimento considerado muito baixo, na ordem dos R$ 50 mil.

Mas quem sai ganhando com essa parceria? Tecnicamente, todos. “Os benefícios ultrapassam os muros da Etec”, resumiu Santos. Etec e Fatec, ao integrar seus equipamentos, se transformam em um Polo de Manufatura Avançada do Estado de São Paulo. Empresas da região poderão capacitar aqui seus funcionários para a Indústria 4.0 e a Festo larga na frente na automação industrial da 4ª Revolução.

O diretor da Etec, André Luiz dos Santos, e o professor Jörg, consultor do Ministério da Educação da Alemanha

ENCAMINHADO
O projeto foi levado em segredo na Etec durante alguns meses. Antes de tornar pública a boa nova, o diretor André Luiz dos Santos quis garantir para Mogi Mirim o posto de polo tecnológico do estado. Para isso, convocou o prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB), a secretária municipal de Educação Flávia Rossi e o deputado estadual Barros Munhoz (PSDB) numa força-tarefa para que o projeto de parceria com a Festo fosse apresentado com ainda mais peso ao Centro Paula Souza.

Santos agora aguarda a palavra final da diretora-superintendente do Centro, professora Laura Laganá. Enquanto isso, o diretor continua angariando apoio. Na última segunda-feira, 13, detalhou o projeto aos vereadores da Câmara de Mogi Mirim. Deve fazer o mesmo com empresários da região. Não só a Festo, mas a Mitsubishi também já demonstrou interesse em investir na Etec. “Pode ser uma luz muito forte no fim deste túnel”, frisou Santos.

TRANSFORMAÇÃO
Assim que o Centro Paula Souza bater o martelo, Etec e Fatec vão precisar se preparar. Capacitações nacionais e internacionais dos professores já estão programadas. A matriz curricular das unidades de ensino também precisará passar por uma revisão e se adequar ao conceito de manufatura avançada.
Em setembro passado, uma capacitação sobre a Indústria 4.0 já foi ministrada pela Festo, em parceria com Etec e Fatec de Mogi Mirim, para as escolas técnicas de Amparo, Itapira e Mogi Guaçu. Em março deste ano, o 2º Simpósio de Iniciação Científica também deve ser realizado com base nesses conceitos.

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