Polícia investiga “falso” veterinário em Mogi Mirim

Denúncias anônimas levaram a Guarda Municipal até uma clínica veterinária localizada na Rua Marciliano, região central da cidade, na manhã de ontem, 03, para averiguar se um rapaz de 27 anos estaria praticando medicina veterinária sem ter concluído o curso em uma faculdade.

Os guardas Adriano, Silvestre, Francisco e Uveda, apoiados pelos departamentos de Vigilância Sanitária, Fiscalização e veterinários da Prefeitura Municipal, estiveram no local após averiguarem por três dias as denúncias e realizar contato com o Conselho Regional de Medicina Veterinária.

Ao chegarem ao estabelecimento, os guardas municipais buscavam por Diego Fernando Mauro, de 27 anos, que teria atendido por diversas vezes populares e se passava por veterinário, inclusive teria realizado cirurgias em animais.

Quando os guardas chegaram ao local, o suspeito não estava, somente o proprietário da clínica, que seria veterinário e teria negado as denúncias. No entanto, pessoas que teriam sido atendidas no local, possuem fotos e documentos que provam o contrário.

O local foi vistoriado e inúmeras irregularidades foram constatadas pelos órgãos competentes, desde medicação vencida, medicamentos com datas suprimidas, falta de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), entre outras irregularidades, que acabaram acarretando na lacração da clínica.

Enquanto as autoridades estavam no local, Diego chegou e negou todas as denúncias, informando que trabalharia no local como atendente. Animais que estariam internados na clínica foram recolhidos por seus proprietários.

O caso foi apresentado na Polícia Judiciária, que deverá dar prosseguimento nas investigações, inclusive ouvindo outras vítimas, além das que foram apresentadas no momento da ação policial.


Vítimas afirmam terem sido atendidas 


Duas mulheres que teriam levados seus animais de estimação à clínica veterinária relataram à reportagem de A COMARCA que foram atendidas por Diego Mauro, que se apresentou como veterinário, inclusive em um dos casos, ele teria realizado um procedimento cirúrgico.

Uma das vítimas, Camila Rodrigues, de 30 anos, relatou que em novembro passado, sua cachorra entrou em trabalho de parto fora do horário comercial e buscou informações sobre um profissional veterinário, sendo que a ela foi indicada tal clínica.

Ela levou seu animal ao local e foi atendida por Diego, que realizou o parto e permitiu, o que seria proibido, que ela assistisse à cesárea. Segundo seus relatos, durante o parto a cachorra chegou a acordar por duas vezes, o que acabou ocasionando que uma veia fosse rompida e o animal teria sofrido hemorragia. Ela ficou desnutrida após o processo operatório.

Camila ainda contou que ele prescreveu medicamentos que ela não teria conseguido comprar e acabou fazendo o contato com um outro veterinário para indagar por qual medicamento poderia trocar o receitado. O profissional da outra clínica, ao saber do medicamento, informou Camila que tal remédio não poderia ser ministrado, pois poderia acarretar na morte dos filhotes. Foi com isso que ela passou a desconfiar que algo poderia estar errado e ao verificar mais cuidadosamente a receita, percebeu que “o veterinário” teria deixado de assiná-la.

“Graças a Deus minha cachorra se recuperou, mas tomei conhecimento de que outras pessoas acabaram por perder seus animais de estimação. Quero que ele se arrependa e que o responsável por permitir tudo isto, pague pelos erros”, concluiu Camila.

Uma outra vítima, Rosa Maria Mariano da Silva, estava com sua cachorra internada no momento da ação policial no estabelecimento. Ela contou que na noite da terça-feira, 28, sua cachorra poodle, começou a passar mal e fora do horário comercial, buscou por ajuda através de uma rede social, sendo que foi indicada à clínica que faria atendimento 24 horas.

Ela se dirigiu para o local e foi atendida por Diego, que teria realizado os procedimentos na cachorra, inclusive feito pedidos para exames complementares. Rosa contou que no ato do atendimento teria sido cobrado o valor de R$ 240,00 e que teria sido pedido mais R$ 200,00, pois o animal teria que permanecer internado.

A vítima contou que somente na quinta e sexta-feira teria tido o contato com o proprietário da clínica. Sua cachorra foi um dos animais retirados do local antes da interdição.


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