Antigo frigorífico pode dar lugar a novo empreendimento

O que restava do antigo prédio onde um dia funcionou o frigorífico A Paulista, nos primeiros quarteirões da Rua Dr. João Theodoro, foi derrubado nessa semana. A reportagem de A COMARCA esteve no local e constatou o ritmo frenético da remoção dos entulhos. Parte da fachada transversal, na Rua Padre José, ainda permanece intacta, mas deverá ser por pouco tempo.

Conforme apurado, os proprietários do imóvel podem dar início a construção de um novo empreendimento, havendo especulação de que pode ser um estacionamento ou um novo hotel. O proprietário não retornou às ligações feitas pela reportagem de A COMARCA. Uma fonte, porém, comentou sob condições de sigilo, que a ordem é “limpar o terreno”.

Num momento onde carne e embutidos feitos no Brasil invadem o noticiário policial, falar do frigorífico A Paulista é desempoeirar um período no qual os produtos ali fabricados projetavam o nome de Mogi Mirim para muitas cidades da região. Salsichas, apresuntados e principalmente a mortadela ali fabricados tinham um sabor inigualável, com receitas trazidas pelas famílias de origem austríaca e alemã Lichtscheidl e Tesch, que deram início o empreendimento por volta do começo da década de 1950.

O oficial de justiça aposentado Roberto Gasparini diz que sempre ouvia com atenção as histórias relatadas por seu falecido tio, Luiz Gasparini, que trabalhou no local por mais de 30 anos. “Ele dizia da qualidade com que os produtos eram selecionados, dos equipamentos utilizados e do aroma que ficava nos arredores de todo o quarteirão. Eu mesmo cheguei a provar muitas vezes e de fato eram produtos de ótima qualidade, inigualáveis”, relembrou.

A aposentada Cecília Pila, lembra que o saudoso esposo, Ismael Antonio Pila, foi um dos primeiros funcionários a levar encomendas em uma perua Kombi para muitas cidades da região. “Havia uma demanda muito grande. Os estabelecimentos atendidos aguardavam sempre com muita ansiedade a visita dos funcionários da empresa. Os produtos faziam muito sucesso, especialmente a mortadela”, relembrou.

O fotógrafo Antônio Bueno dos Santos, o popular Penha é outro que lembra com saudosismo daqueles tempos. Seu pai, José dos Santos, mais conhecido como Zé da Penha também trabalhou muitos anos no local. “Eu me recordo com muito carinho daqueles tempos. Eu frequentava a fábrica e era amigo do pessoal. Não tem como esquecer”, encerrou.



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