Assembleia do Mogi termina em tumulto

Flávio Magalhães

Terminou em tumulto a assembleia geral ordinária realizada na noite de quinta-feira, 27, no Mogi Mirim Esporte Clube. Houve bate-boca entre membros da diretoria e pessoas ligadas ao movimento S.O.S. MMEC. Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil no fim da noite.

A assembleia geral, convocada pelo presidente Luiz Henrique de Oliveira através de edital publicado no jornal A COMARCA da semana passada, tinha como objetivo a prestação de contas do ano passado. Foram chamados a participar, conforme a publicação, apenas os “associados em situação regular com suas obrigações sociais”.

Antigos sócios do clube, que questionam o processo de recadastramento iniciado pela gestão atual, entraram com uma ação liminar na Justiça para poderem acompanhar a assembleia. A juíza da 4ª Vara da Comarca de Mogi Mirim, Maria Raquel Campos Pinto Tilkian Neves, acolheu o pedido, anulando a resolução do MMEC que criara o recadastramento e garantindo o direito dos autores do processo de participar da reunião.

“A realização de nova assembleia nesta data, sem que supostos associados não recadastrados pudessem tomar parte dela, evidencia a existência de perigo de dano irreparável ou de difícil reparação”, considerou a juíza em sua decisão, a qual A COMARCA obteve acesso. Na interpretação dos membros do S.O.S. MMEC, isso garantiria a participação de todos.

Contudo, não foi isso que aconteceu. Notificado da decisão judicial minutos antes da assembleia, Oliveira permitiu apenas que os autores da ação entrassem no estádio “Vail Chaves”, porque, segundo seu entendimento, a liminar concedia apenas a eles o direito de participação na assembleia.

Dos três autores da ação (O jornalista e atual vereador Geraldo Bertanha e os aposentados e ex-dirigentes do clube José Hamilton Turola e João Carlos Bernardi), apenas Bernardi estava presente. Dois advogados do movimento S.O.S. MMEC, José Carlos Fernandes e Aluísio Bernardes Cortez, também tentaram participar da assembleia, mas foram barrados e colocados para fora do estádio.

Foi no momento em que Bernardi e o advogado Rafael Assin (que ingressou com o pedido liminar na Justiça) entravam nas dependências do “Vail Chaves” que os ânimos se exaltaram. Membros da diretoria, do movimento S.O.S. MMEC e da Torcida Organizada Mancha Vermelha ficaram frente a frente. Houve bate-boca e, no momento mais tenso, o primeiro tesoureiro Diego Santos de Oliveira – filho do presidente do Mogi – questionou o trabalho das reportagens de A COMARCA e O Popular e derrubou o celular do empresário Rogério Manera, que filmava o acontecido.

Apenas depois desse episódio a assembleia pode transcorrer. Além de Bernardi e Assin, o advogado Betellen Dante Ferreira também participou, como procurador do ex-jogador e ex-presidente Rivaldo Ferreira. Os membros do S.O.S. MMEC adiantaram à imprensa que pretendem impugnar a reunião de anteontem, sob o argumento de descumprimento de ordem judicial.

Grupo S.O.S. MMEC tentou participar da assembleia, mas foi barrado


OUTRO LADO
De início, o presidente do Mogi Mirim não retornou as solicitações de entrevista da imprensa. Mais tarde, por volta das 22 horas, atendeu exclusivamente a reportagem de A COMARCA e se justificou. “Eu não converso mais com O Popular nem com o Grande Jogada”, disse, fazendo questão de que seu posicionamento fosse registrado. Oliveira considera que ambos os jornais “estão a serviço” do movimento S.O.S. MMEC.

Durante a entrevista, o mandatário revelou os números do exercício de 2016. Uma receita superior a R$ 5,1 milhões e uma despesa pouco maior que R$ 6 milhões. Já o prejuízo no ano passado foi de R$ 684 mil. As dívidas totais do clube (longo prazo) ultrapassam os R$ 11,6 milhões. O balanço completo, segundo o presidente, foi disponibilizado ontem, 28, no site da Federação Paulista de Futebol (FPF).

Oliveira exaltou a curva decrescente do endividamento do clube, comparando os resultados de 2016 aos de anos anteriores. Em 2014 o prejuízo foi de R$ 2,6 milhões. No ano seguinte, quando começou sua administração, o déficit ficou em R$ 1,7 milhões. “Somos tão criticados pela gestão, mas estamos sendo austeros”, destacou.

Para A COMARCA, o presidente do Mogi Mirim diz que não pensa em um novo mandato – as eleições para a nova diretoria ocorrem no final do ano – e admite até a hipótese de renúncia. “Não sou de desistir fácil, mas todas as possibilidades estão abertas”, pontuou. “Difícil é encontrar pessoas sérias para administrar”, completou.

Oliveira também garantiu que não haverá mais diálogo com o grupo oposicionista. Tudo será tratado na Justiça. “Oposição nos faz crescer, desde que venha para ajudar. Que interesse tenho de conversar com os mesmos que tentaram me aplicar um golpe e me derrubar com dois meses de mandato?”, colocou.

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