Em crise e com Centro Cirúrgico parado, Santa Casa pode sofrer nova intervenção

Por Flávio Magalhães 

A grave crise financeira e de gestão que afeta a Santa Casa de Mogi Mirim pode resultar em uma nova intervenção. Na tarde de sexta-feira, 31, o hospital comunicou a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério Público local e demais órgãos competentes sobre a paralisação da UTI Adulto, da UTI Neonatal, das internações e realizações de cirurgias eletivas, bem como dos exames de endoscopia e colonoscopia.

O documento, assinado pelo provedor Dílson Guarnieri, pelo tesoureiro Milton Braz Bonatti e pelo diretor técnico Dr. Ricardo Fazani aponta que a Santa Casa sofre com a falta de insumos básicos como medicamentos e materiais para tratamento e cuidados com os pacientes. A paralisação, portanto, seria uma “situação emergencial visando à segurança dos pacientes internados e a garantia do atendimento aos pacientes em situação de urgência”.

Ainda na sexta, aliás, o provedor Dílson Guarnieri entregou o cargo e pediu o desligamento da Irmandade. Os motivos não foram informados até o fechamento desta reportagem. O fato é que a Santa Casa perde o seu segundo provedor em dois meses. Em fevereiro, Josué Lolli saiu após o fim da greve que paralisou o hospital por quase duas semanas.

Também ganhou publicidade o comunicado da Dra. Joana Riera Lima, responsável técnica pela UTI Neonatal da Santa Casa, sobre a dramática situação do setor. Ela relatou que o Conselho Regional de Medicina já avalia a suspensão total dos serviços a qualquer momento, até que as condições mínimas sejam estabelecidas. “É com tristeza e pesar que nos deparamos com esse retrocesso: a possibilidade real do fechamento desta unidade”, resumiu.

Após a saída do provedor, o diretor técnico Dr. Ricardo Fazani assinou um novo comunicado, dessa vez ao público geral, reforçando o momento de crise pelo qual a Santa Casa atravessa. Ele confirmou a suspensão do atendimento em todos os setores do hospital, exceto em casos de urgência. “Tão logo a falta de materiais e medicamentos seja resolvida, a Instituição voltará a oferecer os atendimentos eletivos normalmente”, frisou.

A reportagem de A COMARCA apurou que a Prefeitura observa com apreensão a crise na Santa Casa e que vem, inclusive, efetuando aportes financeiros com certa antecedência, na tentativa de minimizar a situação de crise no hospital.

O promotor de Justiça Rogério Filócomo Júnior, acionado através de ofício enviado pelo hospital, analisou preliminarmente que a crise da Santa Casa decorre de um problema de gestão interna, já que a Prefeitura tem honrado os pagamentos em dia. “Demonstra, num primeiro momento, até um certo amadorismo da instituição”, avaliou.

O representante do MP acredita que medidas mais enérgicas podem ser tomadas. “A situação abre possibilidade para uma intervenção na Santa Casa, seja jurídica ou administrativa”, apontou. Filócomo também solicitou esclarecimentos por parte do hospital e do Poder Executivo municipal. “Não há diálogo entre as partes? Será que tudo precisa ser concentrado pelo Ministério Público?”, questionou.

Segundo informações, o governo de Carlos Nelson Bueno (PSDB) não teria a menor intenção de realizar uma intervenção na Santa Casa, como já ocorreu em 2012. Até porque, a Prefeitura não reúne condições financeiras de sustentar o hospital. O promotor, contudo, adiantou que se uma intervenção judicial for realizada pela Justiça, o MP tende a indicar a secretária de Saúde Rose Silva como interventora.


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