“Eu só gostaria de saber o que aconteceu”

Há 22 anos, Antonio Carlos de Souza Moreira é motorista da Prefeitura. Há mais de três anos ele vinha sendo o responsável pela linha que levava estudantes residentes no bairro de Vergel para escolas da rede pública mogimiriana. Um triste episódio ocorreu por volta das 12h00 do dia 25 de novembro do ano passado, quando uma criança de cinco anos foi encontrada morta logo após desembarcar do coletivo conduzido por Antonio Carlos.

À época, ele chegou a ser apontado como responsável pelo atropelamento da criança, mas logo a polícia entendeu que o motorista do ônibus não havia causado aquela fatalidade. Na ocasião, a menina de cinco anos havia desembarcado próximo de sua casa, em Vergel, e Antonio Carlos, sem saber do que aconteceria em seguida, seguiu caminho e percorreu seu trajeto por aproximadamente 40 minutos, até ser interceptado por uma viatura da Polícia Militar.

Em novembro passada, garota de cinco anos foi encontrada morta no Vergel

“O policial me parou dizendo que eu havia causado um acidente e que uma menina havia sido atropelada. Perdi o chão com aquela situação”, disse Antonio Carlos, em entrevista na tarde de sexta-feira, 26, para A COMARCA. O motorista viajava acompanhado de um monitor da Secretaria Municipal de Educação, que auxiliava o trabalho de embarque e desembarque dos estudantes. “Aquele dia estava igual aos outros. Nada de errado havia acontecido. A criança saiu do ônibus como outra qualquer, com o cuidado que sempre tivemos com os estudantes”.

As investigações passaram a avançar e existe uma evidência em favor do motorista: não foram encontrados sinais de atropelamento no coletivo. Outra informação divulgada à época se referia ao fato de a criança ter tido a cabeça esmagada pelo pneu do ônibus, fato desmentido pela polícia. Na verdade, a criança teria sofrido uma pancada na nuca, o que foi suficiente para causar a morte.

A vítima desceu no ponto sozinha. Não havia ninguém próximo ao local, segundo apurou a reportagem. “Andei mais uns 200 metros até descer mais um grupo de alunos. Estava tudo normal”, recordou Antonio Carlos. O motorista ficou afastado do serviço durante dois meses. Foi reincorporado na equipe e voltou a trabalhar, entretanto, em uma nova linha. Mesmo assim, assegura que manteve amizades em Vergel devido ao longo tempo de serviços prestados.

“As pessoas me conhecem, sabem da minha seriedade, nunca conduzi um ônibus sob efeito de álcool ou de qualquer coisa. Eu quero saber como essa criança morreu, porque se sinto uma dor quase insuportável, imagine, então, os pais desta criança, seus familiares”, desabafou, bastante emocionado. Antonio Carlos tem procurado saber na própria polícia o desfecho da investigação, que não indica culpados. O caso corre o risco de ser arquivado pela falta de identificação do verdadeiro autor do atropelamento.

Antonio Carlos aguarda o resultado da investigação, mas indica que o local do acidente é um trecho perigoso, onde motoristas costumam passar pelo trecho em alta velocidade. “Lamento profundamente o que houve, não passo um dia sem pensar naquela situação, mas eu sei que não fiz nada de errado, não atropelei aquela menina e gostaria de saber, assim como todo mundo, o que houve naquele dia”, completou.

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