Pai de Heloiza, menina de cinco anos morta atropelada no Vergel, clama por Justiça

Heloiza Vieira de Souza, de cinco anos de idade, fazia a mesma rotina todos os dias. Ela era acordada cedo pelo pai Paulo Sérgio de Souza, trocava de roupa, tomava café e esperava, em frente de casa, o ônibus escolar cedido pela Prefeitura para se dirigir até a escola. Na volta, fazia o mesmo trajeto. A história de Heloiza foi interrompida às 11h45 do dia 25 de novembro do ano passado.

A menina, que é fruto do primeiro casamento de Paulo Sérgio, morreu tragicamente em causas que ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil. Heloiza foi atropelada no ponto situado em frente de sua casa, no Horto de Vergel. A menina teve a estrutura do crânio destruída, supostamente por um veículo pesado. Para o pai e para testemunhas que encontraram Heloiza morta logo após a tragédia, não existem dúvidas: a menina pode ter sido atropelada pelo próprio ônibus escolar.

Paulo Sérgio procurou a reportagem de A COMARCA logo após o jornal ter publicado entrevista com o motorista Antonio Carlos de Souza Moreira, que conduzia aquele coletivo. À época do acidente, Antonio Carlos chegou a ser apontado como responsável pelo atropelamento da criança. A polícia ainda apura o caso, embora o inquérito, até o momento, seja inconclusivo.

Na ocasião do acidente, a menina de cinco anos havia desembarcado próximo de sua casa, em Vergel, e Antonio Carlos, sem saber do que aconteceria em seguida, seguiu caminho e percorreu seu trajeto por aproximadamente 40 minutos, até ser interceptado por uma viatura da Polícia Militar. “O policial me parou dizendo que eu havia causado um acidente e que uma menina havia sido atropelada”, disse Antonio Carlos, em entrevista publicada no mês passado por A COMARCA.

O motorista viajava acompanhado de Luiz Carlos Nunes, que embora prestasse serviço de monitor da Secretaria Municipal de Educação, atua como serviços gerais na Prefeitura. O trabalho de investigação ficou prejudicado por inúmeros pontos. A começar pelo corpo da menina, cujo o pai, ao se deparar com a tragédia, foi aos braços da filha – o que poderia ter comprometido a perícia. Outro ponto é que o ônibus seguiu caminho. E boa parte do trajeto fica em estrada de terra, o que poderia contribuir para o desaparecimento de provas materiais, como marcas de sangue no ônibus.

O motorista chegou a informar para A COMARCA que a criança havia sofrido uma pancada na cabeça, o que teria causado a morte, mas a reportagem teve acesso a cópia do inquérito. A menina sofreu afundamento no crânio. O ferimento no crânio, atesta o laudo da perícia, foi causado por “energia mecânica deformadora no segmento cefálico”, o que causou a deformação.


Para o pai de Heloiza, não existem dúvidas que se tivesse sido atropelada por um outro veículo que havia passado depois do desembarque do ônibus, o impacto poderia jogá-la para longe, causando ferimentos em outras partes do corpo. Neste caso, apenas a cabeça foi atingida. E para causar mais suspeitas da família, Heloiza foi encontrada quase que no centro da rua, no ponto onde costumava desembarcar, com o material escolar ao seu lado. Uma criança que viajava dentro do ônibus disse que Heloiza passou pela frente do ônibus, porque tinha que atravessar a rua para chegar à sua casa.

Paulo Sérgio disse que tinha costume esperar a menina chegar em casa, porque ele é dono de um bar situado ao lado de sua residência. Excepcionalmente naquele dia ele precisou levar a esposa até um psicólogo. Ele voltou minutos depois para o local da tragédia. Duas pessoas chegaram antes do pai. Sobre o fato de a criança estar sozinha, Paulo Sérgio fez questão de esclarecer que o monitor não costumava acompanhar a criança até do lado de fora do coletivo.

Outro ponto alarmado pelos advogados que acompanharam Paulo Sérgio na entrevista de ontem, 16, é que, na ausência de pais e responsáveis no ponto de ônibus, a criança deveria ser conduzida novamente para a unidade escolar onde está matriculada, atendendo ao que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Ou então que trouxessem ela na volta, porque o ônibus faz o mesmo caminho para retornar. Era só deixá-la depois, não tinha problema”, lamentou Paulo Sérgio.

O pai lamenta a fatalidade. Fala em Justiça e cobra celeridade nas investigações. Por ser negro, fala até que se Heloiza fosse uma criança branca e rica, o caso já estaria solucionado. Paulo Sérgio é pais de outros dois meninos. Um deles está matriculado em uma escola municipal. “Não tenho coragem mais de deixar meu filho ir para a escola no transporte da Prefeitura. Eu não tenho dinheiro para pagar uma van, por isso que eu levo da minha forma”, concluiu.

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