Presidente do Mogi Mirim não vai à audiência

O presidente do Mogi Mirim, Luiz Henrique de Oliveira, não atendeu ao convite para participar da audiência pública que discutiu a situação do clube mogimiriano, na noite da última segunda-feira, 29. No entanto, em documento entregue pela procuradoria jurídica da instituição durante o encontro, o dirigente se dispôs a receber os vereadores e prestar as informações que forem solicitadas.

Luiz Henrique não enviou nenhum representante à audiência, que atraiu em torno de 70 pessoas. Havia vereadores, membros do grupo S.O.S. MMEC, procuradores do empresário Victor Simões, do ex-jogador e ex-presidente Rivaldo e ex-jogadores e torcedores do clube. A audiência, convocada pelos vereadores Tiago Costa e Moacir Genuário, ambos do PMDB, teve o propósito de discutir a alarmante situação em que se encontra o clube. O Mogi, além de ir mal dentro de campo, onde acabou de ser rebaixado para a Série A3 do Campeonato Paulista, ainda acumula dívidas e cobranças judiciais.

(Foto: Paulo Henrique Tenorio)

Na audiência, o grupo S.O.S. prestou esclarecimentos sobre a situação do Mogi Mirim. “O Mogi precisa ser mais bem administrado. Mas que não continue da forma como está”, sintetizou o advogado José Carlos Fernandes, um dos porta-vozes do grupo. Ele explicou como foi formado o movimento e algumas das ações praticadas. “Temos que abraçar a causa do Mogi Mirim e resgatar o clube. Quem sabe a gente consiga, não só com essa pretensão, permitir que não aconteça o que está acontecendo com outros clubes”, destacou.

Cristiano Rocha, representante do português Victor Simões, que foi quem assumiu o clube de Rivaldo e depois foi passado para trás por Luiz Henrique, também fez uso da palavra. Ele reforçou a participação do dirigente no movimento. Já o advogado de Rivaldo, Bettelen Dante Ferreira, explicou como ocorreu a transição da gestão de Rivaldo para Victor Simões. E deu esclarecimentos sobre a dívida que o Mogi contraiu com o clube entre 2008 e 2015 de mais de R$ 16 milhões.

“O Rivaldo aportou dinheiro no Mogi Mirim e chegou ao final de 2014, algumas estratégias foram traçadas, de forma de propiciar ao Mogi Mirim uma continuidade”, disse. Tanto que, para assegurar o pagamento de parte da dívida, Rivaldo se apropriou dos dois Centros de Treinamento (CTs) do clube, avaliados em aproximadamente R$ 6 milhões. Outros R$ 10 milhões seriam pagos por Victor Simões, em 10 anos. Como o português não seguiu à frente do clube, Rivaldo agora cobra a dívida na Justiça.

Foi durante o discurso de Bettelen que a advogada Roberta Pinheiro, representando Luiz Henrique, chegou à Câmara a entregou um documento para o vereador Moacir Genuário. Ela não permaneceu no plenário do Legislativo. Em seguida, o vereador Tiago Costa leu a carta. O documento citava que Luiz Henrique não poderia estar na Câmara devido a “compromissos agendados há semanas com um cliente muito importante para o negócio de minha empresa”.
Também cobrou a falta de apoio do Poder Público diante de pedidos efetuados para autoridades. “Mesmo pedindo apoio, sempre não recebemos resposta”, citou a carta. Tiago emendou: “nós nunca recebemos pedido algum”. O documento ainda trouxe como informação “comunicamos vossa excelência que as portas do Mogi Mirim estarão sempre abertas, bastando informar data e horário”.

Essa brecha poderá ser usada pela Câmara para agendar uma visita e obter informações mais precisas sobre a atual situação do Mogi Mirim. Além de Tiago e Moacir, a audiência contava com boa parte dos vereadores da atual legislatura. Ex-assessor de imprensa do clube, o vereador Geraldo Bertanha, o Gebê (SD), foi mais pessimista à situação atual. Para ele, a situação financeira do clube é irreversível. E que não surgirá um “messias” para aportar investimentos no Mogi.

Tiago amenizou o discurso, dizendo que é preciso evoluir esse trabalho para tentar não deixar que o Mogi Mirim acabe nas mãos de Luiz Henrique. Uma eleição deve ocorrer no final do ano. No entanto, o grupo S.O.S. pretende ainda promover outros questionamentos na Justiça sobre a conduta do mandatário, que tem adotado uma postura nada transparente em relação às contas do clube. E principalmente ao futuro, uma vez que o clube só vem acumulando problemas dentro e fora do campo. (com informações de Paulo Henrique Tenorio)

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