Contas de Gustavo Stupp são rejeitadas pela Câmara

Por Flávio Magalhães

As contas do ex-prefeito Gustavo Stupp (PDT) referentes ao ano de 2014 foram rejeitadas por unanimidade pela Câmara Municipal. Os vereadores acompanharam a avaliação da Comissão de Finanças e Orçamento do Legislativo e reverteram o parecer favorável emitido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que pode acarretar uma inelegibilidade de oito anos ao ex-prefeito.

A votação das contas, realizada no último dia 03, se alongou por quase duas horas. Isso porque diversos vereadores fizeram questão de criticar duramente o governo de Gustavo Stupp. Alguns repreenderam até mesmo o TCE por ter emitido um parecer favorável, apesar de tantas irregularidades apontadas pelo próprio órgão.

Um deles foi o vereador Magalhães da Potencial (PSD), que classificou como “lamentável” o parecer técnico. “A Polícia Federal deveria baixar no Tribunal de Contas”, sugeriu. “A roubalheira desse governo [de Gustavo Stupp] era tanta que foi preciso deixar de honrar com compromissos da Prefeitura para se ter dinheiro para desviar”, disparou, na tribuna.

Magalhães é um dos três integrantes da Comissão de Finanças e Orçamento, responsável por avaliar as contas da Prefeitura e seu respectivo parecer do TCE. A presidente da comissão, Maria Helena Scudeler de Barros, após uma explanação técnica, foi irônica ao se referir a Gustavo Stupp. “Acho que ele só gostava mesmo era de tomar um chopp e namorar, ser prefeito não era com ele”, disse.

Outro integrante da comissão, Alexandre Cintra (PSDB) disse que dormiria em paz após a votação, pois “sentiu na pele” as consequências do governo anterior. Ele se referiu a sua conturbada exoneração da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo logo no primeiro ano da gestão Stupp. “E a pergunta que não quer calar: quem administrou a cidade nos últimos quatro anos?”, questionou ainda.

Os demais vereadores também se pronunciaram em sua maioria. Tiago Costa (PMDB), por exemplo, chamou Stupp de “mau caráter” e também criticou o parecer do TCE. “Essas contas podem ter fechado matematicamente, mas são humanamente reprováveis pela população pelo mal que causou em nossa sociedade”, declarou.

“Muitas pessoas perguntam o que vamos fazer com o governo Gustavo Stupp, essa é a resposta”, definiu Geraldo Bertanha, o Gebê (SD), que questionou o fato do ex-prefeito não ter apresentado sequer uma defesa à Comissão de Finanças e Orçamento durante a análise das contas. “Quem cala, consente”, resumiu o vereador.

No mesmo sentido, se posicionou Cinoê Duzo (PSB). “As pessoas esperam por esse retorno, politicamente e moralmente. As pessoas esperam que a gente coloque esse moleque na geladeira por oito anos”, afirmou, em alusão a possível inelegibilidade que pode ser declarada a Gustavo Stupp de agora em diante.

Certamente com o discurso mais aguardado da noite, o ex-vice-prefeito e atual vereador Gerson Rossi (PPS) foi o último a falar. “Não fujo de nenhuma responsabilidade, como tenho feito nos meus 16 anos de vida pública. Nunca me escondi nesses quatro anos de governo, porque tenho a consciência tranquila”, declarou.

Gerson se isentou de qualquer responsabilidade pelo governo anterior pelo fato de não ter assumido a Prefeitura de Mogi Mirim durante um dia sequer em seu mandato de vice-prefeito. “Eu tenho vergonha na cara, tenho honra na cara, tenho uma família que me respeita e que confia em mim”, afirmou.

O vereador fez questão de ressaltar que mantinha certo distanciamento de Stupp. “Acho que se tive meia hora de conversa com o prefeito nesses quatro anos foi muito”, disse. “Mas hoje represento a vontade do povo e sei que a vontade do povo é de que as contas sejam rejeitadas”, encerrou.


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