Luiz Henrique será afastado, diz oposição

O cartório de registros de documentos do município validou a ata da reunião geral extraordinária realizada por sócios opositores do presidente do Mogi Mirim Esporte Clube, Luiz Henrique de Oliveira. O encontro ocorreu na noite de 20 de junho, no salão de eventos do Hotel Bristol Zaniboni. Com esta validação, segundo entendimento do grupo de oposição, Luiz Henrique está automaticamente afastado da presidência, com base no próprio estatuto do clube que fundamentou a decisão.

A ata foi registrada na terça-feira, 04, o que é considerado como marco para o afastamento de Luiz Henrique, acusado por má-gestão à frente do clube. O Mogi Mirim contabiliza problemas não só dentro de campo, onde vem registrando rebaixamentos ano após ano. O clube está na Série A3 do Campeonato Paulista e na Série-C do Brasileiro. Fora de campo, são muitos os problemas. Dívidas, 92 ações trabalhistas, execuções judiciais, além de polêmicas decisões em mais de dois anos de gestão.

Desde novembro do ano passado os sócios têm se mobilizado na tentativa de questionar muitas das atitudes de Luiz Henrique. A primeira polêmica veio com a assembleia de 24 de novembro do ano passado, quando Luiz Henrique não fez nenhuma deliberação na presença dos sócios, mas criou um recadastramento. Como a decisão deixou dúvidas, os sócios moveram uma ação e conseguiram uma liminar suspendendo os efeitos de uma portaria que não foi votada em assembleia.

Aliás, o próprio grupo de Luiz Henrique se perde na contabilização de sócios. Segundo auditoria das contas de 2016, publicada no site da FPF (Federação Paulista de Futebol), o Sapo possui 36 associados. Foi com base neste número que a assembleia realizada no mês passado se legitimou para decidir pelo afastamento de Luiz Henrique. A intervenção passou a valer a partir do registro da ata em cartório. Hoje, a ata é publicada em jornal da cidade para contar prazo para defesa do presidente.

O grupo de sócios deve levar uma notificação ao presidente. Uma nova assembleia foi agendada para o dia 18 de julho. Se Luiz Henrique não aceitar a notificação, ele pode ser desligado definitivamente da presidência. O presidente da comissão de sócios designada para avaliar a situação do clube, Rogério Manera, comemorou o reconhecimento da ata por parte do cartório. “Ou seja, somos considerados sócios, apensar do próprio Mogi Mirim não ter um controle exato da situação”, disse.

Esse conflito é o que tem gerado mais dúvida, porque pelo balanço de 2016, o Mogi arrecadou R$ 11.040 no recadastramento que foi aprovado apenas em novembro, ou seja, restando apenas um mês para a cobrança do recadastro. Se o Mogi tem apenas 36 sócios em 31 de dezembro de 2016, cada um destes sócios teria que ter desembolsado pouco mais de R$ 300, em média, em apenas um mês.
O Mogi Mirim tem jogo nesta segunda-feira pela Série C do Brasileiro. A ideia é que a notificação seja apresentada durante o dia, antes do jogo, pois o grupo pretende também levar ao dirigente as informações que são requisitadas pelos sócios. Se ele se negar a se afastar da presidência, o grupo deve levar essa discussão para a assembleia do dia 18.

Não está descartada qualquer hipótese de alguma medida judicial para validar a decisão da assembleia, que agora está respaldada pelo registro da ata em cartório. Rogério Manera se reuniu ontem à tarde com a comissão formada para discutir a intervenção. A ideia era levar a notificação neste final de semana, muito embora, de acordo com a ata, a publicação em jornal local já iniciaria o prazo de defesa do presidente afastado do Sapo.


Comissão formada para discutir a intervenção se reuniu na tarde de ontem; Oliveira deve ser notificado

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