Lula é condenado a 9,5 anos de prisão e sentença repercute no meio político

Por Flávio Magalhães

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância, condenou na quarta-feira, 12, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação é relativa ao processo que investigou a compra e a reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo.

Na decisão, Moro afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente. O ex-presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho conhecido como Léo Pinheiro, também foi condenado no caso, mas por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A sentença prevê 10 anos e 8 meses de reclusão para o empresário, mas sua pena foi reduzida devido ao fato ter fechado acordo de delação com a Justiça.

O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer da decisão. Os procuradores que integram a Força Tarefa da Lava Jato dizem que discordam de alguns pontos da decisão do juiz Sérgio Moro e devem pedir uma pena maior ao ex-presidente. Lula, por sua vez, disse que vai recorrer da condenação “em todas as instâncias possíveis”, e pediu ao seu advogado que fosse estudado um processo contra a sentença de Moro no CNJ, o Conselho Nacional de Justiça.

A COMARCA ouviu autoridades e líderes políticos sobre a questão. O presidente do PSDB de Mogi Mirim, Marcos Dias dos Santos, o Marquinhos, concorda com a visão do MPF e vê como branda a sentença que condenou o ex-presidente. “Esperava uma pena maior pelas provas que foram apresentadas e pelo embasamento jurídico”, analisou. “Precisamos aguardar a segunda instância”, advertiu.

Em um tribunal superior, contudo, Marquinhos acredita que a condenação de Lula possa ser reformada para uma pena maior e descarta o argumento petista de que Sérgio Moro agiu por motivações políticas. “Estão no papel deles. Moro é uma pessoa muito respeitada, é um herói brasileiro”, enfatizou. “A grande nação brasileira não esperava outra postura dele”, completou.

O presidente do PSDB também acredita que os petistas perderam sua principal peça para 2018. Vale lembrar que, em caso de uma condenação em segunda instância, Lula fica inelegível para a corrida presidencial. “O PT já teve um desempenho pífio nas eleições municipais do ano passado, com Lula condenado eles perdem seu principal trunfo”, destacou.

Já Ernani Gragnanello, histórico líder petista na Baixa Mogiana, vê distinções entre os julgamentos relativos ao PT e de outros partidos. “Sabemos que diversas lideranças do PMDB e do PSDB são denunciadas pelo Ministério Público Federal com gravíssimas provas e gradativamente são liberados ou são arquivadas as denúncias pelo Poder Judiciário”, apontou. “

Eu não sou daqueles que acham que o PT não errou ou coisa parecida, mas que os pesos são totalmente desiguais e isso as pessoas do bem percebem claramente”, completou.

Ex-presidente da sigla em Mogi Mirim, ele prevê tempos difíceis para a legenda. “O PT será atacado sem piedade. Uma parte da população, orientada por setores do PMDB, DEM e PSDB, fará esse jogo sujo e a propagação da intolerância contra o PT. Quais os motivos?  Diante dos compromissos sociais que o PT defende”.

“Por fim aqueles que foram às ruas contra a ex-presidente Dilma Rousseff, contra a corrupção e as pedaladas fiscais estão onde? A corrupção está escancarada e as pedaladas viraram um motor turbinado 3.0”, ironizou.

Já o promotor de Justiça de Mogi Mirim, Rogério Filócomo Júnior, não acredita em atuação política do juiz Sérgio Moro. “Estamos em um Estado Democrático de Direito onde as instituições estão fortalecidas, principalmente a Justiça”, defendeu. “Políticos do PSDB e do PMDB também estão sendo processados, não dá para dizer que a Lava Jato foi criada contra o PT”, avaliou.



Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top