Mogi Mirim registra seu 1º W.O.

Flávio Magalhães

Um fato inédito na história do futebol profissional do Mogi Mirim Esporte Clube. Pela primeira vez a equipe perdeu por W.O. (abreviação do inglês walkover). Os atletas do Sapão da Mogiana chegaram ao limite e decidiram não entrar em campo para a partida contra o Ypiranga, marcada para o último sábado, 12, pela 14ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro.

Às 15h30, horário marcado para a partida, os jogadores do Ypiranga já estavam posicionados em campo, assim como o trio de arbitragem. Após 30 minutos, como manda o regulamento, o árbitro Paulo Sergio Santos Moreira declarou o W.O. do Mogi Mirim Esporte Clube. Assim, oficialmente, o Ypiranga venceu por 3 a 0 sem jogar.

Momentos antes da partida, o Sindicato de Atletas de São Paulo (Sapesp) emitiu nota dizendo que os jogadores do Mogi Mirim não entrariam em campo devido à falta de pagamento. “Atletas cansados de esperar que o clube cumprisse com sua obrigação não irão a campo hoje nesse fim de semana. Porém, o problema não termina aí. Quem se responsabilizará por essa situação? Quem arcará com os salários? Sabemos que isso ainda vai longe”, declarou em nota Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato de Atletas.

“O pior é que as entidades dirigentes não assumem que atitudes irresponsáveis como essa é que enfraquecem o futebol em todos os sentidos. E sabemos que esse não é o único caso; esse foi o que chegou ao fundo do poço! Por isso não abrimos mão de todas as ferramentas disponíveis para mudar o cenário e não tememos as represálias. Esperamos que as decisões judiciais, temos ações contra a CBF e a Federação Paulista de Futebol também, venham contemplar um direito tão sagrado que é o salário do trabalhador”, completou.

A diretoria do Mogi Mirim se reuniu com o elenco por volta do meio-dia e iniciou uma negociação para que os jogadores entrassem em campo. A conversa se estendeu até às 15h, quando alguns atletas recusaram uma das propostas do presidente e deixaram as dependências do estádio “Vail Chaves”. Segundo jogadores ouvidos por A COMARCA, o presidente Luiz Henrique de Oliveira teria exigido que os atletas alojados no clube se retirassem.

À imprensa, Oliveira chegou a dizer que abandonaria a Série C do Campeonato Brasileiro. No entanto, voltou atrás e se reuniu com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, para solicitar que o Mogi Mirim continuasse no torneio, mas jogando com os atletas da base. Pelo W.O. de semana passada, o clube pode ser punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).


(Foto: Odinovaldo Bueno)

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top