Uma rICA caminhada de duas décadas

Flávio Magalhães

Quem passa pelo notório prédio de vidro que abriga a sede da Instituição de Incentivo à Criança e ao Adolescente (ICA), na Avenida Brasília, pode não imaginar. Mas sob aqueles alicerces estão duas décadas de dedicação integral a um projeto que busca formar cidadãos, acima de tudo.


Por ocasião dos 20 anos de fundação do ICA, a reportagem de A COMARCA conversou com Tarcísia Mônica Mazon Granucci, fundadora do projeto, que explicou que a história da instituição remete à matriarca da família, Sofia Mazon. “Minha mãe tinha uma preocupação muito grande com as crianças do Educandário, que eram atendidas até os dez anos de idade”, relembra.

Foi esse o gatilho para que Tarcísia procurasse a ajuda de amigos para tirar do papel a ideia de criar uma organização social. Com a parte jurídica resolvida, o ICA começou a funcionar em um galpão desativado na Rua Padre Roque, onde antes funcionava uma tapeçaria para os ônibus da Viação Santa Cruz, empresa da família Mazon.

Nos primeiros anos, aliás, o patrocínio da Viação Santa Cruz e da própria família Mazon foi fundamental para que o ICA desse seus primeiros passos. Tudo em prol do ideal de dona Sofia. “Minha mãe dizia: ‘quero que essas crianças sejam pessoas boas para a sociedade’. E essa sempre foi nossa missão, que esses adolescentes façam a diferença”, destacou Tarcísia.

De início eram 40 crianças atendidas, 20 em cada turno (sempre o contrário da escola, evidentemente). E logo de cara Tarcísia tratou de mudar a aparência desses jovens. “Eu não queria que as crianças do ICA se sentissem estigmatizadas”, justificou. Prova maior foi o primeiro desfile da instituição no Dia da Cidade. Os uniformes da banda vieram de Brasília e chamaram a atenção de todos. “Quando a criança gosta dela, ela gosta do mundo”, completou.

Cada vez mais o projeto se difundia pela cidade e atraía a atenção de diversos voluntários, que ajudavam como podiam, desde doações até aulas das mais variadas áreas para as crianças. “Era uma ‘colcha de retalhos’, mas a gente entendeu que precisava de um caminho. E a gentre entendeu que a arte era o nosso canal”, ressaltou a fundadora do ICA.

E foi assim que o circo, nas suas diversas formas de expressão, se tornou a vocação do ICA. “A arte não é fim, é meio, é para atrair, potencializar, transformar e formar gente boa, bons seres humanos”, destacou Tarcísia. Da mesma maneira, o ICA encontrou uma forma de se sustentar: através de inscrições de projetos que possuem apoio das leis de incentivo à cultura. O Itaú-Unicef, que já premiou o ICA, é um exemplo célebre.

A instituição foi crescendo e um novo prédio era uma demanda já esperada. Concretizada em 2014, oficialmente, com um espaço que contempla salas de dança, música, teatro e circo (todas de excelência), além de biblioteca, rádio, dois auditórios, banheiros adaptados, cozinha industrial, área de educação social, artes plásticas, local para espetáculos... tudo do melhor. “Essas crianças merecem, a vida já as maltratou demais”, disse Tarcísia.

A fundadora Tarcísia Mazon Granucci ao lado do quadro da mãe Sofia e dos diversos prêmios dados ao ICA

Apesar do moderno prédio, o ICA não cabe em si. Está presente com seus projetos em outros sete espaços espalhados por Mogi Mirim: uma escola estadual, três escolas municipais e os três Centros de Referência de Assistência Social (Cras). A instituição conta ainda com um Centro de Voluntariado, que faz a ponte entre entidades e voluntários. Somando todos esses braços, é possível dizer que o ICA atingiu 16 mil pessoas no ano passado.

Tudo feito com a maior transparência possível. Hoje, diretores de empresas são convidados para integrarem a diretoria do ICA e verificarem de perto como os recursos são investidos. É uma estrutura grande e rica em diversidade para atender aos jovens de Mogi Mirim. O motivo de tudo isso, Tarcísia tem na ponta da língua. “A gente pode resumir em amor”.

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