‘Funcionalismo se sente humilhado’, diz presidente do Sinsep

Flávio Magalhães

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mogi Mirim (Sinsep), Luciano Ferreira de Mello, utilizou a tribuna livre da Câmara Municipal na última segunda-feira, 28, e desabafou sobre a situação da categoria ante o reajuste zero imposto pela Prefeitura. “O Funcionalismo está se sentindo humilhado, pois está sendo negado o seu direito constitucional de reposição salarial”, declarou.

De acordo com os cálculos do sindicato, o salário dos servidores públicos nos últimos 12 anos está 6,72% abaixo da inflação desse período, o que significa uma perda do poder de compra dos funcionários. “Isso é achatamento de salário!”, resumiu Mello. “O servidor paga suas contas como todos os outros e precisa do reajuste para dar o mínimo do mínimo para sua família”, completou.

O presidente do Sinsep repassou passo a passo como ocorreram as negociações do dissídio até o momento, detalhando todos os trâmites legais e burocráticos. Explicou que as negociações que deveriam ter ocorrido em março foram adiadas a pedido do secretário de Finanças Roberto de Oliveira Júnior, atendido pela antiga diretoria do sindicato. Lembrou que os servidores reunidos em assembleia optaram por um pedido de reajuste geral de 9,5% e da elevação do salário mínimo praticado pela Prefeitura.

A Administração Municipal, por sua vez, respondeu que não tinha condições financeiras e legais para conceder aumento de salários e confirmou o reajuste zero da categoria. “Isso não é negociação, é imposição”, protestou Mello, afirmando que não há reconhecimento profissional e financeiro da classe. O representante sindical afirmou ainda que estuda medidas, mas que o judiciário não pode interferir nesse assunto. “A justiça reconhece o direito dos servidores ao reajuste, mas não obriga o Poder Público a cumprir este direito”, explicou.

Mello, presidente do Sinsep

REBATE
Mello também rebateu as críticas que o Sinsep recebeu, de que teria agido com atraso na negociação salarial deste ano. “Estes comentários são frutos de quem está mal informado”, disparou. “Antes de falar do sindicato, peço que busquem informações corretas e não suposições e achismos”, declarou com veemência.

O presidente do Sinsep respondeu diretamente a críticas do vereador André Mazon (PTB). “O senhor, como agente político e representante do povo, deveria ter ciência de que as palavras jogadas ao vento influenciam positiva ou negativamente na vida das pessoas”. O parlamentar se defendeu dizendo que suas palavras foram tiradas de contexto e que as críticas eram em relação à diretoria anterior do sindicato, que encerrou sua gestão em março deste ano.

PREFEITO
O prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) comentou o reajuste zero em entrevista ao programa Em Discussão, da rádio Visão FM. “A decisão é difícil porque se contraria desejos, vontades, expectativas e nenhum poítico tem o prazer de fazer isso”, pontuou. “Mas também foi facílima de tomar, porque se eu tomasse outra decisão seria uma ilusão para a população, porque eu não pagaria”, completou.

“Se eu tivesse dado o aumento, seria muito pior, porque eu passaria um testemunho de fraqueza e de absoluta incompetência”, avaliou. “É como as funções de gratificação (FGs), que não posso pagar para dois e não pagar para os demais. Não tenho recursos, que alternativa eu tenho?”, comparou.

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